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Sargento que comandava ação na qual deixou adolescente paraplégico responde por crimes

Adolescente foi baleado na coluna durante abordagem policial na tarde do último domingo. Sargento que comandava a operação responde por roubo e agressão, segundo informações da Polícia Militar 15/01/2015 às 10:17
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Segundo a PM, os envolvidos são o soldado David Barroso, que atirou, e o comandante da operação, sargento Sefair Souza (foto)
Mariana Lima Manaus (AM)

ASSISTA AO VÍDEO

O soldado da Polícia Militar David Lima Barroso foi o responsável por efetuar o disparo que acertou a coluna de um adolescente de 17 anos, na tarde do último domingo, durante uma abordagem policial no bairro Coroado, Zona Leste. O crime ocorreu na presença do sargento Sefair Castro de Souza, que comandava a operação. Sefair já responde por outros dois crimes: roubo e agressão durante abordagem policial. As informações são da Polícia Militar.

Conforme consta no registro do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), informado pela assessoria de imprensa da Polícia Militar, David Barroso e Sefair Castro faziam o patrulhamento na área quando foram recebidos com tiros. Os dois policiais são lotados na 25ª Cicom, responsável pelo patrulhamento do bairro Armando Mendes. No registro, consta o soldado David Barroso como o responsável por efetuar os disparos.

No site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), constam dois processos envolvendo o sargento responsável pela operação, Sefair Castro. No último, em junho de 2013, o sargento é acusado de espancar, humilhar e ferir um motorista de caminhão durante uma ação policial.

Agressão

Conforme consta nos autos, Sefair teria sido chamado, por meio do 190, para atender um suposto assalto com reféns em uma empresa de transporte de cargas pesadas, no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus. No local, foi detectado que Marlio Marques, ex-motorista da empresa, discutiu com os proprietários do estabelecimento devido a questões trabalhistas não pagas.

Marlio registrou a ocorrência na Corregedoria alegando ter sido espancado por policiais militares ao lado da empresa e em frente à 11ª Cicom. O motorista de caminhão disse que não poderia identificar os policiais que o teriam obrigado a ficar deitado com o rosto para o chão enquanto recebia pancadas, mas que temia pela vida, pois policiais tiraram fotos dele com um celular.

O motorista disse ainda, em depoimento à Corregedoria, que foi agredido e humilhado por policiais dentro de uma sala da Cicom. Em defesa, Sefair negou ter visto ou participado de qualquer tipo de agressão e afirmou que apenas encaminhou o ex-motorista de caminhão ao 11º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Roubo

Em 1995, Sefair foi acusado de roubar R$ 25 de um taxista na avenida Getúlio Vargas, Centro da cidade. O policial, à época soldado, estaria acompanhado de dois amigos e teriam coagido o taxista com um revólver.

Na ocasião, conforme consta nos autos, Sefair estava de folga da polícia e negou ter roubado o taxista. A defesa afirmou que o trio teria apenas perguntado ao taxista quanto deu a corrida e, em vez de informar o valor, o motorista teria saído do carro com as mãos para cima e gritando que estava sendo assaltado.

Os dois crimes ainda estão sendo investigados pela Justiça. Ontem A CRÍTICA tentou falar com os dois policiais, mas foi informado que estavam de folga do serviço.

PM ‘não sabe’ se câmeras funcionam

A assessoria da Polícia Militar não soube informar se as câmeras da viatura do programa Ronda no Bairro, usadas pelo soldado David Barroso e pelo sargento Sefair Castro no dia da abordagem, gravaram o momento dos disparos. O adolescente de 17 anos foi baleado nas costas e, de acordo com a família, perdeu a mobilidade dos membros inferiores.

Não consta no relatório de ação dos policiais as imagens de Ciops ou das câmeras da viatura. A assessoria de imprensa informou ainda que as câmeras das viaturas usam um chip 3G, semelhante aos utilizados em aparelhos de celular e podem não ter gravado a ação.

Em vídeos feitos por moradores, o adolescente aparece atingido no chão e reclamando de dores. Os policiais tentam evitar que moradores gravem a ação com celulares, sem sucesso.

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