Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
PEDIDO DO MEC

Governo e Prefeitura não vão obrigar escolas a gravarem alunos cantando hino no AM

Prefeito Arthur Neto acrescentou nas redes sociais que mensagem do MEC "não é patriotismo", mas sim "patriotada"



seduc_07BAB0E6-A952-468B-BB33-1D1021C8B98C.JPG Foto: Reprodução
26/02/2019 às 18:33

Após carta encaminhada pelo Ministério da Educação que pede a leitura de uma mensagem e a execução do hino nacional por alunos, a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) declarou que não vai direcionar as escolas do Amazonas a gravação de estudantes em caráter obrigatório. Os vídeos também foram solicitados no comunicado assinado pelo ministro Ricardo Vélez Rodríguez como “incentivo à valorização dos símbolos nacionais”. No Twitter, o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), caracterizou o pedido como “patriotada”.

A primeira carta encaminhada pelo MEC pedia que uma mensagem fosse lida e o Hino Nacional cantado por alunos e demais integrantes das escolas no primeiro dia do ano letivo. A carta dizia o seguinte: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

Devido à repercussão do caso, o ministro Ricardo Vélez informou que encaminharia outra carta atualizada com um pedido de “cumprimento voluntário”. Nela, seria retirada a parte final que continha o slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A medida foi alvo da oposição do presidente, que prometeu ir ao STF por conta da orientação.

Em nota publicada nas redes sociais, a Seduc declarou que não iria direcionar as escolas a gravarem vídeos em caráter obrigatório. “As escolas que desejarem responder devem atentar para que seja cumprida com rigor a legislação sobre ao direito de uso de imagem de crianças e adolescentes e também de respeito à liberdade de expressão dos profissionais da educação”.

A secretaria disse ainda que “em consonância com o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), a atual gestão defende a priorização da aprendizagem ao contrário do estímulo de disputas ideológicas no ambiente escolar, que deve ser imune a qualquer tipo de ingerência político-partidária". 

A Seduc ressaltou, ainda, que não é contrária a manifestação cívica voluntária desde que não fira a autonomia de gestores das escolas e tampouco priorize bandeiras partidárias. “Além da manifestação cívica, é também a favor da livre manifestação cultural dos alunos e gestores, sempre prezando pelo respeito a individualidade e diversidade dentro das escolas”.

Arthur diz que pedido é “patriotada”

O prefeito de Manaus, Arthur Neto, chamou o pedido do MEC de “patriotada” nas redes sociais. Ele afirmou que em Manaus as crianças não serão obrigadas a ficarem perfiladas para cantarem o Nino Nacional. “Não. Isso não é patriotismo, é patriotada. Vamos manter nossas crianças focadas no ensino. Em melhorar nossa educação cada vez mais”.

Antes da retificação da carta, Neto declarou ainda que as escolas da capital não reproduziriam slogans de campanha eleitoral deste ou de qualquer outro governo. Em outra postagem, o prefeito completou: “Tampouco produziremos imagens, sem autorização dos pais, de situações onde crianças possam ser induzidas a um comportamento que não represente a sua natureza”. Arthur destacou que a mensagem era uma “interferência indevida” e que não voltaria atrás nem retroceder na política educacional.

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.