Sábado, 29 de Fevereiro de 2020
Manaus

Sem abrigo, usuários de transporte público enfrentam sol e chuva na espera pelo ônibus

SMTU garantiu construção de 200 abrigos com um investimento de R$ 5,3 mi, mas após quase dois anos da liberação da verba, apenas 72 foram feitos



1.gif Faça chuva ou faça sol, os usuários do transporte coletivo tem que se virar nos pontos de ônibus sem abrigo e cobertura
24/02/2015 às 11:02

Diariamente, os usuários do transporte coletivo enfrentam chuva e sol na espera pelo ônibus. O problema da falta de abrigos adequados se repete em todas as Zonas da cidade. Em 2013, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) garantiu a construção de 200 espaços de concreto pré-moldado para a população com um investimento de R$ 5,3 milhões. No entanto, até hoje quase dois anos após a liberação da verba, apenas 72 construções foram finalizadas.

Enquanto no ano passado a SMTU contabilizava 3,4 mil paradas de ônibus sinalizadas apenas com placas de zinco, a promotora Neide Regina Trindade, da 13ª Promotoria de Justiça da Fazenda Pública Municipal do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de superfaturamento no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a J. Nasser Engenharia LTDA, empresa que ganhou a licitação para erguer os 200 novos pontos.



A denúncia, feita ao MP–AM é de que cada unidade estava custando aos cofres públicos aproximadamente R$ 26 mil. O inquérito se encontra no Núcleo de Poio Técnico (NAT) do ministério em uma fila para análise.

A previsão, segundo a SMTU, é de que os 128 abrigos que faltam sejam erguidos ainda esse ano em todas as Zonas da cidade. A principal dificuldade para que a obra das novas paradas sejam concluídas, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão, é a resistência de proprietários de imóveis que muitas das vezes não aceitam que o abrigo fique em frente as suas propriedades.

Usuários

Para driblar a falta de abrigo, a alternativa encontrada é ocupar as áreas privadas que possuem cobertura, mesmo quando esses espaços também são ameaças. No Coroado, Zona Leste, em uma parada da avenida Cosme Ferreira após o Complexo Viário Gilberto Mestrinho, a auxiliar de consultório Simone Melo, 39, é uma das usuárias que se abrigam em uma estrutura precária. “Faça chuva ou faça sol nós ficamos aqui. O guarda-chuva é obrigatório para sair de casa”, disse.

A aposentada Cleia Brandão, 68, também se incomoda com a ausência de um espaço adequado. Moradora do bairro Raiz, Zona Sul, também se diz insatisfeita com o que enfrenta. No bairro, segundo ela, são poucos os abrigos. “Moro aqui há 48 anos e consigo contar quantos pontos possuem cobertura e bancos, por exemplo”, disse.

Mesmo correndo risco de machucar a perna, a usuária Teresinha da Silva Barbosa, 34, se arrisca em um banco que está entre concreto e ferro. Ela e a filha moram no município de Manicoré (a 332 quilômetros em linha reta) vêm a Manaus a cada seis meses. “Nunca vi melhorar. Algumas vezes dou a sorte de pegar um ônibus novo e arrumado, mas não adianta porque a educação dos motoristas é zero”, reclama Teresinha.


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