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Saúde em risco: As ameaças da sujeira invisível

Bactérias estão presentes em bolsas, cremes de mão e celulares 22/06/2013 às 12:12
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As bolsas, especialmente as femininas, carregam uma variedade de objetos pessoais, muitas vezes sem o cuidado ideal com a higiene, e escondem bactérias
Jaíze Alencar Manaus (AM)

Com a vida cada vez mais corrida, muita gente costuma “carregar a casa” dentro da bolsa, e não apenas as mulheres, mas muitos homens também têm essa prática. São pessoas que saem de manhã para trabalhar e só retornam para casa à noite, após um dia intenso de trabalho, estudo, atividades físicas, enfim, uma infinidade de afazeres.

Para estarem prepararadas para essa rotina corrida há quem leve desde lanches até itens de higiene pessoal nas bolsas, em meio a documentos, canetas, celulares, escova de cabelo, ou seja, um verdadeiro “arsenal” de sobrevivência diária.

Mas a bolsa, um dos itens mais utilizados pelas mulheres e, ainda, pelos homens, também carrega uma quantidade absurda de bactérias. Uma pesquisa realizada pelo Technical Manager at Initial Hygiene, da Inglaterra, revelou que uma bolsa feminina, por exemplo, pode conter mais bactérias que um vaso sanitário. No mesmo nível de contaminação estão os cremes para as mãos, produtos que se tornaram indispensáveis no dia-a-dia e que lideram o ranking dos mais “perigosos”, segundo a pesquisa.


Para quem costuma levar “tudo e mais um pouco” dentro da bolsa, o infectologista Simão Pecher faz um alerta: “É preciso ter o cuidado de verificar se os alimentos estão adequadamente embalados, caso contrário podem gerar fungos e muitos problemas de saúde”, orienta.

A escova de dentes é um dos objetos que muita gente carrega diariamente na bolsa e merece atenção redobrada, alerta Pecher, pois é alvo frequente de microorganismos e pode ocasionar problemas na gengiva e em outros órgãos, já que a boca é uma “porta de entrada” de problemas de saúde. O médico orienta a guardá-la dentro de uma capa própria, para não haver contato com outros itens soltos dentro da bolsa. Outra sugestão é ter um estojo para guardar apenas objetos de higiene pessoal.

Risco variável

Pecher explica que algumas pessoas têm mais facilidade para desenvolver doenças, e a maioria desses objetos muito manuseados e compartilhados carrega colônias de bactérias que podem ser prejudiciais ao organismo. Quando ingeridos, podem ocasionar náuseas, vômitos, diarreia e mal estar. Em outras situações, podem provocar alergias respiratórias, como rinites e sinusites, e conjuntivites. Essas inflamações também podem ser ocasionadas por fungos, vírus e outros microorganismos. Existem infecções por bactérias que podem até matar como o clostridium Botulinum, que causa botulismo (uma forma de intoxicação alimentar).

Como a maioria das pessoas não tem o costume de limpar as bolsas após o contato com superfícies contaminadas, o risco de transferência de germes é muito alto, inclusive de uma pessoa para outra.

Calor e alta umidade são agravantes

O clima tropical da região Amazônica, com altas temperaturas e umidade do ar elevada, facilita a alta concentração e a proliferação de fungos, bactérias e vírus, principalmente em ambientes fechados. Daí a importância de os cuidados com a higienização dos objetos pessoais serem redobrados, alerta o infectologista Simão Pecher.

Ele, que resolveu pesquisar sobre a incidência de fungos anemófilos (fungos do ar) em toda a fronteira entre Brasil e Colômbia, até chegar a Manaus, percebeu que a incidência destes fungos é dez vezes maior aqui do que em outras regiões do País, devido as condições climáticas. “Os ambientes fechados, com pouca ou nenhuma ventilação, propiciam tanto a alta concentração destes fungos quanto a proliferação deles”, disse, ao reforçar a importância da limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado.

Orientações para evitar contaminação

- O especialista em doenças infecciosas Simão Pecher orientou as pessoas a lavar sempre as mãos.

- Quando não for possível lavar as mãos com água corrente, ele orienta a limpá-las regularmente com lenços bactericidas ou álcool em gel, evitando assim a contaminação e transmissão de bactérias.

- Além disso, Pecher alerta para a importância de fazer, com frequência, a higienização dos objetos pessoais usados diariamente, especialmente os de higiene pessoal e da própria bolsa.

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