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Manaus
Preço das corridas

Sem motocímetros, mototaxistas cobram o que querem da população em Manaus

Os permissionários de mototáxi da capital ignoram tabela de preços e chegam a cobrar valores acima do devido para corridas, fazendo passageiros reféns dos valores superfaturados 16/08/2016 às 21:59 - Atualizado em 17/08/2016 às 08:10
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Às vezes, uma corrida de táxi (carro) pode sair muito mais barato (Foto: Antônio Menezes)
Alik Menezes Manaus (AM)

Os permissionários de mototáxi regulamentados em Manaus deveriam cobrar R$ 3 pelo transporte e mais R$ 1 por quilômetro rodado. Mas a determinação está longe de ser cumprida na capital.  Eurico Jerônimo, 52, que trabalha como mototaxista há oito anos, disse que cobra R$ 25 por corrida do Terminal 3, da Cidade Nova, Zona Norte, para a rodoviária, na Zona Centro-Oeste. O percurso é de nove quilômetros, contudo, o valor cobrado por Jerônimo, está R$ 13 acima do valor de tabela.

O mototaxista alegou que esse é o valor que ele cobra e “ponto final”. No entanto, afirmou que é a favor da motocímetro para que os usuários do serviço não sejam lesados por profissionais “mais espertos”.  “Tem colega que cobra muito mais que eu pelo mesmo percurso. Os clientes tem que ficar de olho porque tem muita gente esperta. Acredito que, quando o equipamento entrar em vigor, vai ser melhor para todo mundo”, disse.

Em média, o percurso da Bola do São José, na Zona Leste, para o Terminal da Cidade Nova, na Zona Norte, é de 10 quilômetros. Nesse caso, o valor cobrado que deveria ser de R$ 13, o que está longe de ser praticado pelos mototaxistas. O permissionário Edmar Ferreira da Silva, 44, que trabalha na “praça” há 7 anos, disse que cobra R$ 20 pelo trajeto.

Ao ser questionado sobre preço que está acima do que deveria ser cobrado, ele disse que tudo depende do cliente. “Esse é o valor que a gente joga para eles, mas tudo depende da negociação. Eles têm que dizer quanto podem pagar, por esse percurso até por R$ 15 dá pra fazer”, afirmou ele.

Ninguém respeita

 O mototaxista também criticou a determinação da SMTU quanto a tabela de preços. “Eles não colocaram o motocímetro, que é o mais justo para o cliente e para a gente, então eles não podem determinar quanto a gente pode cobrar pela corrida”, afirmou.

Da bola do Coroado, na Zona Leste, para a avenida Desembargador João Machado (Franceses), no Alvorada, na Zona Centro-Oeste, o percurso é de 8 quilômetros e, em média, os permissionários cobram R$ 25. Contudo, o valor deveria ser de R$ 11.

Do Terminal da Cidade Nova (T3), na Cidade Nova, Zona Norte, para o Centro, os mototaxistas também cobram, em média, R$ 25. Mas, se a tabela estivesse sendo seguida, o preço deveria ser R$ 20, pelos 17 quilômetros percorridos.

Táxi sai mais barato

Em alguns casos, os passageiros chegam a pagar o mesmo valor ou mais por uma corrida de táxi.  Do T 3 para a rodoviária, por exemplo, em média, uma corrida de táxi custa R$ 27.  Segundo o taxista João Bosco, 40, o preço varia por conta do trânsito, mas é muito mais seguro e confiável do que se expor aos riscos de uma moto.  “Você paga R$ 25 daqui para a rodoviária em um  mototáxi e a gente cobra R$ 27 a R$ 30, no conforto, no ar condicionado. Mas é uma questão de escolha porque os clientes muitas vezes acham o táxi muito mais caro, e tem vezes que nem é”, disse ele.

Na avaliação do universitário Ítalo Alves, os valores praticados pelos mototaxistas são injustos e afirmou que os órgãos de fiscalização deveriam tomar a iniciativa para coibir o superfaturamento das corridas.  “Acho que eles cobram de acordo com a tua aparência, porque eu já paguei R$ 30 da minha casa para a faculdade num dia e no outro paguei R$ 20. Tem como entender isso?”, questionou ele.

Medida alternativa

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU),  informou que está verificando junto ao sindicato da categoria a variação do serviço. “Definido este,  a SMTU criará uma tabela para cobrança das corridas tendo como base o hodômetro, uma vez que ainda não há motocímetro”.

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