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Saída de camelôs revela estrutura precária das calçadas do Centro para pedestres e cadeirantes

Apesar das mudanças positivas, muitos obstáculos ainda atravessam o caminho de quem anda no Centro, especialmente portadores de algum tipo de deficiência 25/11/2014 às 12:33
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Para a estudante de Psicologia Luiza Helany, que é cadeirante há 33 anos, faltam rampas de acesso a cadeirantes e sobram obstáculos nas calçadas do Centro
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Com a transferência dos ex-camelôs para as galerias populares, as calçadas do Centro foram “liberadas” para os pedestres. Apesar das mudanças positivas, muitos obstáculos ainda atravessam o caminho de quem anda no Centro, especialmente portadores de algum tipo de deficiência. Essas dificuldades são sentidas diariamente pela acadêmica de Psicologia Luiza Helany Ferreira Souza, 61, para quem caminhar nas calçadas é um desafio.

Portadora de problemas auditivos e cadeirante, Luiza usa um caderno para se comunicar com as pessoas que não entendem a lingragem de libras. E é o caderno que ela usa para reclamar da falta de acessibilidade no Centro de Manaus: “Me arrisco muito no trânsito devido às calçadas serem desniveladas. O centro histórico necessita urgentemente de reparos. Como cadeirante, torna-se quase inviável minha locomoção. Tiraram os camelôs, mas esqueceram de preparar as calçadas para nos receber”, desabafou.

Luiza estava na rua Marechal Deodoro, em uma cadeira de rodas que, apesar de ser motorizada, não é párea para tantos obstáculos, de buracos e calçadas quebradas, falta de rampas e passagens obstruídas à falta de respeito e de paciência. Enquanto fazia o trajeto de volta para casa, na Praça 14, Zona Sul, ela contou sobre os perigos que corre diariamente para frequentar a faculdade de Psicologia. Cadeirante há 33 anos, Luíza voltou a estudar e, por isso, passou a ser uma frequentadora assídua do Centro. “As pessoas não dão oportunidade para pessoas como nós passarem nas calçadas. As lojas também não têm rampas. Se pedimos ajuda aos vendedores, eles ficam aborrecidos. É muito dífícil”, desabafa.

Ocupação

Outro obstáculo no caminho dos pedestres, sejam eles cadeirantes ou não, é a ocupação das calçadas por vendedores ambulantes e por lojas, que usam o espaço público para expor produtos, na tentativa de atrair mais clientes.

Na rua Marechal Deodoro, por exemplo, um estabelecimento comercial alojava cabides de roupas na calçada, causando a obstrução da passagem. Ao notarem a presença da reportagem, dois vendedores retiraram os produtos e os colocaram dentro da loja.

Em outro caso, dessa vez na avenida Epaminondas, três barracas vendiam frutas e verduras próximo ao Terminal da Matriz. A área vem sendo alvo constante de fiscalizações da prefeitura. A Secretaria Municipal Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab) prometeu continuar as vistorias e apreensões até o fim do ano.

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