Sábado, 20 de Julho de 2019
SAÚDE

Clínicas em Manaus oferecem consultas de até R$ 100 e exames 50% mais baratos

Alternativa para quem não tem plano de saúde e nem interesse de recorrer ao SUS, os centros médicos populares têm preços acessíveis para cardiologista, oftalmologista, ortopedista e psiquiatria e para exames como tomografia e ultrassonografia



planos_populares.jpg Só no Amazonas, o crescimento no número de usuários de planos médico-hospitalares foi de 14.239 em relação a janeiro de 2017 (Foto: Reprodução/Internet)
18/02/2018 às 07:45

Em 2017, 281,6 mil pessoas deixaram de ter plano de saúde. Em três anos, houve redução de 3,1 milhões de usuários, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com a crise, muitas pessoas tiveram o plano empresarial cortado ao serem demitidas e não conseguiram arcar com os custos da mensalidade individual. Sem o interesse de recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), os consumidores começam a descobrir as clínicas populares, um mercado que está em franco crescimento no país.

Só em Manaus, há, pelo menos, oito empresas no segmento. Em geral, as consultas custam até R$ 100, inclusive para especialidades como cardiologista, oftalmologista, ortopedista e psiquiatria. Os exames são cerca de 50% mais baratos do que nas clínicas particulares convencionais e vão desde os laboratoriais aos exames por imagem, como ultrassonografia e tomografia.

De acordo com o gerente de marketing do Dr+ Consulta, Djan Marcelo Sousa, é possível cobrar uma consulta com um valor abaixo do mercado e conseguir manter o administrativo da empresa. “Tem na  cidade um mercado próspero devido à carência muito grande do sistema único de saúde e vimos que esse modelo dá certo e tem como crescer ainda mais. É preciso saber administrar”, explicou.

Funcionando desde o final de 2016 e com três unidades na cidade, segundo Sousa o diferencial da clínica Dr+ Consulta é o atendimento, qualidade, preço e a comodidade do complexo que inclui consultórios, laboratórios, drogaria e até clínica de estética.

Outra empresa atuando na cidade é a Clínica da Família, localizada no Shopping Via Norte. O público que frequenta o estabelecimento é de diferentes classes, C e D em maioria, até pessoas que se deslocam de outras regiões da cidade a procura de profissionais específicos. A clínica não oferece planos, somente pacotes em que é possível facilitar o acesso a grupos específicos, por exemplo, gestantes.

“Somos independentes. O movimento inicialmente foi menor do que esperávamos, mas aos poucos as pessoas vêm reconhecendo nosso diferencial. Consultas e exames funcionam de modo convencional, sendo a inovação na marcação das consultas e exames pelo próprio aplicativo da clínica, site e WhatsApp”, contou o diretor técnico, Winston Ribeiro.

Conforme Ribeiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) é bem claro na posição em relação aos “planos populares”. “Estes ‘planos’ restritos são proibidos justamente por estas limitações. É permitido cartão fidelidade, desde que não tenha nenhuma cobrança sazonal. Todo o planejamento foi organizado de uma maneira que tornasse a clínica da família viável financeiramente, dando especial atenção aos colaboradores e parceiros para que estivessem satisfeitos com a remuneração e ambiente, e poder realizar um trabalho de qualidade”, comentou.

Para conseguir oferecer os serviços a preço baixo, as clínicas se desdobram para cortar custos internos e negociar contratos mais vantajosos. A clínica Docctor Med Manaus, localizada no Millennium Shopping, disponibiliza consultas à preço popular e um check up básico com 15 exames laboratoriais no valor de R$ 247, pagando a vista sai por R$ 220. O pacote não inclui exames. 

Precauções contra armadilhas

Com preços mais em conta, as clínicas com planos populares são realmente um atrativo para quem está sem convênio, mas algumas precauções devem ser tomadas para não cair em armadilhas. De acordo com a advogada do consumidor Ragelia Kanawati, é preciso, antes de assinar um contrato de adesão, se atentar para o que diz a lei. E observar que as cláusulas que implicarem na limitação de direito, devem ser redigidas com destaque, para a imediata compreensão.

“Ao assinar o contrato, observe cada cláusula, e observe o período de carência, informado no contrato. Caso deseje cancelar, ele tem o direito de arrependimento no prazo de sete dias corridos”, afirmou Kanawati. Segundo a especialista, o plano coletivo, muito embora pareça vantajoso, é necessário cautela, pois existem cláusulas de inadimplemento que podem afetam todos os beneficiários, uma delas é a respeito da carência.

Cartões garantem descontos

O grupo Prodimagem lançou cartões com pacotes de exames e consultas médicas. São três categorias: blue, master e premium com mensalidades de R$ 80 a R$ 180, respectivamente, cada um com características únicas, além de descontos de até 30% para exames não inclusos na categoria.

A clínica médica Sasmet, localizada no Centro, dispõe do Sasmet Card em que o cliente paga apenas R$ 120 que corresponde a taxa de adesão (R$ 60) e a anuidade (R$ 60). Não há mensalidades. “A renovação do cartão dar-se-á apenas no ano vindouro na sua respectiva data de aniversário de adesão ao plano. No ato da adesão o cliente já faz jus a uma consulta e um retorno gratuito em umas das 11 especialidades que a clínica oferece e já tem imediatamente sem carência a seu dispor o desconto de 30% nos exames laboratoriais, de imagem, incluindo, raio X e ultrassonografia”, disse o gerente administrativo Luiz Cássio Oliveira.

A empresa Dr+ Card oferece quatro opções de planos com mensalidade individual, de R$ 99,90 a R$ 220, e a opção familiar, com no mínimo três pessoas, custando por pessoa de R$ 79,90 a R$ 180.

Busca

Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou que as clínicas populares terão que ter registro no CFM do estado onde funcionam, assim como seu corpo técnico, incluindo médicos e especialistas. A publicidade também fica impedida de divulgar valores.

Saiba+

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar quem já se registrou como microempreendedor individual e contratou plano de saúde coletivo, mas não exerce atividade empresarial, poderá ter o contrato rescindido. Cabe às operadoras fazer esta verificação na data de aniversário do plano e, se for o caso, enviar a notificação da rescisão com 60 dias de antecedência.

Opinião

A aposentada Raimunda Cezar pagou plano de saúde por mais de 20 anos e agora utiliza os serviços das clínicas populares. “O SUS não consegue atender a demanda da população, principalmente, as especialidades. Tenho o tímpano (membrana do ouvido) perfurado e em caso de inflamações vou ao otorrinolaringologista. As consultas a preços populares atendem as minhas expectativas, não tem que esperar semanas ou até meses para a consulta e já fui muito bem atendida pelos médicos”, disse.

Segundo ela, é possível poupar o dinheiro que iria para um plano de saúde particular e investir em consultas, exames e remédios.

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