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Saudade da família e dos sabores 'da terra' levaram empresária a escolher Manaus para viver

O verde do jambu, uma iguaria da culinária amazônica, é um símbolo do retorno de Necy Rafael para Manaus, após 16 anos vivendo no Nordeste 23/10/2015 às 15:08
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Uma das pioneiras no comércio da Zona Franca, a empresária Necy voltou a Manaus para ficar mais perto da família
Omar Gusmão ---

Tem certos sabores que só na Amazônia se desvelam. O jambu, com sua dormência característica, é um deles. Erva que provoca reações gustativas e sensoriais, o jambu tem a cor verde que, para Necy Rafael, 88, tem sabor de retorno à terra que escolheu para viver por duas vezes. A primeira, quando veio da Paraíba, em 1969, e aqui abriu a quinta loja do comércio da Zona Franca, a Rimex, num tempo em que as lojas importadoras eram as grandes vedetes da ZFM. A segunda, há pouco menos de um ano, quando voltou a fixar residência em Manaus, após uma temporada de 16 anos em Recife.

Foi nessa segunda vinda que o jambu se revelou um protagonista na casa de dona Necy, por intermédio da neta Adriana Lapa, que criou uma receita de rabada com jambu para participar de uma das edições do concurso Comida di Buteco. No início, dona Necy achou a receita diferente, como também achou muito diferente a Manaus que encontrou após quase duas décadas de ausência. “Tudo mudou muito. Cresceu. Não deve nada a Recife. Muito pelo contrário, aqui está melhor. Aqui, as pessoas, quando constroem alguma coisa, utilizam tudo da melhor qualidade”, avalia.

Sabor aprovado

Sobre a rabada com jambu, dona Necy não demorou a aprovar e adotar a receita, que faz uma adaptação regional da tradicional rabada, com agrião. Passou a ser a ser um dos pratos servidos em ocasiões de festa e para visitantes especiais. “No começo eu questionei: ‘mas por que rabada, um prato nordestino?’”, conta, mas depois o sabor sofisticado falou mais alto.

Nessa nova escolha de Manaus como porto seguro, a rabada com jambu serve de peça resistência para encontros e conversas agradáveis, uma especialidade de dona Necy. “Nós fomos a 5ª loja da Zona Franca de Manaus. Foi uma época muito boa. A loja era na Joaquim Sarmento. Fomos os primeiros a trazer as calças Lee e as camisas Hang Ten [grifes em alta entre os jovens da época]. Era um movimento”, recorda.

Ida e volta

O enfraquecimento do comércio na Zona Franca de Manaus fez dona Necy voltar ao Nordeste e fincar bases em Recife. Mas por aqui ficaram filhas e netos, o que acabou levando à decisão de voltar a Manaus. “Contou muito também o fato de que meu marido faleceu, faleceu a cadelinha que era nossa companheira... E eu tenho filhas, netos e bisnetos aqui. Então, decidi voltar”.

A época da importadora no Centro sempre volta à conversa. “Eu gostava de ficar no balcão. Meu marido não gostava muito disso. Mas eu venho de família de comerciantes. Adoro vender. E, no balcão, a gente tinha oportunidade de conversar com as pessoas. Hoje em dia, ninguém conversa mais. Fica todo mundo fixado no celular”, critica.

A escolha por Manaus em duas fases diferentes da vida tem se mostrado acertada para dona Necy Rafael. “Eu gosto muito de Manaus. O único problema é que é muito calor. Mas o povo de Manaus é muito hospitaleiro, muito receptivo”, elogia.

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