Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
RISCO DE NOVA 'GUERRA'

Seap vê perigo no retorno de João Branco para julgamento em Manaus

A vinda de um dos líderes da FDN poderá causar rebelião generalizada nas unidades prisionais da capital, diz relatório do Dipen



JO_O_BRANCO0333.jpg Foragido desde março de 2014, João Branco foi preso em fevereiro de 2016 ao tentar entrar no Brasil pelo estado de Roraima. Foto: Evandro Seixas (26/02/2016)
20/04/2017 às 22:21

A vinda do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, para o julgamento do processo do assassinato do delegado Oscar Cardoso, marcado para acontecer no próximo dia 5 de maio, poderá causar rebelião generalizada nas unidades prisionais de Manaus, conforme relatório do Departamento de Inteligência (Dipen) da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), encaminhado na última  segunda-feira para o juiz Anésio Pinheiro, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. 

As ameaças por parte de integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN) levaram a Seap solicitar que no dia do julgamento João Branco seja ouvido por meio de teleconferência do local onde se encontra detido, no presídio federal de Catanduva, no Paraná. Os internos ameaçam se rebelar caso João Branco venha para o julgamento e seja levado de volta para o presídio federal do Paraná.



De acordo com o relatório,  João Branco faz parte do alto escalão da facção  FDN e que há provas de que a ordem para o massacre do dia 1º de janeiro deste ano partiu diretamente dele. [...] chegou ao conhecimento rumores de rebelião, em todas as unidades prisionais do Estado, como forma de mostrar ‘força’ da facção, além de reivindicar a permanência do mesmo (João Branco) na capital amazonense”, diz o ofício da Seap, ao complementar dizendo que o que se busca “é a permanência do apenado fora dos limites do Estado do Amazonas”.

Ontem, o juiz Anésio Pinheiro confirmou que recebeu o relatório da Seap,  disse que abriu vistas às partes do processo e que no momento ainda não pode dar nenhum parecer informando  se vai aceitar a sugestão da  secretaria  ou se vai manter a  vinda do réu. 

O Ministério Público do Estado (MP-AM) que sempre quis ter João Branco presente no julgamento, diante do preeminente risco de rebelião, mudou de opinião e abriu mão para que a realização da instrução criminal seja por meio da videoconferência.

De acordo com o promotor do caso, Ednaldo Medeiros, a vinda de João Branco para Manaus para participar do julgamento poderá ser o estopim, segundo o relatório da inteligência, para novas rebeliões no sistema prisional de Manaus. Portanto o MP-AM opinou para que a oitiva do preso ocorra por videoconferência.

O advogado do réu, Maurício Neville, defende que João Branco deverá estar presente no seu julgamento. De acordo com ele, o interrogatório presente é importante defesa do réu. O advogado defende que a teleconferência não é aplicável ao julgamento em plenário e requer a presença física de João Branco na sessão.

 


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