Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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ECONOMIA

Saída da Pepsi revela vulnerabilidade da ZFM; parlamentares avaliam perda

Nova bancada federal do Amazonas tem como primeira missão, a partir de 2019, reverter prejuízos ao Polo de Concentrados


09/12/2018 às 19:10

A mudança de taxação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) das fábricas de concentrados de refrigerantes instaladas no Polo Industrial de Manaus acabou derrubando a permanência da gigante americana PepsiCo no Amazonas. A desistência ocorreu na semana passada. As empresas pagavam alíquota de 20%, porém, o índice foi reduzido para 4% para bancar os subsídios do óleo prometidos pelo governo de Michel Temer para encerrar a greve dos caminhoneiros em maio.

“Tomamos a difícil decisão de fechar nossa unidade de fabricação de concentrados em Manaus com o objetivo de administrar eficientemente nossas operações em todo o Brasil e posicionar a empresa para um crescimento de longo prazo. Essa decisão não afeta outras operações da PepsiCo no País”, disse o fabricante em nota.

Por pressão de outras empresas, como a Coca-cola e a Ambev, a equipe econômica de Temer refez os cálculos e, no primeiro trimestre de 2019, o índice a ser tributado no IPI será de 12%, e no segundo, 8%. Para 2020 volta os 4% novamente.

Críticas

Mas a saída da PepsiCo ainda é motivo de críticas sobre a fragilidade da Zona Franca de Manaus em manter suas indústrias ante aos cenários de crise. Na opinião do deputado federal eleito, Sidney Leite (PSD) a saída da Pepsi do PIM demonstra não só uma empresa a menos na cartela de empresas do distrito, mas fragilidade de todo o setor. “A medida adotada pelo governo Temer, com esse decreto que atinge o polo de concentrados do PIM, fragiliza o modelo como um todo, hoje pode ser o setor de refrigerantes e amanhã atingir outros setores”, avaliou.

O também deputado federal eleito Capitão Alberto Neto (PRB) garante que a perda da fabricante americana não atinge apenas o Amazonas e, sim o País. “A ZFM gera mais de 700 mil empregos para todos os estados da federação. São insumos, importados para as fábricas que ampliam a oferta de empregos em âmbito nacional. Então, podemos concluir que o modelo econômico não pertence só aos amazonenses, mas a todo o Brasil”, disse o capitão.

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A preocupação de Neto vai além. Ele explica que, uma empresa ao deixar o PIM tira a garantia da manutenção de empregos e arrecadação de impostos. “Se acham que são poucos os tributos arrecadados, com a saída de uma fábrica, não será arrecadado é nada. Todos perdem”, lamenta.

Já Marcelo Ramos (PP), que vai compor a bancada federal do Estado no ano que vem, em Brasília, observa que a mudança tributária deixa vulneráveis as empresas de concentrado do Polo Industrial, uma vez que essas fábricas perdem competitividade. “Considerando, assim, que o Amazonas tem custos logísticos extraordinários por conta da distância dos centros consumidores e da falta de infraestrutura”, ponderou.

Medida causou prejuízos

A saída da fábrica da PepsiCo já era especulada desde que um decreto assinado pelo presidente Michel Temer, em junho, reduziu a alíquota de 20% para 4% do IPI, gerando desconforto entre os empresários do setor. À época, a Federação das Indústrias calculou que as companhias de concentrados de refrigerantes teriam, em média, prejuízos de R$ 6 bilhões por ano com a redução dos incentivos.

Em nota enviada à reportagem, a PepsiCo diz que tomou a decisão de fechar a unidade em Manaus com o objetivo de administrar eficientemente as operações em todo o Brasil. A empresa, porém, não se manifestou sobre a motivação da saída do PIM, se vai abrir uma nova unidade em outra cidade.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, atribui à saída da Pepsi da Zona Franca de Manaus (ZFM) à redução de incentivos assinada pelo atual presidente, mas disse acreditar que, por enquanto, outras empresas do setor não tomarão a mesma decisão.

“Nós, da Federação da Indústria, ainda não fomos comunicados oficialmente, e por enquanto não passa de especulação. Na segunda-feira nós vamos em busca disso. Mas assim, isso tudo é por causa daquela medida assinada pelo presidente para reduzir a alíquota. A gente luta tanto aqui e vem esse decreto”, disse.

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