Publicidade
Manaus
URBANIZAÇÃO

Saneamento de água em Manaus é marcado por investimentos desde o século XIX

Estação D'Água da Cachoeira Grande foi a obra com maior investimento do Brasil Imperial na região Norte 24/10/2018 às 15:34
Show saneamento 30d08c15 7ad5 4c28 97ef 4bcf06d83f14
Foto: Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

Na rica história de Manaus, o saneamento de água na cidade foi protagonista desde a época imperial, com a realização, por Dom Pedro 2, de uma obra que foi considerada a de maior investimento feita na região Norte do País naquele tempo: a Estação D´Água da Cachoeira Grande.

Hoje, o prédio é totalmente desconhecido da população e está em ruínas e cercado de palafitas, mas ainda existe na rua da Cachoeira, no bairro de São Jorge.

Imponente na Manaus Imperial, a Estação D´Água da Cachoeira Grande foi inaugurada em 1888 e tinha até uma represa de quase 105 metros de comprimento, onde desaguavam por lá vários igarapés, incluindo o do Mindu e dos Franceses.

De acordo com o médico Alfredo Loureiro, no texto “História em Ruínas”, da revista Empório Cult, quem projetou a estação foi o engenheiro Lauro Batista Bittencourt. “A água era cristalina e potável. Na época, Manaus tinha a necessidade apenas de 500 mil litros diários”, destaca.

Apesar disso, estudos apontavam que as águas do igarapé da Cachoeira Grande tinham um volume considerável, com uma média de 80 milhões de litros diários de vazão.

No relatório de 1883 (ano de início da construção da estação), do então presidente da província, José Lustosa da Cunha Paranaguá, as características descritas eram que a água era “límpida, tem uma temperatura média de 24º centígrados, sabor agradável, dissolve bem o sabão, cose os legumes e não apresenta vestígios sensíveis de matérias orgânicas ou terrosas em dissolução”.

Conforme as explicações de Loureiro, o local da estação era pouco considerável uma queda d´água. Por esse motivo, foi preciso elevar o prédio a uma altura onde se projetou a construção de uma represa com 104,30 metros de comprimento, 3,50 na maior espessura e 3,80 metros na maior altura, em alvenaria de pedra e cimento.

No livro “História do Saneamento de Manaus”, pesquisa e texto de Regina Melo e produção da antiga Cosama (1991), descreve que Bittencourt “prevê que as águas do igarapé terão que mover duas turbinas Fourneyron, que transmitirão o movimento a duas bombas de duplo efeito”. No documento, há várias outras curiosidades como a história que José Paranaguá encomendou de fabricantes na Inglaterra tanto o reservatório, quanto aquedutos, turbinas, encanamentos, bombas, engrenagens, bicas e fontes.

Outro fato curioso é que, quando a Estação D´Água da Cachoeira Grande começou a funcionar, foram colocadas 33 bicas provisórias em vários locais da cidade, suprindo com água encanada do asilo, da Santa Casa de Misericórdia, do Quartel do 3º. Batalhão de Artilharia, do Quartel da Polícia, do Palácio da Presidência e do Instituto Amazonense. “Em 1889, a população começa a se beneficiar do serviço de distribuição de água. Diferentes ruas e praças passam a ter torneiras provisórias, por meio das quais o povo faz uso desse abastecimento”, conta a autora Regina Melo.

A prestação dos serviços da Estação D´Água da Cachoeira Grande foi feita pela Manaós Railway Company, numa concessão que durou 27 anos.

Nova história

Passados 130 anos da inauguração do prédio da Estação D´Água da Cachoeira Grande, o saneamento de água em Manaus se prepara para uma nova história. Com a aquisição, em julho, da Manaus Ambiental pela Aegea, maior empresa do setor privado de saneamento do Brasil, o diretor-presidente da empresa, Renato Medicis, afirmou que, somente este ano, os investimentos seguem com a construção de mais de 40 quilômetros de novas redes coletoras e ampliação de estações de tratamento de esgoto.

A Manaus Ambiental entregou ainda, neste segundo semestre de 2018, a Estação de Tratamento de Esgoto Timbiras – ETE Timbiras, na Zona Norte. “No local, serão tratados 230 litros de esgoto, a cada segundo, naquela que já é considerada uma das maiores estações da região Norte”, revela Medicis.

Para os próximos cinco anos, a concessionária já apresentou um plano de execução que mostra Manaus, até 2030, com 80% do esgoto coletado e tratado. Para isso, os investimentos são da ordem de R$ 880 milhões na ampliação dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto da capital, para os próximos cinco anos.

Publicidade
Publicidade