Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
NA PANDEMIA

Seduc-AM distribui kits de alimentação para alunos de comunidades ribeirinhas

Em Manaus as entregas são feitas através de 200 veículos e a criação de 104 postos de apoio e cerca de três mil pessoas envolvidas. Para o interior, estão sendo utilizados meios fluviais e terrestres



EUZIVALDO_QUEIROZ_2_DB558CF1-0D9E-413B-8BD6-7E7AF9CAA684.jpeg Foto: Euzivaldo Queiroz
07/06/2020 às 15:32

“Se Maomé não vai à montanha, é a montanha que vai à Maomé”. Baseado nesse famoso ditado, na última quinta-feira (4), 70 alunos de cinco comunidades ribeirinhas do bairro Puraquequara, matriculados na Escola Estadual de Tempo Integral Irmã Gabriele receberam, nas respectivas localidades onde mora, kits de alimentação escolar dentro do programa “Merenda em Casa”. 

A iniciativa, criada pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) para atender a rede da capital e interior, visa beneficiar um universo superior a 420 mil estudantes matriculados que, por conta da paralisação do ano letivo em face da pandemia do Covid-19, não estão indo para as escolas.



Em Manaus as entregas são feitas através de 200 veículos e a criação de 104 postos de apoio e cerca de três mil pessoas envolvidas.  Para o interior, estão sendo utilizados meios fluviais e terrestres. 

No caso das comunidades Igarapé da Floresta, Boa Vista, Jatuarana, Menino Jesus e Santa Luzia, do Puraquequara, o meio utilizado para a entrega foi o fluvial, a partir das lanchas que levam os mantimentos e que, em condições de ano letivo normal, são também as contratadas pela Seduc para o transporte de ida e volta dos alunos dessas cinco localidades para a escola estadual do Puraquequara.

Num caminho em meio a igarapés e ramais, A CRÍTICA acompanhou a felicidade estampada nas faces dos ribeirinhos contemplados com os kits. 

“Não nos tem faltado nada até agora, mas esse kit que estamos recebendo reforça nossa alimentação”, disse a dona de casa Cláudia da Silva Bandeira, 28 mãe de Pablo Henrique, 11, aluno do sexto ano do Ensino Fundamental – ambos moradores da comunidade Igarapé da Floresta. O menino era só felicidade, e nem queria largar tão cedo do kit formado por alimentos como feijão, arroz, enlatados e achocolatados, entre outros itens. Era como se o alimento se transformasse em brinquedo nestes tempos difíceis. “É uma ajuda, não é mesmo? Vai ajudar e muito”, diz ele, que sonha ser médico veterinário.

Foto: Euzivaldo Queiroz

Na mesma comunidade, Gustavo Henrique, de mesma idade e série escolar, recebeu o kit  ao lado da mãe Patrícia Paula Neves de Souza, 27. E vem uma constatação: sem o auxílio, a situação ficaria ainda mais complicada do que já é na área ribeirinha.

“Esse kit é importante neste período em que os alunos estão em casa estudando pela TV. A distância atrapalha e nem sempre temos por aqui produtos como açúcar e arroz”, diz a genitora. O menino não tirava os olhos do kit. “Gosto do feijão”, destaca o jovem, que vislumbra, entre as carreiras futuras, ser artista, mais precisamente um pintor.

“É bom porque nós já estávamos precisando (do alimento) mesmo. Hoje (quinta) nem tínhamos arroz em casa”, conta Leiliane Maria da Costa Maciel, mãe da aluna contemplada Letícia Stéfany, 13, da oitava série do Ensino Fundamental, e de mais um filho, Samuel, 6, que é matriculado em outra unidade escolar. “Vamos fazer um arroz com macarrão e sardinha. Para quem não tem nada, é pouco, mas já é uma ajuda”, conta a dona de casa.

Segundo o aluno Tiago Marinho, 16, do 2º ano do Ensino Médio, “essa ajuda é muito grande porque fica difícil de você ficar indo lá fora (para o Puraquequara): são mais de 1 hora de tempo de ida e volta”. Ele diz que a mãe, Valdenice Marinho da Costa, 45, “estava ansiosa pela chegada do kit merenda”. Já ela, fala que “muitas pessoas perderam o trabalho no Igarapé da Floresta com essa pandemia, e que o auxílio por meio do kit  chega em uma boa hora realmente”.

A educadora Francisca Cunha Lima, que é coordenadora do Distrito 5, da qual a escola Irmã Gabriele faz parte, disse que a ação realizada no Puraquequara é exemplo de inovação.

“Nós ficamos encantadas com essa ação tão inovadora. É o exemplo que a Secretaria consegue se reinventar de forma que atenda nossos alunos ribeirinhos. Foram cinco comunidades atendidas num quantitativo de 70 crianças. Sem esses kits seria muito complicado pois as crianças têm a escola como referencial e essa merenda é de extrema importância para eles. Esperamos por uma repercussão muito grande porque a felicidade deles é muito grande também”, disse ela, cuja coordenadoria reúne cerca de 40 mil alunos dos ensinos Medio a Fundamental.

Sem o kit, situação seria  difícil

A diretora da Escola Estadual Irmã Gabriele, Darcy Vasconcelos, disse que a iniciativa é “muito importante porque a nossa comunidade precisa e nossa escola trabalhou para que isso acontecesse”. 

Sem o kit merenda, ela fala que os alunos ficariam numa situação difícil,  pois “muitos não têm canoas e rabetas e dependem totalmente do transporte fluvial escolar”. No último Exame Nacional do Ensino Medio (Enem) a escola Irmã Gabriele efetuou a inscrição de 100% dos seus estudantes.

Quase meio milhão de  estudantes  beneficiados

De acordo com os números mais recentes, em pouco mais de um mês de trabalho, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto informa que alcançou a marca de 150 mil kits de alimentação escolar distribuídos pelo programa “Merenda em Casa” durante a pandemia do novo coronavírus em Manaus. 

Desde o último dia 27 de abril, o Governo do Estado iniciou a distribuição dos kits em Manaus. No dia 8 de maio, os kits começaram a ser enviados para os municípios do entorno.

Paralelamente, a secretaria estadual vem trabalhando na montagem de kits e embarque das cargas para os municípios das Calhas do Madeira, Baixo Solimões, Baixo Amazonas, Médio Solimões e Rio Negro. Além disso, estão sendo liberados recursos do Programa de Apoio à Gestão Escolar (Pague) para 29 cidades produzirem seus próprios kits. Ou seja, os itens serão adquiridos e montados pelo comércio local, movimentando a economia de cada município.

O “Merenda em Casa”, primeiro programa a adotar o sistema delivery durante a pandemia no País, segundo a Seduc, já alcançou mais da metade dos 220 mil alunos que serão beneficiados na capital.

Ao todo, o programa vai alcançar mais de 420 mil estudantes matriculados na rede pública de ensino do Amazonas, salienta a secretaria estadual. Somente no interior do Amazonas, segundo a Seduc,  o  programa “Merenda em Casa” atenderá a 224.084 alunos de 370 escolas da rede estadual. Enquanto isso, em Manaus, serão 221.964 estudantes de 234 unidades de ensino do Governo do Estado beneficiados, totalizando cerca de 446 mil kits com alimentação escolar.

Repórter de A Crítica

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