Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
FORÇA-TAREFA

Saúde em vigilância e pronta para casos de coronavírus no AM

Comitê de Emergência da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) é ampliado para casos de necessidade; Brasil registrou apenas casos suspeitos até o momento



corona1_9A959C9E-0CFC-4F02-90A3-539E87E5A086.JPG Foto: Divulgação
17/02/2020 às 09:19

imulações de atendimento de casos suspeitos de coronavírus no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e no Porto de Manaus, reuniões semanais e videoconferência para os 62 municípios do Amazonas para tratar sobre manejo clínico e vigilância direcionado aos profissionais da saúde. Essas são partes das atividades programadas para este mês pelo Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios, com ênfase no novo coronavírus (o Covid-19). 

O Comitê foi ativado no fim de janeiro para reunir autoridades de saúde e de órgãos estratégicos com o objetivo de traçar ações preventivas de combate a uma provável entrada e surto do novo vírus no Amazonas. Na semana passada, o Comitê incluiu outros órgãos fora da área de saúde, como os Ministérios Públicos Estadual e Federal, Tribunal de Contas, Defesa Civil, Forças Armadas, Amazonastur, as secretarias de Educação, Casa Civil e Casa Militar, entre outros setores. A ampliação foi feita para fortalecer as eventuais estratégias encaminhadas e garantir a execução da força-tarefa caso haja necessidade.



Na quarta-feira passada, o Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios enviou para o Ministério da Saúde o Plano de Contingência Estadual para Infecção Humano pelo novo coronavírus. 

A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto, destacou que o plano de contingência especifica as ações dividida por área de atuação. “Nesta fase, estamos realizando treinamento em vigilância epidemiológica para profissionais de saúde que atuam nas unidades de média complexidade de Serviço de Pronto Atendimento (SPA) e Unidade Pronta Atendimento (UPA), para que todos estejam sensíveis para notificação imediata dos casos suspeitos por síndrome respiratória aguda grave, que está ocorrendo, e desta forma também para o Covid-19”, disse. 

Rosemary explicou que o plano será atualizado conforme os níveis de emergência. “Esses níveis são definidos pelo Governo Federal e seguidos pelos Estados, portanto, o País inteiro segue o mesmo alinhamento internacional para o enfrentamento de uma possível epidemia”, salientou.

Possíveis cenários

O Plano de Contingência traça três possíveis cenários em que o coronavírus poderia entrar no Amazonas. O primeiro deles seria por meio do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes com o desembarque de pessoas vindas de áreas de transmissão ativa do vírus. 

Segundo o médico infectologista, Marcus Guerra, diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), essa possibilidade pode ser considerada remota. “Não temos voo direto para a China e os aeroportos do mundo inteiro estão em alerta. Para alguém doente embarcar em Manaus teria que passar primeiro por Miami, nos Estados Unidos, ou pelos aeroportos internacionais de São Paulo e Rio de Janeiro”, analisou.

Outro possível cenário seria através da circulação de pessoas doentes vindas das fronteiras internacionais da região do Alto Solimões (Letícia Colombiana, Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte) e em Roraima (Lethem Guianense, na Guiana Inglesa, Boa Vista e Presidente Figueiredo), utilizando a via terrestre, fluvial ou aérea.

E, por fim, o cenário que mais tem deixado as autoridades de saúde atentas: o Covid-19 entrar na região por meio de navios no Porto Internacional de Manaus e em outros portos de embarque e desembarque de mercadorias do Polo Industrial de Manaus (PIM). Está incluso nesta lista também o Porto Graneleiro de Itacoatiara, por onde são escoadas as produções agrícolas procedentes da região Centro-Oeste e carreadas pela hidrovia do rio Madeira.

No Brasil

O número de casos suspeitos de infecção por coronavírus no Brasil caiu para três, informou o Ministério da Saúde. Segundo o balanço mais recente da pasta, divulgado às 12h de ontem, dois pacientes em São Paulo e um no Rio Grande do Sul estão sendo monitorados. O número de suspeitas descartadas subiu para 45. O total não mudou em relação ao boletim de sábado. 

De sexta-feira para sábado, um caso suspeito do Covid-19 no Paraná e outro no Rio Grande do Sul foram descartados. Mas um caso começou a ser investigado em São Paulo. No total, há três suspeitas no País da doença que tem se espalhado pelo mundo. 

E entre os 45 casos do novo coronavírus descartados no Brasil, o Estado de São Paulo liderava com 20 pacientes analisados. Em seguida, estavam Rio Grande do Sul, com nove suspeitas, Rio de Janeiro, com cinco casos suspeitos, Santa Catarina, com quatro, Paraná, com três, Minas Gerais, com dois, e Distrito Federal e Ceará, com um caso cada.

FVS-AM não registra casos no Estado

Atualmente, não há casos suspeitos de coronavírus no Amazonas, de acordo com a 6ª edição do Boletim  Epidemiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave no Amazonas, divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Segundo o boletim, foram notificados, até o momento, 170 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). 

Destes casos notificados pela FVS-AM, foram confirmados 38 casos por vírus respiratórios, sendo identificados 15 casos provocados por Adenovírus, 14 casos de Influenza B, quatro para Vírus Sincicial Respiratório (VRS), dois para Metapneumovírus, dois por Influenza A (H1N1) e um para Parainfluenza 1. 

A FVS-AM informou também que, no total, foram registrados, a partir de novembro, 23 mortes por SRAG. Desses óbitos, nove foram por vírus respiratórios e 14 por outras síndromes respiratórias não virais. Das nove mortes por vírus respiratórios, todos os pacientes eram residentes de Manaus. As causas foram: três por Influenza B, quatro por Adenovírus, um por Vírus Sincicial Respiratório (VRS) e um Metapenumovírus.

Ainda em relação aos óbitos, 77% apresentam pelo menos um fator de risco respiratório, com 71% respectivamente em pacientes idosos, cardiovasculares ou com diabetes, 42% pneumopatas e 14% em crianças de 1 a 4 anos.

 

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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