Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
SEM ESTRUTURA

Sem água encanada, moradores do Tarumã fazem cota para ter abastecimento próprio

Sem qualquer previsão real de ter o serviço que deveria ser oferecido à toda população, moradores relatam dificuldades e criaram um 'jeitinho' para não ficar sem água



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Água na torneira é raridade no local (Foto: Gilson Mello / Free Lancer)
30/01/2017 às 05:38

Moradora há 30 anos do bairro Tarumã, na Zona Oeste, a aposentada Elizabeth Gomes da Silva, 63, sonha com o dia que poderá tomar banho no chuveiro, que instalou em casa mas não consegue usar por falta de água encanada. Banho, ali, é como voltar no tempo: só de “cuia”. 

Cansada de escutar promessas vazias de políticos em campanha eleitoral, a aposentada conta que o abastecimento de água por meio de uma rede regular foi uma das metas apresentadas antes das eleições, mas tudo não passou de promessa, critica ela. A eleição aconteceu, Artur Neto se reelegeu e os moradores do Tarumã continuam sem previsão de quando terão água encanada, apesar de pagarem todos os tributos municipais, como o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). 

Desde que se mudou para o Tarumã, a rotina da família de Elizabeth é a mesma: assim como os vizinhos dela, eles precisam “dar um jeitinho” para conseguir água para atender as necessidades diárias. No passado,  Elizabeth conta que os moradores da rua Carvalho, onde ela mora, buscavam água diretamente no igarapé. Mas, com o avanço das invasões naquela região, a poluição atingiu os mananciais de água, comprometendo o abastecimento. “Então, a prefeitura criou um poço e entregou a esta área do Tarumã. Os próprios moradores fizeram uma cota e compraram uma bomba de água com algumas mangueiras para as casas da rua Carvalho. Porém só temos uma hora por dia de abastecimento da caixa d’água, depois não tem pra onde correr”, contou a aposentada.
 
Desde então, os moradores mantêm o próprio sistema de abastecimento de água, pagando R$ 20 por mês para um dos vizinhos ligar e desligar a bomba. Às vezes, quando alguma peça da bomba quebra, eles dividem o prejuízo para conseguir consertar o problema. “Quando a bomba para, precisamos descer a rua e carregar água nos baldes. Não entendo qual a dificuldade de a água encanada chegar nas nossas casas. Por isso que dizemos que o povo do Tarumã é esquecido. Os políticos só se lembram da gente quando precisam de votos, depois disso, ninguém mais volta aqui para acompanhar a nossa realidade”, disse.

Uma hora por dia

O autônomo Francisco Rossiney dos Reis, 43, também morador da rua Carvalho há 16 anos, reforçou que, mesmo com a contribuição de R$ 20 que garante a eles uma hora por dia de água nas torneiras, viver nessas condições é um sacrifício.
“A prefeitura levou a água encanada até a fábrica de asfalto tem água encanada. São pouco metros de distância até a nossa rua, mas não entendo o motivo de não conseguirmos ter água de forma digna em nossas casas. Temos escolas no bairro que passam por essa dificuldade, que é revoltante. Somos rodeados por tanta água e não há um gestor que consiga que toda a cidade seja abastecida pelo  sistema”, criticou.

Problemas vão além

Mas os problemas dos moradores do Tarumã não se limita à falta de água encanada.  Segundo eles, há problemas de segurança, falta de iluminação pública e no tranporte público.

“Sair do Tarumã é uma total dificuldade. Ônibus aqui só passa de duas em duas horas, isso quando não fica no prego. Ficamos expostos aos assaltantes e à noite a situação é pior, pois os postes de energia são todos de enfeite. Não servem pra nada. Ultimamente o tráfico de drogas tem dominado essa região e, por causa disso, a criminalidade é cada dia  mais presente”, disse o autônomo Francisco Rossiney dos Reis, 43 anos.

Por causa dessas dificuldades, a maioria dos moradores prefere se trancar em casa durante a noite.
 


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