Publicidade
Manaus
'CAOS URBANO'

Sem fiscalização, mototaxistas improvisam pontos e invadem espaços em Manaus

A Prefeitura de Manaus informou que pontos de mototáxi em calçadas ou em meio-fio podem ser tratadas como infração de trânsito 25/10/2017 às 08:13 - Atualizado em 25/10/2017 às 08:39
Show prefeitura
Mototaxistas construíram uma base entre duas avenidas, em plena área pública (Foto: Winnetou Almeida)
Álik Menezes Manaus (AM)

Encorajados pela ausência de fiscalização e pelas inúmeras invasões de áreas públicas sem efetiva ação dos órgãos públicos para reaver as terras invadidas, mototaxistas ocupam espaços públicos, calçadas e até canteiros centrais para construir pontos e sedes de associações da categoria, principalmente em bairros das zonas Norte e Leste de Manaus.

Na avenida Camapuã, próximo ao Terminal 4, na Cidade Nova, Zona Norte, um grupo de mototaxistas que se dizem legalizados ergueu uma estrutura para se abrigar do sol e da chuva e também para servir como ponto de mototáxi em um “canto” da calçada. “Nosso objetivo é ter mais conforto e dar mais conforto para os nossos clientes e aqui também vira abrigo para muitas pessoas quando chove. É uma ‘sobra’ dessa calçada, ninguém está obstruindo nada”, disse o mototaxista Edivan Souza, 41, que trabalha no local.

Apesar do toldo afixado em frente à estrutura do ‘Mototaxi Legalizado T4’ ter a sigla da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e a inscrição “Prefeitura de Manaus”, o mototaxista afirmou que eles ainda não conseguiram a autorização dos órgãos públicos para erguer a construção. “Estamos correndo atrás para legalizar, sabemos que não vai ser de graça porque a prefeitura não dá nada sem custos, mas ainda não conseguimos nenhuma resposta. Sabemos que podemos legalizar, já tem amigos que conseguiram”, disse.

Para a dona de casa Rosalice Maria de Araújo, 29, o principal problema é a ocupação de áreas públicas e o incentivo que a prática dá a novas invasões na cidade, não importa o tamanho: o que preocupa é o hábito. “A passagem de pessoas na calçada fica complicada. Só que, para mim, o problema é bem maior, sabe? Se a prefeitura não faz nada para retirar essas pessoas de lá, ela está sendo conivente e mostra para a população que não se importa com as muitas terras que são alvos de invasores na cidade”, disse.

Construção

Na avenida Curaçao, no conjunto Nova Cidade, Zona Norte, uma pequena área pública também foi invadida. No local foi construído um ponto de mototaxi, de alvenaria que conta até com um banheiro para os profissionais e clientes. A CRÍTICA esteve no local e tentou contato com os trabalhadores, mas ninguém foi encontrado para comentar. Também não foi explicado se há estação de tratamento de efluentes nos banheiros construídos em área pública.

A estudante Maria Regina Alcântara, 33, disse que a base foi construída há pelo menos três meses e é pouco usada pelos mototaxistas. Para ela, os órgãos públicos precisam investir em projetos para ocupar áreas em prol da comunidade. “Não é um espaço sem dono, todos somos donos. Você olha e pode pensar que é um pequeno terreno, mas não pode e nem deve ser invadido. Se eles querem um espaço para atender melhor os clientes e eles mesmos terem um conforto, o ideal é que eles aluguem. Não pode ser assim, chegar e invadir”, criticou.

Ocupação

No bairro Lago Azul, o local escolhido pelos profissionais fica localizado entre avenidas Torquato Tapajós e Comandante José Cruz.  Até a manhã de sexta-feira, mototaxistas ainda trabalhavam na melhoria do ponto.

Eles não quiseram comentar sobre a legalização do espaço. A estudante Luiza Marreta, 25,  disse que entende a atitude dos mototaxistas diante da omissão da Prefeitura.

“É um espaço público? Sim. Todos sabemos que é. Mas o que foi feito até agora? A Prefeitura vai regularizar? Eles podem usar se cuidarem, tem muitas invasores na cidade e são causas ganhas. O município perdeu muitas terras, então o que custa liberar essa área para eles”, questionou.

Prática pode ser encarada como infração de trânsito

Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que pontos de mototáxi em calçadas ou em meio-fio podem ser tratadas como infração de trânsito. Denúncias podem ser feitas pelo SAC da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) pelo número 118. A pasta também informa que está discutindo com a categoria a adoção de procedimentos para a regularização dos pontos de captação de passageiros, mas não informou sobre prazos. 

Publicidade
Publicidade