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Manaus
Sem vínculo empregatício

Sem salário e vínculo trabalhista, servidores do Instituto Dona Lindú vão parar atividades

Trabalhando “de graça”, já que não existe mais contrato entre a empresa terceirizada e o Governo do Estado, os funcionários ficam até o plantão de hoje na unidade 06/10/2016 às 18:08 - Atualizado em 06/10/2016 às 18:16
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O Instituto da Mulher Dona Lindú fica ao lado do Hospital 28 de Agosto, na avenida Mário Ypiranga, na Zona Centro-Sul da cidade (Divulgação)
Vinicius Leal

Os servidores terceirizados que trabalham no Instituto da Mulher Dona Lindú, em Manaus, vão parar as atividades. Com três meses de salários atrasados e sem qualquer vínculo empregatício com o Governo do Estado – já que não existe mais contrato com a empresa responsável – os funcionários prometeram ficar na unidade de saúde até o plantão de hoje. A partir de amanhã, sexta (7), eles não vão mais.

“Vamos fazer uma reivindicação e paralisar as atividades. Amanhã vamos encontrar com o secretário de Saúde e com o Ministério Público do Trabalho”, explicou Rummenigge Granjeiro, advogado do sindicato dos servidores. “Os funcionários estão aqui dentro sem contrato, não há vínculo e a empresa sumiu. Disseram que vão colocar outras empresas aqui”.

No final da tarde de hoje (6), os terceirizados do Dona Lindú promoveram uma assembleia, onde decidiram paralisar. “Acabamos de sair da reunião com mais de 300 trabalhadores e houve uma votação. A Susam disse que eles não têm vínculo empregatício nenhum. A partir de amanhã ninguém vai trabalhar. Estavam aí dentro sem receber, sem nenhuma responsabilidade por conta do Estado”, falou Granjeiro.

Conforme o presidente do sindicato dos servidores, Guilherme Cavalcante, por várias vezes eles tentaram resolver a situação com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), mas não houve avanço. “Hoje a noite alguns vão vir trabalhar para não prejudicar os pacientes. Mas quando o plantão de amanhã terminar, às 7h, só vem quem tem compromisso com algum paciente. Fora isso, a grande maioria não vai vir trabalhar”, disse.

Situação parecida – salários atrasados e com empresa irregular – vivem os terceirizados de outros hospitais da cidade, como no Pronto-Socorro 28 de Agosto, localizado ao lado do Instituto Dona Lindú, que chegaram até a receber ajuda financeira dos médicos da unidade para pagar o transporte, e também os servidores do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio e do Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste (Joãozinho).

A empresa responsável pelos servidores terceirizados do Instituto da Dona Lindú – e de outras unidades de saúde no Estado – é a Total Saúde, denunciada pela Polícia Federal na Operação Maus Caminhos por participar de um esquema que desviou cerca de R$ 110 milhões de verbas da Saúde no Amazonas. A reportagem entrou em contato com a Susam sobre o anúncio de paralisação dos terceirizados, e espera resposta.

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