Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
CAOS NA SAÚDE

Cirurgias neonatais e pediátricas estão paradas por tempo indeterminado no AM

De acordo com a presidente da Sapp, o único serviço não suspenso são as cirurgias de emergência e urgências neonatais e pediátricas



Fajardo.JPG (Foto: Márcio Silva)
27/09/2017 às 10:00

O Hospital Infantil Doutor Fajardo e o Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam) amanheceram com as recepções vazias, ontem. O cenário atípico foi o reflexo do primeiro dia de suspensão das cirurgias neonatais e pediátricas, ocasionada pela paralisação dos cirurgiões da Sociedade Amazonense de Patologias Pediátricas (Sapp), que prestam serviço ao Estado e estão com os repasses do pagamento dos últimos três meses atrasados.

A paralisação é por tempo indeterminado. De acordo com a presidente da Sapp, a médica cirurgiã Cyntia Almeida, o único serviço não suspenso em ambos os dois hospitais são as cirurgias de emergência e urgências neonatais e pediátricas. Almeida explicou que, para evitar qualquer constrangimento às famílias dos pacientes, a recepção das unidades hospitalares está entrando em contato para informar sobre a suspensão do processo cirúrgico e orientando qual procedimento o paciente deve seguir para reagendar uma nova data.

“Hoje (ontem) completou 100 dias que estamos sem receber qualquer tipo de repasse do Estado. Estamos sem receber desde junho. Quando esse atraso completou 90 dias, chegamos a procurar a própria secretaria para buscar um acordo, mas nem isso conseguimos. Eles prometeram pagar no dia seguinte, depois no outro dia, e mais outro dia, foi então que resolvemos paralisar as cirurgias, não vimos outro meio de pressionar a não ser esse”, disse a presidente.

Além do atraso do pagamento, Almeida informou que, nos últimos meses, os cirurgiões têm enfrentado dificuldades para exercer o trabalho por conta da falta de materiais de insumo para a realização das cirurgias. “O Icam atende a Amazônia ocidental, logo temos uma variável de pacientes. Os pais das crianças de outros estados se programam para vir para Manaus em busca da cirurgia e, em alguns casos, somos obrigados a remarcar por conta da falta de materiais cirúrgicos. Saúde é algo sério e não podemos continuar agindo como se isso tudo fosse algo comum”, destacou.

Estão suspensos, até que os pagamentos sejam normalizados, o atendimento ambulatorial de cirurgias pediátricas e cirurgias eletivas de pequena, médias e alta complexidade, que incluem videolaparoscopias, cirurgias toráxicas e demais anomalias.

Cardiologistas

A paralisação de 25 profissionais da União Vascular de Serviços Médicos (Univasc), iniciada no fim de semana, também segue por tempo indeterminado. A Univasc atua em três unidade de saúde estaduais. A interrupção atinge os hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo. Conforme a entidade, as negociações estão sendo feitas com a participação direta do secretário de Estado da Saúde, mas até o fechamento desta edição.

Quase seis meses sem pagamentos

A diretora do Serviço de Residência Terapêutica (SRT) Lar Rosa Blaya, Raimunda Gomes Pinheiro, passou a manhã de ontem na sede da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) para buscar uma solução para o atraso no pagamento da empresa terceirizada Sismed, responsável por conceder os cuidadores aos 33 abrigados no lar.

De acordo com uma das funcionárias do lar, ao todo são 28 cuidadores na unidade e uma assistente social responsável por assistir o Lar Rosa Blaya. Ela disse que eles estão há quase seis meses com salários atrasados e sem receber qualquer tipo de benefício. “Só não abandonamos os moradores pois sabemos o quanto eles necessitam da nossa ajuda, mas é preciso que o poder público também tenha consciência e resolva a situação do atraso do nosso pagamento. Cada funcionário tem buscado uma alternativa para vir para o Lar, pois nem vale transporte estamos recebendo”, comentou a funcionária.

Por causa da falta de pagamentos e benefícios, aos domingos, os moradores do Lar estão ficando totalmente sozinhos. O caso foi denunciado ao Ministério Público Estadual (MPE).

Pasta busca solução

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que está trabalhando junto com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), a fim de concluir o pagamento de suas prestadoras de serviço até o fim desta semana. Sobre a paralisação dos médicos cirurgiões durante o dia de ontem, ao todo foram suspensas 24 cirurgias eletivas e 48 consultas. A secretaria reforçou que todos terão seus procedimentos reagendados.

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