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Saúde pública ainda é um desafio em Manaus

Para os especialistas, o problema do sistema de saúde em Manaus é que entre a Unidade Básica de Saúde (UBS) e as grandes unidades não há nenhum serviço especializado que pudesse atender o paciente e ao mesmo tempo reduzir a demanda em unidades que já estão superlotadas 05/10/2013 às 16:03
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Polo de desenvolvimento regional, unidades médicas da cidade recebem uma demanda que vem do interior e de outros estados
Florêncio Mesquita Manaus (AM)

Manaus superou grandes desafios ao longo de seus quase 343 anos de história, mas prestes de comemorar mais um aniversário, alguns temas como saúde ainda são motivo de queixas da população, principalmente, a de baixa renda que depende do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS comemorou 25 anos neste sábado, trouxe conquistas, mas ainda está longe de ser o sistema dos sonhos manauenses.

As dificuldades nesta área surgem sempre no plural. Manaus tem três grandes hospitais e pronto-socorros administrados pelo Estado, para um universo de habitantes 1.982.179 habitantes. Aproximadamente 30% da população têm plano de saúde particular, mas quando sofre acidentes ou outra situação de emergência na rua, por exemplo, é atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e acaba dividindo lado a lado os leitos ou macas em corredores com quem tem como opção apenas o SUS.

Se os hospitais 28 de Agosto, Platão Araújo e João Lúcio ficam lotados com uma demanda de pacientes que não para de aumentar, filas nas calçadas das unidades básicas de saúde de Manaus ainda são uma realidade presente na vida de quem precisa marcar apenas uma consulta. Outros precisam se deslocar de onde moram para outros bairros porque não contam com assistência no local de origem.

A comerciante Lóia Lima mora no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, onde há quase quatro anos a construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) Gebes Medeiros se arrasta sem uma solução definitiva. A exemplo da comerciante, quem precisa de atendimento no bairro tem de procurar o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, na avenida Grande Circular. A obra da unidade deve ser entregue em dezembro deste, conforme estimativa da prefeitura.

Até o ano passado, existiam 166 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) na capital amazonense. A ex-gestão anunciou a construção de 107 novas UBSFs, também chamadas de “Casonas” da saúde, para este ano. Todas terão o modelo ampliado de 130 metros quadrados. Havia também um projeto de ampliação de 160 Unidades Básicas de Saúde (UBS), conhecidas como “Casinhas” para o modelo “Casona”. Desde total, 70 estão localizadas na Zona Norte, 50 na Zona Leste, outras 30 na Zona Oeste e 10 na Zona Sul. As casinhas foram construídas com apenas 32 metros quadrados que limitavam o atendimento aos pacientes.

A atual gestão da Secretaria Municipal de Saúde (Sema) informou que serão construídas 40 UBSF, outras 45 serão reformadas e 28 serão ampliadas com R$ 85,5 milhões que Manaus vai receber do Governo Federal. Os recursos são referentes ao programa de Requalificação das UBSs, do Ministério da Saúde.

População enfrenta falta de estrutura em corredores

Quem consegue atendimento nos grandes hospitais se depara com velhas dificuldades. No Pronto-Socorro Infantil João Lúcio, o Joãozinho, pais que levaram os filhos em busca de atendimento, há duas semanas, por exemplo, passaram à noite e madrugada com as crianças nos braços, sentados em cadeiras de plástico porque todos os 34 leitos e macas nos corredores estavam ocupados. “Ficar com a criança nos braços a noite toda numa cadeira sem nenhum conforto é muito difícil. Ao invés de ajudar, faz é piorar a recuperação porque a criança que está com soro na veia quer esticar as pernas, acorda assustada durante a madrugada e você não pode fazer nada quando ela pede ajuda”, disse Maria do Carmo Guedes, mãe de uma menina de sete anos que ficou dois dias internada com crise de asma e bronquite no Joãozinho. O mesmo ocorre na unidade para adultos, como mostrados por A CRÍTICA em várias oportunidades.

Para os especialistas, o problema do sistema de saúde em Manaus é que entre a Unidade Básica de Saúde e as grandes unidade não há nenhum serviço especializado que pudesse atender o paciente e ao mesmo tempo reduzir a demanda em unidades que jã estão superlotadas.

Mais informações na versão impressa do Jornal A Crítica deste domingo (6)

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