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Manaus
Resíduos Recicláveis

Catadores de resíduos acumulam prejuízos por falta de estrutura e fiscalização

Para catador, a falta de ordenamento e falhas no trabalho da Semulsp estão entre os principais problemas para os trabalhadores regularizados 09/05/2017 às 10:54
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Cansado de esperar pelas promessas, Antônio voltou a atuar nas ruas (Aguilar Abecassis)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Catar papel, papelão, garrafa pet e outros produtos recicláveis tem sido a rotina do catador de resíduos recicláveis Antônio Correia, 58, durante os últimos 33 anos. Natural do Rio de Janeiro, ele veio para Manaus aos 25 anos de idade em busca do sonho de uma vida melhor. Nos últimos quatro anos ele vem alimentando uma esperança de sair das condições precárias de trabalho, após promessas feitas pela Prefeitura de Manaus, que, no entanto, ainda não saíram do papel. “Esperança a gente ainda tem, o que falta é previsão de quando esse sufoco vai acabar”.

Entre as promessas de ordenamento da categoria feitas pela atual gestão municipal, a que Antônio mais aguarda é a contratação dos catadores como prestadores de serviço pela Prefeitura de Manaus. “Todo dia sonho em ter um salário. Em 2013 imaginei que isso se tornaria realidade quando nos foi prometido um contrato com a prefeitura como reconhecimento pelo nosso serviço à cidade. Teve homenagem e tudo, mas até hoje o dito cujo (contrato) não se tornou realidade”, reclamou.

Antônio trabalha na cooperativa Aliança, em um dos pontos de coleta do Centro de Manaus. Ele começou como catador, logo após sua chegada à capital. Segundo ele, o trabalho começou no estádio da Colina, no São Raimundo, Zona Oeste. “Nos dias de jogo eu me mandava para o estádio e catava tudo que pudesse ser reciclável para vender e conseguir dinheiro para me manter”, lembrou.

Falta ordenamento

Para ele, a falta de ordenamento e falhas no trabalho da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana e Serviços Públicos (Semulsp) estão entre os principais problemas para os catadores que trabalham regularizados junto a uma das cooperativas. É que as cooperativas recebem os resíduos recolhidos das ruas pela prefeitura, mas apontam que esses problemas têm causado prejuízo aos trabalhadores.

“O caminhão de coleta passa muito tarde, aí quase tudo que é reciclável já foi coletado por catadores que ainda trabalham com os carrinhos, nas ruas. Até explicamos ao fiscal, mas ele não liga. Por conta disso, temos perdido dinheiro”, reclamou.

Retrocesso

A saída encontrada pelos catadores da associação, conta Antônio, é, ao mesmo tempo, uma solução e um retrocesso: voltar às ruas. “O jeito foi voltar a fazer a coleta em carrinhos, pelas ruas. Já que a prefeitura não coloca em prática as promessas de regularizar a categoria, buscamos a solução que nos cabe”, justificou.

O agente ambiental e também catador Pedro Costa de Oliveira, 55, reforça os problemas relatados por Antônio e conta que, para agravar a situação, os fiscais da Semulsp que trabalham diretamente nos caminhões de coleta não têm o devido cuidado ao olhar se os materiais recolhidos são recicláveis ou descartáveis. “Às vezes recebemos caixas cheias de lixo, que não pode ser reciclado. Da mesma forma, talvez recicláveis estejam indo parar no aterro”, alertou.

Faltam de galpões a comprometimento do poder público

Assim como Antônio e Pedro, a catadora Martinha Assunção da Cruz, 59, também reclamou da falta de ordenamento da atividade e ainda reforçou a falta de comprometimento dos fiscais da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) em verificar os materiais recolhidos. Por conta disso, o local onde ela vive com a família tem deixado de ser um ponto de coleta seletiva e virado um “lixão”. “Muitos materiais recolhidos pelo caminhão de coleta são lixo e, como não temos muito o que fazer com esse material, ele tem se acumulado no quintal. Recentemente fiquei muito doente e nem tive tempo de reorganizar esse material para ser realmente descartado. Minha família vive da reciclagem, e problemas como esse são cruciais”, disse.

Martinha aponta ainda a falta de galpões de coleta seletiva como outro problema que a prefeitura prometeu solucionar, mas até hoje não cumpriu. “Estou há quatro anos na esperança desses galpões serem construídos, mas até hoje não passou de promessa para os catadores. Se tivéssemos esses galpões, com certeza nosso trabalho iria mudar para melhor, assim como a vida das nossas famílias”.

Blog: Paulo Farias, Secretário da Semulsp

“Temos trabalhado diariamente para atender as demandas dos catadores. Sobre a contratação, o processo tramita como prevê o Tribunal de Contas e, assim que tudo estiver nos conformes, vamos dar continuidade ao processo. Sobre os caminhões de coleta, temos um roteiro traçado para eles. Temos feito, inclusive, um trabalho contínuo de orientação aos lojistas para evitar o descarte incorreto. Atualmente oferecemos sete galpões para as cooperativas, além de 12 pontos de coleta, mas elas também precisam fazer a parte delas para conseguirmos atingir o ordenamento”

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