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Sem descanso em paz

Sepulturas são alvos de vândalos e furtos no cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul

Familiares denunciam vandalismo, falta de limpeza e até roubos em jazigos no cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul 27/03/2017 às 05:00
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De acordo com a Semulsp, familiares devem registrar boletim de ocorrência e reportar o caso à secretaria. Furtos são frequentes. (Fotos: Evandro Seixas)
Kelly Melo Manaus

“É um ente querido que se foi. Então queremos que esse local fique sempre arrumado, por questão de respeito mesmo”. A declaração é da bióloga Maria Araújo, 33, que no início do mês se deparou com triste no jazigo da mãe dela, falecida há dez meses, no Cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul. 

Segundo ela, vândalos entraram no cemitério e quebraram peças e objetos de decoração do túmulo, além de furtarem uma porta de alumínio e a vidraça que estava no local. Esta não seria a primeira ocorrência, apenas uma de muitas outras que vêm ocorrendo em um dos principais cemitérios da capital. 

Na opinião da bióloga, o problema tem sido recorrente porque parte  detrás do cemitério está sendo abandonado pela administração.  Além dos sinais aparentes de vandalismo, o matagal também está crescido por cima das sepulturas. 

Além do jazigo da família Penha, A CRÍTICA verificou outros túmulos e sepulturas que também foram alvos do vandalismo. 

Portas quebras, cacos de vidros espalhados pelo chão e até fotos arrancadas nas sepulturas foram vistas na parte final do cemitério. Para os familiares, os sinais de abandono e a falta de segurança não só incomodam, como também desrespeitam os direitos deles. 

“Todo mês a gente vem aqui para deixar tudo sempre arrumado e não deixar o mato crescer. Mas depois dessa situação, nós acreditamos que isso é uma falta de respeito com todo o cuidado que a gente tem. Nós investimos aqui e isso não pode ficar por isso mesmo”, opinou a bióloga. De acordo com ela, uma das possibilidades é de que os vândalos entrem no cemitério pulando os muros. 

 Porta de vidro foi quebrada  e objetos do jazigo da família Penha foram furtados do cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul.

 

Sepultura violada


A cantora Bianca Lira Falcão, 47, também tem os avós paternos, tios e primos enterrados em uma das sepultaras no São João Batista. Mas no início da semana, ela entrou em choque ao ver que o jazigo da família também foi saqueado. “Tiraram as tampas de granito, levaram o crucifixo e as argolas de bronze. Até os ossos da minha avó que estavam lá foi levado e ninguém toma uma providência”, denuncia ela, ao reclamar da falta de segurança no cemitério. 

De acordo com a cantora, esta não foi a primeira vez que algo semelhante acontece. A família dela possui outras duas sepulturas no local e no ano passado, elas também foram alvos de vandalismo. “Isso para a família é muito triste, porque a gente cuida e investe para manter o lugar sempre limpo e organizado. Isso não pode continuar assim”, pontuou. 

Cancela
Em setembro do ano passado, a administração do cemitério São João Batista passou a adotar novos mecanismo como adaptar cancelas nas duas entradas e exigir a identificação dos visitantes  para garantir a integridade física tanto dos  visitantes que frequentam o local diariamente, como zelar pelas sepulturas e construções históricas reunidas no local, reconhecidas como importante símbolo da história da cidade e tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado em 1988.

 

 Além do vandalismo frequente no local, o mato cresce entre as sepulturas que ficam principalmente na parte final do cemitério 

Semulsp diz que tem que fazer BO

A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que, como qualquer outro tipo de roubo ou furto,  esse tipo de  situação deve ser formalizada pela pessoa qualquer Distrito Integrado de Policia (DIP), por meio do registro de um boletim de ocorrência (BO).  Após esse procedimento, a pessoa pode ir até a sede da Semulsp, na Compensa, na Zona Oeste, dar entrada em um requerimento solicitando providências. Há ainda uma sede administrativa, que pode prestar o atendimento e dar orientações necessárias ao cidadão no local.

Sobre a situação do matagal que cresce entre os túmulos do cemitério São João Batista, a Semulsp disse que como em qualquer outro cemitério público, há equipes de limpeza constantemente e conta com uma equipe fixa de limpeza diária e mutirões de limpeza frequentes.

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