Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
RISCO

Sem faixas de pedestres e nem calçadas, idosos e crianças se arriscam na Av. do Turismo

O caminho até a escola, a igreja, o posto de saúde ou mesmo o ponto de ônibus virou um perigoso percurso pelo asfalto, lado a lado com carros, ônibus e caminhões na Zona Oeste de Manaus



ATURISMO01.JPG Travessia perigosa na Avenida do Turismo. Foto: Winnetou Almeida
26/01/2017 às 05:00

Quem estuda, trabalha ou mora ao longo da rodovia AM-450 - antiga Avenida do Turismo - , no bairro Tarumã, Zona Oeste, precisa se expor diariamente ao risco de acidentes para sair de casa, principalmente se for a pé. Sem faixas de pedestres e, até mesmo, sem calçadas nem acostamento em longos trechos da via, o caminho até a escola, a igreja, o posto de saúde ou mesmo o ponto de ônibus virou um perigoso percurso pelo asfalto, lado a lado com carros, ônibus e caminhões.

É uma rotina arriscada que as irmãs Suzana Souza, 21, e Suelen Martins, 15, conhecem bem. Moradoras da comunidade Campos Sales, no Tarumã, elas fazem esse percurso diariamente. Na última segunda-feira, a caminhada, de quase 10 quilômetros no asfalto, foi para levar o filho de Suzana, de 3 anos, para uma consulta pediátrica no posto de saúde do bairro.

Durante a “parada” para a entrevista, fomos surpreendidos por um caminhão, que passou em alta velocidade a cerca de um metro de distância, mas Suelen, Suzana e até o filho dela pareciam não ter se assustado. “Já estamos até acostumadas a disputar espaço com os caminhões que passam aqui em alta velocidade. Mas, como não tem a mínima estrutura para o pedestre, com calçada e faixas para atravessar, por exemplo, e precisamos resolver nossos problemas diários, todos os dias somos obrigados a conviver com isso”, reclamou Suzana.

Para ela, além da falta de infraestrutura para o pedestre, que sequer conta com calçadas, muitos motoristas dirigem de forma imprudente, colocando em risco  pedestres e ciclistas. Uma ghost bike pendurada em um poste em um trecho da avenida lembra quem passa por ali do risco.

“Mesmo andando pela beira da pista, às vezes somos surpreendidas por motoristas que jogam o veículo para cima do pedestre. Como não há fiscalização, eles fazem o que bem entendem”, relatou.

Para Suelen, que é estudante, a preocupação maior é com os horários de entrada e saída da aula, uma vez que muitos estudantes costumam ir e voltar andando para a escola. “Durante a semana tem muitas crianças andando pela rua, principalmente nos horários de entrada e saída da escola”, contou.

De noite piora

E, de noite, a situação fica ainda mais complicada, segundo elas. É que, como a iluminação é precária, muitos condutores têm dificuldade de enxergar os pedestres no canto da pista. “Durante a noite ninguém inventa de sair, pois além de termos esse problema da falta da faixa de pedestre e de calçadas, à noite essa área é totalmente escura. Há os postes, mas são praticamente todos de enfeite”.

‘Ghost bike’ alerta

No dia 14 de outubro de 2015, o ciclista Patrick de Souza Silva, de 30 anos, morreu após ser atropelado por uma carreta  na avenida do Turismo, próximo à entrada da comunidade Campos Sales, no Tarumã, Zona Oeste. Conforme testemunhas, o motorista responsável pelo acidente fugiu logo após a batida. Patrick morreu no local, sem socorro.

No dia em que foi atropelado, Patrick estava indo para casa e carregava uma sacola com um pacote de fraldas. O impacto da batida fez com que a perna de Patrick fosse arrancada.

A bicicleta dele virou uma “ghost bike”: foi pintada de branca e pendurada em um poste no local do acidente pelo movimento Pedala Manaus, como forma de protesto e de alertar ciclistas e outros condutores de veículos sobre a importância do compartilhamento das vias e da direção consciente.

Suzana, Suelen e todos os moradores do Campos Sales que caminham pela avenida do Turismo passam pelo trecho quase diariamente e sempre relembram do acidente de Patrick, que assim como elas não tinha carro, por isso usava a bicicleta como meio de transporte.

Uma pesquisa da ONG Transporte Ativo,  que traçou o perfil do ciclista brasileiro em dezembro de 2015, revelou que mais de 90% dos ciclistas entrevistados em Manaus utilizam a bicicleta para trabalhar.

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