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Manaus
ALTO CUSTO

Sem previsão de entrega, duplicação da rodovia AM-070 já chega a R$ 318 milhões

Obra que iniciou em 2013 e já passou pela gestão de três governadores foi orçada inicialmente em R$ 224,2 milhões, mas recebeu aditivo de R$ 55,4 milhões e reajustes anuais de R$ 38,9 milhões 27/05/2018 às 07:50
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Fotos: Jair Araújo
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

Sem previsão de entrega para este ano, a obra da duplicação da rodovia AM-070, que liga os municípios de Iranduba e Manacapuru a Manaus, está custando R$ 318,6 milhões aos cofres públicos. Com 78,14 quilômetros de extensão, a estrada já está duplicada até poucos metros da comunidade do Ariaú, no quilômetro 38.

Com início em 2013, a obra é custeada com investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e contrapartida do Estado. A duplicação da rodovia já passou pela gestão de três governadores em que foi gasto pouco mais da metade dos recursos, R$ 159,6 milhões, restando R$ 158,9 milhões. A duplicação foi uma das obras eleitas pelo atual governo do Estado como prioridade.

Segundo o titular da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), Oswaldo Said, a diminuição no ritmo da duplicação deve-se ao período chuvoso, especialmente, de um trecho da estrada com cerca de 15 quilômetros que fica alagada.

“A empresa (Etam Construtora) precisa esperar baixar para fazer a duplicação porque nesse trecho pega de quatro a cinco metros de aterro ou mais. Com a chuva, as atividades de terraplenagem tem que parar. Se continuar o material fica saturado e o que se faz é lama. O ritmo diminui agora para atacar (avançar) no verão. É muito complicado realizar grandes obras na nossa região, por isso se dilata o cronograma”, explicou Said.

Na avaliação do secretário, a importância estratégica da duplicação da rodovia é o desenvolvimento da região e o escoamento da produção realizada em comunidades e ramais. “Por exemplo, a comunidade Bela Vista é uma área produtora de abacaxi e pimentão. A obra é um ganho positivo para o produtor. Com boas estradas tem desenvolvimento. A tendência de crescimento para o Estado é em direção a esses municípios”, afirmou.

Impasse

Reportagem publicada na edição de 16 de outubro de 2017 de A CRÍTICA mostrou que o atraso na duplicação à época se dava em razão da falta de comunicação entre a empresa Eletrobras Distribuidora Amazonas e a Seinfra. Questionado, Said afirmou que não há mais impasses entre os órgãos. “Entramos em acordo e já está tudo acertado”, declarou o secretário.

A reportagem percorreu na última quarta-feira a AM-070 e identificou em trechos ao longo da estrada a realização de atividade topográfica, remoção de poste, execução de terraplenagem e drenagem profunda. Na ponte sobre o Rio Ariaú já foi colocado vigas para sustentação da segunda estrutura. Conforme o titular da Seinfra, a construtora aguarda a subida do rio para transportar por balsas o restante das vigas e parte das plataformas para concretagem da ponte.

O autônomo Francisco da Silva, 60, utiliza a rodovia diariamente e se queixa da demora na obra. Para ele, a parte que só tem uma pista oferece risco de acidentes por conta do fluxo de veículos. “Moro há 32 anos na região. O trânsito fica agitado nos finais de semana e gera acidentes. Prefiro até andar de moto”, disse.

Progresso com duplicação

A comerciante Marinete Barbosa, 60 anos, já vem colhendo os frutos da duplicação da rodovia AM-070. Proprietária de um mercadinho no quilômetro 55, Marinete investiu a indenização recebida com a desapropriação de um trecho do terreno. “Estou construindo outro comércio agora todo de alvenaria e bem maior porque além de supermercado, quero colocar uma casa de ração e material de construção. Eu até já estou comprando mercadoria para o material de construção e começando a vender para ir acostumando a clientela e criando estoque”, disse.

A proximidade do comércio com o canteiro de obras da construtora Etam, distante cerca de três quilômetros, vem aumentando o lucro da comerciante que vê a duplicação como prosperidade para a região. “Muitas pessoas não vêm pra esse lado pelo fato da rodovia ser estreita e com a duplicação vai melhorar. Meu filho parou as atividades do nosso restaurante e está fornecendo alimentação para os trabalhadores da obra”, contou.

Eletrobras vai remover 432 postos

A Eletrobras Distribuição Amazonas informou, por meio de nota, que o deslocamento dos postes para a duplicação da AM-070 iniciou no dia 15 de abril. De acordo com a estatal, serão afastados 432 torres de média e alta tensão sem a necessidade de interrupção no fornecimento  de energia elétrica tendo em vista que a rede de distribuição está sendo construída, em etapas, paralela à rede existente.

“Apenas no momento de interligação de cada etapa da nova rede serão necessários desligamentos de curta duração, de no máximo 30 minutos. O cronograma do afastamento está atrelado ao cronograma da abertura da faixa da rodovia, que será apresentado pela Seinfra no dia primeiro de julho”, diz a nota.

No deslocamento dos postes ao longo de 43 quilômetros, atuam 12 eletricistas, dois caminhões, dois técnicos e um engenheiro eletricista. A reportagem percorreu, na tarde de quarta-feira, a AM-070 e identificou equipe da Eletrobras atuando na remoção de postes.

O titular da Seinfra, Oswaldo Said, afirmou que esse trabalho será feito sem ônus. “Caso quebre um poste, cruzeta ou material o Estado recoloca. Era inviável fazer uma obra nova e dar para concessionária todo o material porque depois quem vai usufruir é a concessionária que vai cobrar dos consumidores”, disse.

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