Sábado, 25 de Maio de 2019
DIA DO MECÂNICO

Problemas causados por buracos são os que mais ‘dão trabalho’ a mecânicos em Manaus

Se, por um lado, os buracos trazem tormento aos motoristas, por outro, eles dão (e muito) serviços aos mecânicos da capital



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Luiz Benedito, do bairro do Alvorada, na Zona Centro-Oeste, trabalha há mais de 30 anos como mecânico. Fotos: Winnetou Almeida
21/12/2017 às 07:36

Nas ruas esburacadas e maltratadas de Manaus eles são essenciais para o reparo e manutenção de veículos prejudicados, consertando o prejuízo causado pelas “crateras” e defeitos ocasionais. Nessa quarta-feira (20), foi o Dia do Mecânico, e o Portal A Crítica foi saber o que representa para eles estar o dia todo com a mão na massa e na graxa para deixar os clientes alegres e, principalmente, aliviados.

Na oficina da rua Abílio Alencar, antiga nº 4, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste, o experiente mecânico paraense Luiz Benedito de Oliveira Souza, 55, trabalha diariamente com a ajuda de mais dois irmãos. O espaço não é grande e sempre fica lotado de veículos. Ter as mãos sujas de graxa é uma coisa comum para ele há mais de 3 décadas.

Ele, que iniciou em Alenquer (PA), conta que a função é “meio complicada, mas que dá para levar vendo os carros, trocando peças”. Por dia ele recebe uma média de cinco clientes que geralmente vem para solucionar problemas ocasionados pelos buracos das ruas e avenidas. “As pessoas vêm mais para trocar a suspensão por conta da buraqueira. Isso vai desgastando a borracha e o pivô da peça. É um problema para o motorista, mas para nós é o nosso serviço”, ressalta o mecânico.

A maior parte da sua clientela é formada por taxistas. Os clientes não chegam chateados, diz Luiz Benedito, mas problemas como aquecimento do motor tiram a paciência dos condutores de veículos. Um dos casos mais curiosos resolvidos por seu Benedito foi quando ele demorou uma semana para consertar um carro que veio de outra oficina. “Passei uma semana ‘penando’ pra resolver, e o problema era comando de válvula. O cliente ficou chateado com o outro mecânico”, relembra ele, que é casado, tem uma filha, mas que não vai deixar herdeiros na profissão. Por falar em família, ele conta que sua renda mensal na oficina é de aproximadamente R$ 3 mil.

O mecânico Luiz Benedito tem clientes cativos que não vão em outra oficina. É o caso de José Airton, 52, que cruza a cidade, da Colônia Terra Nova, na Zona Norte, ao Alvorada quando precisa de algum reparo em seu Gol "cara chata”. “Conheço o seu Luiz há mais de 40 anos. Ele já faz parte da nossa família. Vim dar um abraço nele”, conta ele, que veio consertar a parte elétrica (cabo de vela), mas que também tem despesas ocasionadas pelos buracos da capital.

“A má qualidade do asfalto de Manaus nos dá prejuízos: a suspensão do meu carro está toda ‘lascada’. O problema dos buracos é super grave e que antes não existia. Dependemos e de vez em quando precisamos dos mecânicos. Consertar suspensão, aro empenado, amortecedor e pneu furado me dão prejuízo de cerca de R$ 500 a 600 a cada seis meses”, contou. 

Oficinas mecânicas no Parque Dez

Na rua 18 do bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, estão localizadas as oficinas de Raimundo Nonato Ribeiro, 40, e do eletricista/mecânico Sérgio dos Santos, 38. Ribeiro, que tem 20 anos de experiência e nasceu em Carauari (município distante 788km de Manaus em linha reta), começou como ajudante até se aprimorar como mecânico.

“Trabalho com mais uma pessoa. A vida de mecânico é ótima, um pouco estressante. Muitas pessoas vêm em busca de conserto para problemas de suspensão e amortecedor ocasionados pelos buracos. Os clientes também se estressam quando não encontram peças de reposição”, disse.

Há 22 anos na profissão, Sérgio dos Santos, da Auto Elétrica Sérgio, diz que a parceria com os mecânicos sempre dá certo “pois um ‘puxa’ serviço para o outro, uma coisa combina com a outra”. Hoje em dia, diz o especialista, os problemas são mais elétricos, ao contrário de antigamente com os carros mecânicos de carburadores. “Estou antenado em torno de 50% a 60% das informações e tudo o que eu tenho foi graças ao meu trabalho”, pontua ele.

Prejuízos de até R$ 1 mil com buracos

O mecânico industrial Arley João F. Miranda, 45, trabalhou durante quase 19 anos com reparos e manutenção pela Petrobras na bacia de Urucu, em Coari (município distante 363km de Manaus), em turbinas de avião e compressores alternativos, e, nessa quarta-feira (20), estava na oficina do Parque Dez buscando uma supervisão para o compressor do seu carro Corsa Classic.

“O ar-condicionado não está funcionando muito bem e eu vim aqui procurar um especialista”, comentou ele, que aproveitou para criticar a qualidade do asfalto da capital: “A qualidade da pista é muito ruim em Manaus, há muitos buracos e de vez em quando estou trocando amortecedor, suspensão e aro, que amassa; gasto cerca de 1 mil a cada quatro meses para trocar essas peças, sem contar mão de obra”, conta.

Custos de até R$ 30 nos reparos

De R$ 20 a R$ 30 é o valor para reparo de vela ou pastilha, os serviços mais baratos, em média, nas oficinas da cidade. O mais caro envolve soluções para o motor: cerca de R$ 700.


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