Publicidade
Manaus
sinal de alerta

Seap age para evitar ‘guerra’ entre facções nos presídios de Manaus

Fim do pacto nacional de paz entre o PCC e o Comando Vermelho sinaliza o risco do combate sangrento, com reflexos na capital amazonense 18/10/2016 às 19:33
Show img0006376643
Quatro presídios da capital estão sendo monitorados: UPP, Compaj, Ipat (na foto) e CDPM. Foto: Evandro Seixas/Arquivo AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

O secretário de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap), Pedro Florêncio, afirmou que, desde a semana passada, está  dialogando com os presos para evitar que mortes e rebeliões ocorram nas unidades prisionais por conta da guerra entre as duas das principais facções criminosas que comandam o crime dentro dos presídios do País, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A guerra entre o Comando Vermelho e PCC já teve reflexos em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Maranhão, no Ceará, em Rondônia e em Roraima, onde pessoas foram decapitadas e outras queimadas vivas dentro das celas. “Em Manaus, nós nos antecipamos e fomos para dentro das unidades prisionais. Não vamos esperar que o pior aconteça. Saímos na frente e estamos conseguindo manter a tranquilidade nas unidades”, disse o secretário, em entrevista para A Crítica.

Pedro Florêncio disse que foram identificados os pontos com maior tensão entre os detentos das duas facções, na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), no Complexo Prisional Antônio Jobim (Compaj), no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM). Entre as medidas tomadas, está a transferência de presos. A direção da Seap verificou ainda os presos que estavam ameaçados de morte, que foram separados dos demais.

Em Manaus, as ameaças de morte partiram dos integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN), que tem parceria firmada com o Comando Vermelho. O CV tem poucos membros no Amazonas. As mortes seriam um tipo de retaliação porque nos outros Estados, membros do PCC mataram integrantes do Comando Vermelho.

Conforme o secretário, não há numero exato de membros do PCC em Manaus porque alguns são batizados, mas não se identificam como membros por medo de serem discriminados pelos outros presos.  A estimativa é que existam mais de 100 espalhados nas quatro unidades prisionais. Segundo o secretário, integrantes do PCC e da FDN são inimigos nas ruas e, quando são presos, ficam juntos, mas a inimizade continua. Florêncio ressaltou que cabe ao Estado cuidar da integridade física de todos os presos independente de ideologia, credo, cor e raça.

“Da mesma forma que eu estava cuidando da integridade e da saúde do médico Mohamed Mustafa, preso na operação Maus Caminhos da Polícia Federal, eu estou cuidando das pessoas simples que dizem que são PCC ou do CV”, disse.

Publicidade
Publicidade