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Sede da 1ª Universidade, Escola Nilo Peçanha faz 121 anos de história no dia 30

O palacete foi construído em 1895 e em 1909 passou a sediar a Universidade Livre de Manaós; ex-alunos e atuais vão participar de comemoração na próxima sexta-feira naquela escola estadual 25/09/2016 às 05:00
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A fachada da Escola Estadual Nilo Peçanha, cujo prédio é datado de 1895. Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um prédio clássico da educação amazonense vai completar 121 anos no próximo dia 30. Localizada na avenida Joaquim Nabuco, no Centro histórico de Manaus, o prédio do que hoje é a Escola Estadual Nilo Peçanha guarda nas suas centenárias fundações boa parte da história do ensino local.

O palacete foi construído em 1895, e em 1909 passou a sediar a Universidade Livre de Manaós, sendo considerada a primeira do Amazonas e do País por unir cursos superiores das áreas de Exatas, Humanas e Saúde, e depois servindo de sede para a faculdade de Direito. O local tornou-se grupo escolar em 1934, depois da transferência da faculdade para a Praça dos Remédios.

Primeiramente, a unidade funcionou como Grupo Escolar Silvério Nery, através do ato n° 105, de 10 de outubro de 1931, e só foi reconhecida como Escola Estadual Nilo Peçanha em 25 de junho de 1989, a partir do decreto de 12.137.

Ex-alunos

Várias personalidades da política e da Justiça amazonense já estudaram no Grupo Escolar Nilo Peçanha. Entre eles, estão o ex-presidente e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), radialista Josué Filho, e o ex-presidente da seccional Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Alberto Simonetti, já falecido.

No entanto, há pessoas que nunca estudaram naquela unidade escolar, mas que até guardam com carinho as lembranças de uma época nostálgica. É o caso do desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA–AM), Jorge Chalub, 65.

Ele fez o primário na antiga escola José Paranaguá, que ficava localizada na escola de mesmo nome, também no Centro da cidade, e conta que ia sempre para a cantina do Nilo Peçanha para comer a saborosa merenda da centenária escola.

“A merenda de lá do Nilo Peçanha era melhor que a do José Paranaguá. Mas sempre a inspetora de lá, que se chamava Adelaide Mendonça, nos colocava pra correr e expulsava a gente de lá”, disse ele, que à época residia na rua Quintino Bocaiuva, onde hoje é localizado o hotel Anaconda. “O Simonetti estudava lá no Nilo Peçanha”, lembra ele, também ex-presidente na 2ª Câmara Civel e atual diretor do Fórum Henock Reis.

Destino

Por ironia do destino, a professora Maria das Graças Rodrigues dos Santos leciona, há 8 anos, na mesma escola onde foi aluna do turno vespertino.

“Fiz o primário. Aprendi muito e inclusive fui alfabetizada lá no Nilo Peçanha. Quando fui fazer meu primeiro vestibular obtive aprovação de primeira na antiga Universidade do Amazonas, que antes se chamava UA (hoje é Ufam), para Odontologia. Não concluí o curso, mas em seguida fiz para Pedagogia e passei”, recorda a mestre, que integra a comissão organizadorta da festa dos 121 anos e que está incubida de contactar com outros ex-alunos para as comemorações do próximo dia 30.

Outra ironia do destino é que ela foi professora do atual diretor do Nilo Peçanha, Joniferson Vieira, só que no Colégio Estadual Dom Pedro 2º na década de 1980 no curso profisionalizante de Patologia Clínica.

A mestre conta que é muito grande a diferença dos alunos da sua época para a atual, enfocando principalmente a importância da família na criação dos nossos jovens. “Como em qualquer instituição escolar hoje em dia os alunos vêm de famílias desestruturadas. Aqui temos casos de arrepiar os cabelos, como alunos flagrados bêbados com garrafas ou drogados, o que é muito diferente da minha época do colégio”, confirma ela, que foi colega da ex-vereadora e ex-secretária municipal de Educação Therezinha Ruiz.

Em outra análise realista, ela destaca que há uma espécie de “confusão religiosa” que confunde os alunos. “Numa mesma família há membros que frequentam, por exemplo, até quatro igrejas diferentes. A cabeça da criança fica louca”, disse Maria das Graças.

Frase

“Vamos fazer uma programação especial no dia 30 para festejar esses 121 anos reunindo ex-alunos e estudantes de hoje. Aqui procuramos fazer a ‘Família Nilo Peçanha’” (Joniferson Vieira, Diretor da E. E. Nilo Peçanha).

Em números

565

É o número de alunos matriculados na Escola Estadual Nilo Peçanha entre o 6º e o 9º anos do Ensino Fundamental nos turnos matutino e vespertino.

Joniferson Vieira, diretor Nilo Peçanha

Para falar sobre a importância do Colégio Nilo Peçanha para a Educação amazonense, Antes de mais nada precisamos fazer o resgate histórico  do prédio, que foi a primeira universidade livre do País. Passou aqui o nosso curso de Direito que foi criado aqui e depois passoi para a rua Saldanha Marinho e depois próximo à Igreja dos Remédios. Começamos com a educação básica lá dos primeiros anos do ensino fundamental, teve outras modalidades e muitas pessoas de notoriedade da nossa sociedade passaram por aqui de todos os segmentos. Dos mais comuns aos de maior notoriedade. Para nós é importante manter esse legado de contribuição.

Alunos sonham bem alto

Atuais alunos  do Nilo Peçanha, Alexssandro de Souza e  Ramersson Costa, ambos de 15 anos de idade e cursando o 9º ano, disseram que o colégio Nilo Peçanha está ajudando ambos a seguirem nos caminhos de um bom futuro.

“O colégio está me ajudando muito,  pois diretores e professores são como pais para todos nós, se preocupam conosco e querem que tenhamos um grande futuro”, disse Alexssandro, que mora na comunidade Parque São Pedro, Zona Norte, e que sonha ser policial civil.

Para Ramersson, que quer ser fisiculturista um dia, o Nilo Peçanha representa “o lugar onde estou aprendendo as coisas para mostrar à sociedade quem eu sou realmente”.

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