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Manaus
DESRESPEITO

Sem regulamentação, má conduta dos 'amarelinhos' é criticada pela população

Com processo licitatório suspenso desde abril, modalidade continua colocando em risco a segurança dos passageiros. SMTU afirma que aguarda posicionamento do MPE sobre resultado do julgamento da licitação 22/07/2016 às 11:31 - Atualizado em 22/07/2016 às 11:33
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Usuários do transporte alternativo reclamam dos destrato no micro-ônibus (Foto: Antonio Menezes)
Alik Menezes Manaus (AM)

Sem licitação ou regulamentação, motoristas do transporte alternativo desrespeitam usuários de todas as idades na Zona Leste. Com o processo licitatório suspenso desde abril, essa modalidade de transporte, feito por várias cooperativas de micro-ônibus, continua colocando em risco a segurança de passageiros.

Entre as principais reclamações dos usuários está a falta de respeito dos motoristas, que destratam idosos e dirigem em alta velocidade sem se preocupar com as pessoas que estão dentro dos coletivos. A aposentada Raimunda Nonato, 75, revelou com indignação que a maioria dos motoristas não apanha os idosos nos pontos de ônibus. “Sofro todos os dias quando preciso deles para me locomover. A maioria dos motoristas passa direto quando vê os velhinhos esticando a mão e, às vezes, até xingam a gente”, disse.

Nervosa, a idosa contou que quase caiu de um alternativo na última quarta-feira, na parada que fica em frente ao shopping Grande Circular, na avenida Autaz Mirim, na Zona Leste. “Quando eu coloquei o primeiro pé na escada do micro o motorista arrancou e eu quase caio. Eu ia me quebrar toda, fui salva pela misericórdia de Deus, porque esses motoristas não têm pena de ninguém”, afirmou.

Outra reclamação dos usuários é quanto a falta de fiscalização por parte dos órgãos competentes. Segundo relatos de várias pessoas, os motoristas mudam a rota quando há poucos passageiros dentro dos micro-ônibus e não dão satisfação. A autônoma Vera Cabral, 51, moradora do bairro São José 4, revela que muitas vezes foi “expulsa” dos alternativos por motoristas e cobradores. Em uma das vezes foi abandonada no bairro Armando Mendes e teve que pagar uma outra passagem para conseguir chegar na casa dela. “Eles são loucos, mudam de rota e nem avisa nada. A falta de respeito é muito grande”.

Insatisfeita com o serviço, a autônoma fez várias denúncias, mas tem dúvidas de que alguma medida seja tomada para punir os motoristas. “Perdi a conta de quantas vezes liguei para denunciar. Muitas vezes eles não atendem e quando atendem nem dão atenção direito. Acho que eles não fazem nada, por isso está assim desse jeito”.

“Terra sem lei” é a definição do aposentado Manoel de Souza Santos, 64, para o transporte coletivo da zona leste. Segundo o idoso, que estava há mais de 30 minutos esperando por um alternativo que fosse para o bairro Grande Vitória, é comum esperar mais de 20 minutos porque os motoristas “não gostam de idosos”. “Eles não respeitam. Estou aqui todo esse tempo e nenhum para”, disse.

Segundo relato dos entrevistados, é comum ver pessoas caindo ou quase caindo dentro dos micro-ônibus, mas a maioria revela que depende desse tipo de transporte coletivo e não acredita que os motoristas e as empresas sejam punidas.

Denúncia oficial

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) orienta que as denúncias devem ser feitas por meio do numero 118 ou pelo e-mail: sacsmtu@pmm.am.gov.br. Caso as denúncias sejam comprovadas, os motoristas podem ser multados. Mas medidas mais severas como a suspensão do permissão só poderão ser adotadas após a conclusão da licitação.Antonio MenezesUsuários do transporte alternativo reclamam dos destrados por parte de alguns motoristas e o fato deles não pararem para as pessoas idosas, além da mudança de itinerário

À espera do MPE-AM

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que aguarda posicionamento do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) para dar prosseguimento à publicação do resultado do julgamento da fase de classificação da licitação.

A licitação irá selecionar 200 permissionários. Eles deverão assinar um contrato com com o município onde constará a obrigatoriedade do cumprimento das legislações vigentes. “A SMTU tem se empenhado para concluir o certame e atendido as solicitações feitas pelo MPE-AM”, finaliza a nota.

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