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Manaus
SAÚDE

Saiba mais sobre a vacina contra o sarampo e a importância de se imunizar

Especialista da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) esclarece questões e fala sobre as ações de prevenção no Estado 12/07/2018 às 17:22
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(Foto: Reprodução)
acritica.com Manaus (AM)

Seis, doze ou quinze meses, qual é a idade certa para tomar a vacina que protege contra o sarampo, uma doença perigosa, que pode matar? É aplicada somente uma dose ou tem reforço? O adulto vacinado quando criança precisa se imunizar novamente?

Apesar das constantes informações acerca do assunto, em razão do surto que acontece no Amazonas, ainda são muitas as dúvidas que pairam no ar, para boa parte das pessoas. Levando em conta a importância do tema, a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Izabel Nascimento, da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), esclarece estas e outras questões. A FVS é o órgão da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), que coordena as ações de vigilância no Amazonas.

Confira:

Onde se vacinar?

Nas Unidades Básicas de Saúde das Prefeituras.

Quando tomar a vacina contra o sarampo?

O Calendário Básico de Vacinação indica aos 12 meses de idade, com a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Em Manaus, crianças a partir de 6 meses estão sendo vacinadas em razão do surto. Mas essas crianças, é bom ressaltar, terão que tomar a tríplice viral novamente quando completarem 12 meses (1 ano) de vida, que é quando inicia o calendário de rotina delas. Crianças menores de 6 meses não precisam tomar a vacina, porque estão protegidas com a imunidade que herdam da mãe. Porém, é recomendado evitar ambientes aglomerados e fechados.

A vacinação contra o sarampo tem reforço?

Sim. O Calendário Básico de Vacinação é composto de duas doses, que deverão ser aplicadas até os 29 anos. Na rotina normal, a primeira dose é aos 12 meses (no Amazonas, antecipado para 6 meses) e o reforço aos 15 meses. Aos 15 meses, a criança toma a vacina tetraviral, que protege contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).

Caso esse reforço não seja tomado, qual o grau de proteção da pessoa?

Ela não estará imunizada completamente e corre o risco de contrair sarampo.

Quem tomou as duas doses tem que se vacinar novamente?

Pode acontecer de ser vacinada novamente, em caso de imunização de bloqueio, que é feita na área onde a doença é registrada. Mas, em geral, não precisa. Agora, se a pessoa não foi vacinada na idade correta, tem que procurar se imunizar. Até os 29 anos devem ser administradas duas doses (tríplice e tetraviral). Dos 30 aos 49, apenas uma dose da tríplice viral.  

Em quais situações a vacinação contra o sarampo é contraindicada?

São poucos os casos de contraindicação. A vacina contra o sarampo é contraindicada, por exemplo, para pessoa que faz tratamento prolongado com corticoides (anti-inflamatórios muito utilizados em doenças crônicas, como artrite, asma ou alergia). Neste caso, só pode se vacinar se estiver no período de abstinência de 15 a 20 dias. A vacina também não pode ser aplicada em crianças com alergia à proteína do leite de vaca. Elas devem tomar uma vacina especial, mediante atestado médico – também é tríplice viral, mas de outro laboratório. Esta vacina é encontrada no centro de referência à doença, no Estado, que é a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Mulheres grávidas também não podem se vacinar. Caso ainda não tenham se imunizado , devem esperar o período puerpério (resguardo) para fazer isso.

Que reações poderem provocar a tríplice e a tetraviral?

As reações adversas são bem poucas. Uma delas é o aparecimento de manchas vermelhas, semelhantes às de sarampo, mas não é a doença, apenas um efeito colateral.

Do que as vacinas são feitas?

De vírus atenuado (vivo, mas enfraquecido) do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora), que fazem com que a pessoa adquira anticorpos contra essas doenças. Na composição também pode ter aminoácidos, albumina humana, sulfato de neomicina, sorbitol e gelatina, além de traços de proteína do ovo de galinha e proteína do leite ou lactose.

Qual é a segurança e a eficácia das vacinas?

Elas são muito seguras e eficazes, desde que a pessoa se comprometa a cumprir o calendário básico, de acordo com a idade.

Durante as campanhas, toda a população alvo deve ser vacinada? Por quê?

Sim. A campanha é indiscriminada (todos os indivíduos da faixa etária alvo devem ser imunizados, independente de sua situação vacinal anterior). O objetivo é resgatar aquelas falhas primárias da vacina e os bolsões de suscetíveis que vão se acumulando ao longo dos anos. Geralmente, a campanha contra o sarampo é feita a cada quatro anos.

Desde quando existe a vacina contra o sarampo?

Desde os anos 60. Começou com a vacina monovalente, que só protegia contra o sarampo e, hoje, temos a tríplice viral, que evita, também, a caxumba e a rubéola.

Qual importância da vacinação contra o sarampo?

A vacina é a principal forma de prevenção contra o sarampo, uma doença grave e que pode matar. É de suma importância que as pessoas se vacinem, para que não prejudiquem a si próprio e a coletividade. É de responsabilidade dos pais a imunização dos filhos, e não apenas contra o sarampo, mas contra todas as doenças preveníveis por meio da vacinação.

Saiba mais

• O vírus causador do sarampo é espalhado por tosse e espirros, contato pessoal próximo ou contato direto com secreções nasais ou da garganta.

• Entre os sintomas estão erupção vermelha em todo o corpo, febre, corrimento nasal, olhos vermelhos e tosse.

• Entre as complicações mais graves estão cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia.

• O vírus permanece ativo e contagioso no ar ou em superfícies infectadas por até duas horas e pode ser transmitido por uma pessoa infectada a partir de quatro dias antes e quatro dias depois do aparecimento de erupções cutâneas (vermelhidão na pele).

• Pessoas com sinais de sarampo devem ser levadas para um centro de saúde imediatamente.

• Se você ou alguém da sua família tem entre 6 meses (ou 12 meses) e 49 anos, vá a unidade básica de saúde mais próxima para se vacinar.

• Quando for se vacinar não se esqueça de levar junto o seu o cartão de vacinação e o dos seus filhos. Assim, os profissionais de saúde poderão ver se vocês precisam de outras vacinas. Se não tiver o cartão de vacinação, as vacinas também estarão disponíveis para você. Mas lembre-se de guardá-lo da próxima vez.

• Às vezes, leve inchaço e vermelhidão podem ocorrer no local da injeção da vacina. Não se preocupe. Isso desaparece com compressas mornas e paracetamol.

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