Domingo, 25 de Agosto de 2019
INVASÃO DE VIAS

Sem fiscalização, ambulantes levam prática do Centro para bairros de Manaus

Vendedores se espalham irregularmente pelos espaços públicos e criam disputa pelo espaço com pedestres. População reclama de caos provocado no trânsito e mau acondicionamento dos produtos



vende.JPG Ambulantes ocupam até uma das faixas na avenida Autaz Mirim (Foto: Aguilar Abecassis)
05/12/2016 às 15:31

Além de estarem “dominando” as calçadas no Centro de Manaus, os ambulantes, principalmente vendedores de frutas e legumes, estão se espalhando pelos espaços públicos nos demais bairros da capital. O principal problema trazido pela atividade é a disputa pelo espaço entre os pedestres e os vendedores.

Na avenida Autaz Mirim, no Jorge Teixeira, na Zona Leste, e na rua Itaetê, no Amazonino Mendes, na Zona Norte, o problema é antigo e tende a piorar com a “invasão” dos trabalhadores informais nos logradouros públicos.

No cruzamento das duas vias diversas bancas que vendem frutas como banana, mamão, melancia, além de verduras e legumes se “entrelaçam”. Elas ocupam os dois lados da via, a calçada, e algumas chegam a ocupar uma faixa inteira da avenida, o que obriga, muitas vezes, o pedestre atravessar pelo meio da rua para não ficar imprensado entre as barracas. Os carros, por sua vez, são obrigados a reduzir a velocidade para evitar um acidente.

Bancas de CDs,  perfumaria, relógios e outros segmentos também se instalam ao longo das duas avenidas, irregularmente. 

“Isso é ruim porque eles atrapalham o trânsito das pessoas e a gente fica sem ter por onde passar. Outras vezes, eles querem forçar a comprar algo que a gente não quer”, reclamou a dona de casa Josi Araújo, 50, que frequentemente passa pela área.

Outro problema apontado pelos pedestres é o mau acondicionamento dos produtos. As frutas e verduras ficam expostas no meio da rua, sem qualquer cuidado para quem vai consumir o produto. “Eu acho até perigoso comprar frutas assim porque não sabemos a origem. Então eu não compro. Prefiro ir em um supermercado”, afirmou  a mulher.

Multiplicação do caos

E o cenário se repete em outros bairros. No bairro Coroado, na Zona Leste, os ambulantes se instalam no calçamento ao lado igarapé que corta as ruas Beira-Mar e Beiro-Rio. No local, os pedestres também disputam espaço com os comerciantes.

Já na avenida Camapuã, no bairro Cidade Nova, na Zona Norte, os ambulantes se instalam nos canteiros centrais, principalmente perto dos semáforos, para facilitar o acessos aos motoristas que param no trânsito.  Na entrada para o bairro Cidade de Deus foram instaladas pelo menos três barracas no canteiro central. “A gente precisa fazer alguma coisa para trabalhar e sustentar a nossa família. Por isso viemos trabalhar aqui”, disse uma vendedora, sem se identificar.

Mais à frente, na avenida Noel Nutels, também na Cidade Nova, os ambulantes ocupam os canteiros centrais, as calçadas e até uma parada de ônibus que foi desativada, nas proximidades do Terminal de Integração 3 (T3).

Canteiros

A ocupação irregular de praças e canteiros centrais de Manaus, no entanto, não é uma exclusividade dos vendedores ambulantes.  Até mesmo comerciantes em pontos fixos se ‘apossaram’ de espaços públicos para comercializar produtos. Alguns fazem até ligações clandestinas de energia elétrica para abastecer seus “pontos”.

Na avenida Noel Nutels, Zona Norte, uma distribuidora de água mineral montou um ponto de revenda em um canteiro central e utiliza a própria calçada como depósito de garrafões cheios e vazios. Na Zona Leste, muitas calçadas são ocupadas por pontos improvisados de mototáxis, que montam barracas para se proteger do sol e da chuva, muitas vezes “empurrando” o pedestre para a rua.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para saber quais as medidas adotadas para conter tanto as invasões de espaços públicos, como calçadas e praças, como o comércio irregular, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Cena se repete

A CRÍTICA já denunciou, em outras reportagens, a proliferação dos vendedores ambulantes no Centro da cidade.  No local, a reportagem verificou que ambulantes disputam espaço com pedestres e que em alguns trechos das vias as bancas com produtos ficavam junto aos pontos de ônibus, o que atrapalha a vida dos usuários de transporte coletivo. Sem ação efetiva de fiscais, o problema persiste em vias como a Epaminondas, Floriano Peixoto, Tamandaré e 15 de Novembro, todas no Centro.

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