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Seca: nível da água de lagos e igarapés está abaixo do normal na zona urbana de Manaus

Moradores do conjunto Acariquara, na Zona Leste da cidade, revelam que o lago, de mesmo nome, vem sofrendo as consequências da falta de chuvas 02/02/2016 às 11:14
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Segundo especialistas, as espécies aquáticas são as mais prejudicadas pela seca
Hellen Miranda Manaus (AM)

Com as chuvas cada vez mais escassas na região, não só as bacias dos rios foram afetadas: áreas no meio urbano, como igarapés e lagos, são outros pontos afetados pela diminuição do nível de água desses locais. Moradores do conjunto Acariquara, localizado bairro Coroado 3, Zona Leste, revelam que o lago, de mesmo nome, vem sofrendo as consequências da falta de chuvas.

“Moro há muitos anos  aqui e confesso que nunca  vi uma seca como essa. A lagoa cheia é linda porque abriga vários tipo de animais. Com a seca quase não tem comida para eles, como os jacarés, então, sempre que posso, venho olhar e alimentá-los”, conta o aposentado Aguinaldo Veloso, 82, morador há 35 anos. O local também possui trilhas utilizadas pelos moradores, além de centenas de árvores e outros animais, como pacas e esquilos.

De acordo com a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Vera Silva, os animais da Amazônia estão adaptados ao ciclo de cheia e vazante, mas nesses locais específicos há espécies que são mais afetadas. “Nessas áreas tem, por exemplo, tartaruga, jacaré e peixes e os mais problemáticos e ameaçados são os anfíbios, como pererecas e sapos”, conta a pesquisadora.

‘Godzila’

O fenômeno climático El Niño é apontado pelos pesquisadores como o responsável pela redução das chuvas e clima mais seco na região. E, este ano, ele está ainda mais forte, tanto que recebeu o apelido de “Godzila”. “Esta anomalia de precipitação abaixo do normal e temperatura acima do normal observada na bacia Amazônica é decorrente do fenômeno El Niño, que é associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, de modo que altera a circulação atmosférica do globo inteiro”, explica o meteorologista Ivan Saraiva, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

De acordo com o órgão, para o mês de fevereiro ainda não ocorreram registros de precipitação. O total esperado para o mês é de 230 a 310 mm de chuva.

Área protegida

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) esclareceu que a área onde fica o lago Acariquara é de proteção ambiental e fica entre as zonas Sul e Leste do município, interligando áreas verdes de conjuntos residenciais e áreas institucionais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Inpa, Universidade Luterana do Brasil (Ubra) e Parque Municipal Lagoa Arthur Virgilio Filho (antiga Lagoa do Japiim). “O local desempenha papel fundamental na melhoria da qualidade ambiental do entorno, formado, na sua maioria, por bairros que se originaram de ocupações desordenadas”, explica a secretaria, por meio de nota.

O trabalho de preservação é desenvolvido em parceria com as instituições, principalmente Ufam, que detém a posse da maior parte do território que integra a APA. Dos 759 hectares da APA UFAM/Acariquara, pelo menos 600 hectares pertencem à universidade, o equivalente a 80%.

Área de Proteção Ambiental (APA)

É uma categoria de Unidade de Conservação com objetivos básicos de proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e uso do solo, assegurando a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Dessa forma, detém enorme potencial para servir como instrumento de ordenamento territorial, planejamento e gestão participativa, trabalhando na prática, temas como às espécies frente à mudança climática.

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