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Sem abrigo, usuários de transporte público enfrentam sol e chuva na espera pelo ônibus

SMTU garantiu construção de 200 abrigos com um investimento de R$ 5,3 mi, mas após quase dois anos da liberação da verba, apenas 72 foram feitos 24/02/2015 às 11:02
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Faça chuva ou faça sol, os usuários do transporte coletivo tem que se virar nos pontos de ônibus sem abrigo e cobertura
LÍVIA ANSELMO Manaus (AM)

Diariamente, os usuários do transporte coletivo enfrentam chuva e sol na espera pelo ônibus. O problema da falta de abrigos adequados se repete em todas as Zonas da cidade. Em 2013, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) garantiu a construção de 200 espaços de concreto pré-moldado para a população com um investimento de R$ 5,3 milhões. No entanto, até hoje quase dois anos após a liberação da verba, apenas 72 construções foram finalizadas.

Enquanto no ano passado a SMTU contabilizava 3,4 mil paradas de ônibus sinalizadas apenas com placas de zinco, a promotora Neide Regina Trindade, da 13ª Promotoria de Justiça da Fazenda Pública Municipal do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de superfaturamento no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e a J. Nasser Engenharia LTDA, empresa que ganhou a licitação para erguer os 200 novos pontos.

A denúncia, feita ao MP–AM é de que cada unidade estava custando aos cofres públicos aproximadamente R$ 26 mil. O inquérito se encontra no Núcleo de Poio Técnico (NAT) do ministério em uma fila para análise.

A previsão, segundo a SMTU, é de que os 128 abrigos que faltam sejam erguidos ainda esse ano em todas as Zonas da cidade. A principal dificuldade para que a obra das novas paradas sejam concluídas, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão, é a resistência de proprietários de imóveis que muitas das vezes não aceitam que o abrigo fique em frente as suas propriedades.

Usuários

Para driblar a falta de abrigo, a alternativa encontrada é ocupar as áreas privadas que possuem cobertura, mesmo quando esses espaços também são ameaças. No Coroado, Zona Leste, em uma parada da avenida Cosme Ferreira após o Complexo Viário Gilberto Mestrinho, a auxiliar de consultório Simone Melo, 39, é uma das usuárias que se abrigam em uma estrutura precária. “Faça chuva ou faça sol nós ficamos aqui. O guarda-chuva é obrigatório para sair de casa”, disse.

A aposentada Cleia Brandão, 68, também se incomoda com a ausência de um espaço adequado. Moradora do bairro Raiz, Zona Sul, também se diz insatisfeita com o que enfrenta. No bairro, segundo ela, são poucos os abrigos. “Moro aqui há 48 anos e consigo contar quantos pontos possuem cobertura e bancos, por exemplo”, disse.

Mesmo correndo risco de machucar a perna, a usuária Teresinha da Silva Barbosa, 34, se arrisca em um banco que está entre concreto e ferro. Ela e a filha moram no município de Manicoré (a 332 quilômetros em linha reta) vêm a Manaus a cada seis meses. “Nunca vi melhorar. Algumas vezes dou a sorte de pegar um ônibus novo e arrumado, mas não adianta porque a educação dos motoristas é zero”, reclama Teresinha.

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