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Manaus
Nova Cidade

Invasores de Área Verde no Nova Cidade desafiam a polícia e permanecem no local

Retirados na última sexta, ex-invasores seguem acampados em terrenos situados às margens da av. Curaçao 12/09/2016 às 10:15 - Atualizado em 12/09/2016 às 15:12
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Parte dos ex-invasores segue acampada em terrenos de uma igreja e a outra num galpão cedido por uma empresa (Foto: Winnetou Almeida)
Silane Souza Manaus (AM)

A Polícia está fazendo rondas de fiscalização na área verde situada às margens da avenida Curaçao, no conjunto Nova Cidade, Zona Norte, para evitar que seja invadida novamente. Na última sexta-feira, o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas do Estado do Amazonas (Gipiap) realizou a retirada de um foco de invasão do local, mas parte dos ex-invasores segue acampada em terrenos situados nas proximidades do lugar. 

Eles alegam não ter para onde ir. Algumas famílias foram abrigadas num terreno de uma igreja e outras em um galpão de uma empresa. “Eu entreguei a chave do apartamento que morava de aluguel para vir morar na invasão. Investimos o que não tínhamos e agora que fomos retirados do local não temos para onde ir e nem dinheiro para pagar nada. Estou jogada ao relento com meu esposo e nossos três filhos pequenos”, disse a doméstica Patrícia Lima, 29.

Os ex-invasores ainda afirmam que a área é pública, logo, eles têm o direito de morar no espaço, visto que o governo não cria políticas de habitação social para a população que precisa de moradia. “Esse terreno é nosso. Pagamos muitos impostos e o governo não faz nada em troca. A maioria das pessoas que invadiram essa área está há anos esperando ganhar uma casa e não consegue. Isso porque quem ganha são pessoas que não tem necessidade”, declarou a autônoma Simone Ferreira.

De acordo com o coordenador da ação que retirou os invasores da área verde, Adriano Augusto, foram retiradas do local 251 edificações não habitadas, entre barracos e armações, a maioria comercializada irregularmente e com placas de identificação dos supostos proprietários. “Não tinha famílias morando lá dentro, apenas algumas pessoas guardando espaço, por isso, não foi preciso uma ordem da justiça para desocupar o lugar”, destacou. 

Surgida há aproximadamente um mês, a ocupação deixou um rastro de destruição ao longo de aproximadamente quatro hectares, com perda de vegetação, focos de queimadas e descartes de resíduos. No local, alguns ocupantes relataram aos membros do Gipiap que os terrenos estavam sendo vendidos a R$ 3 mil, em média.  Os preços, conforme os denunciantes, variavam de R$ 500 a R$ 4 mil, dependendo da localização. 

A negociação dos terrenos da área verde estaria sendo realizada por “terceiros” que não tiveram os nomes divulgados. Alguns trechos já estavam até com nomes de ruas definidos. A Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil, investiga o caso.

Frase

Simone Ferreira  - autônoma

"Esse terreno é nosso. Pagamos muitos impostos e o governo não faz nada em troca. A maioria das pessoas que invadiram essa área está há anos esperando ganhar uma casa e não consegue".

Operação durou 8h
A operação que retirou os invasores da área verde teve início às 6h de sexta-feira e durou mais de oito horas. Foram retiradas todas as armações e o entulho originado da derrubada dos barracos, bem como as ligações clandestinas de energia. Os veículos utilizados na área também foram vistoriados. A partir desta segunda-feira, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) deve começar o trabalho de reflorestamento do local.

Invasores deixaram rastro de destruição ao longo de quatro hectares (Foto: Winnetou Almeida)

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