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'São celas chamadas de motel ou visita íntima', afirma Coronel Louismar Bonates, titular da Seap

As 25 'celas de luxo' foram autorizadas pela Justiça, afirma o titular da Seap. Vistoria da SSP-AM e do Exército encontrou no Compaj, além das celas reformadas, armas brancas, videogame, narguilé e whiskey 12 anos 30/07/2015 às 08:53
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“Precisamos dar um mínimo de dignidade humana para a pessoa que está lá cumprindo pena por um fato ilícito", destacou o Coronel Louismar Bonates.
Kamyla Gomes Manaus (AM)

“Nós temos 25 celas com uma melhoria devidamente autorizada pelo Juiz da Vara de Execuções Penais(VEP). Ele tem conhecimento e determinou”, afirmou o titular da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Coronel Louismar Bonates, durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira (29), para falar sobre a vistoria realizada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e pelo Exército Brasileiro no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Dentre as "celas de luxo", está também a do narcotraficante "Zé Roberto da Compensa’’. Em diversas celas foram encontradas camas de casal, diversos alimentos, ventiladores, armas brancas, televisores e freezers.


Suíte do narcotraficante 'Zé Roberto da Compensa'. Foto: Divulgação

“São celas chamadas de motel ou visita íntima. Nós temos também não é frigobar e sim freezers, em todas as alas, e também determinado pelo juiz, porque nesse clima em um sistema super lotado e a pessoa tomar água de torneira, não tem quem aguente”, destacou.

“Precisamos dar um mínimo de dignidade humana para a pessoa que está lá cumprindo pena por um fato ilícito e tem que pagar. Não será por causa disso que serão tratados como sub-raça. Lá nós temos presos de todas as celas e pegaram só a do Zé Roberto. Tem outros partilhando das celas em que a melhoria é azulejo. Estamos com problema de doença pele nos presídios por conta da umidade e estamos buscando alguma algo que seja mais barato do que cerâmica pra colocar em todas elas”, relatou o coronel.

Entre as apreensões no Compaj estão desde armas brancas até um videogame, além de bebidas alcoólicas, narguilé, drogas e diversos celulares. Há também estoques (espécie de faca caseira) de todos os tipos.  Além de estiletes, tesouras e navalhas, entre as apreensões estão barras de ferro de diversos tamanhos e até ferramentas de jardinagem.


Materiais apreendidos durante a revista desta manhã. Foto: Evandro Seixas

“Iremos apurar tudo isso e punir quem deixou diversos materiais entrarem. Quando equipamentos que não deveriam estar lá dentro (entram), são responsabilizados por uma multa. Tem multa que já chegou a R$2 milhões, por um evento, morte ou coisas que achamos irregular, além da demissão de quando localizamos um funcionário que facilita”, afirmou Bonates.

Bonates disse também que os detentos não perderam o direito a comunicação e sim perderam o direito de ir e vir, devido a diversos televisores no local.

“Todas as celas tem televisão e ventilador, não tem restrição quanto a isso. Eu não vou deixar entrar 10 televisões, porque não tem espaço. Ventilador é por necessidade e é obrigado. Eles não perderam o direito a comunicação com o mundo exterior e sim outros direitos. Não tem regalias e todos são tratados da mesma maneira. Não importa se é socialite, se é considerado o dono do crime. Se um respeita o outro a mais lá dentro, o problema não é nosso”, afirmou

Morte nos presídios

Quanto aos ex detentos Winchester Uchôa Cardoso, de 35 anos, conhecido como "Chester", Aldemir Picanço de Oliveira, de 38 anos, conhecido como "Deco", e Hudson de Souza Lopes, todos decapitados em menos de um mês no sistema prisional, o coronel disse que as investigações estão em andamento.

“Nós temos dois tipos de ações. A primeira é pela secretaria. O preso que assumiu a morte são sancionados com trinta dias de isolamento. Pois, apuramos e fazemos todo o processo para saber se houve facilitação. A outra ação é da Delegacia de Homicídios”, finalizou.

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