Publicidade
Manaus
PROMESSA

Sem ser entregue, elevador projetado para o BRT na Torquato Tapajós está abandonado

A estrutura para receber o elevador está sem portas, com água empoçada e também virou depósito de lixo. Prefeitura de Manaus iniciou a obra em julho de 2015 28/04/2018 às 06:00
Show wine
Apenas fios improvisados separam a entrada do vão do elevador. Foto: Winnetou Almeida
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Desde a confirmação de Manaus como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 que se ouve falar em BRT (Bus Rapid Transit), sistema com pista e plataforma exclusivas, isto é, isolado do sistema de trânsito convencional. Veio o anúncio, veio a Copa e até agora pouca coisa do BRT saiu do papel. No dia 21 de julho de 2015 a prefeitura anunciou o início da construção de uma plataforma do novo sistema e a reforma da passarela metálica, além da instalação de um elevador de acessibilidade, na avenida Torquato Tapajós, em frente ao conjunto Santos Dumont, na Zona Centro-Oeste da cidade.

No entanto, conforme despacho publicado na edição do dia 28 de dezembro de 2016 do Diário Oficial do Município (DOM), a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), por meio da Portaria nº 218/2016, suspendeu o contrato com a empresa LVM Construções Ltda, responsável pela obra.

Depois, foi contratada outra empresa, a MCA Ltda. Apesar disso, até esta sexta-feira (27), nem a cobertura da passarela e nem o elevador, que por ficar no canteiro central, entre as pistas de mão e contramão, só terá utilidade com a instalação do BRT, foram concluídos. A estrutura para receber o elevador está sem portas, com água empoçada há muito tempo e também virou depósito de lixo. A prefeitura, por meio da Seminf, informou que está acionando, judicialmente, a MCA Ltda, que já deveria ter entregue a obra.


Sem proteção, como tapumes, estrutura acumula água, lixo e vetores de doenças. Foto: Winnetou Almeida

No dia 5 de fevereiro deste ano, a prefeitura anunciou o recebimento de um novo projeto para implantar o BRT na capital. Um consórcio de empresas apresentou o City Vehicle Interconnected (Civi), uma nova modalidade de BRT. A proposta, também denominada de “BRT 2.0”, contempla três corredores viários, que, com o sistema, interligariam as zonas Norte e Leste de Manaus. Com a proposta e o interesse manifestado pelo grupo, o prefeito Artur Neto prometeu fazer um chamamento público, em caráter nacional, para que outras empresas ou grupos interessados se manifestassem.

Enquanto isso, idosos, grávidas e pessoas com deficiência continuam subindo e descendo escadas para chegar ao outro lado da pista ou à plataforma do Bus Rapid System (BRS). A diferença entre o Bus Rapid Transit (BRT) e o Bus Rapid System (BRS) é que o primeiro depende de pistas exclusivas e isoladas das demais, enquanto o segundo precisa apenas de plataformas nos canteiros centrais e pistas demarcadas com tinta (Faixa Azul).

A desempregada Regina dos Santos Gomes, 35, carregando nos braços o filho de dez meses, é uma das “torcedoras” pela chegada do BRT. “Para quem tem bebê de colo é um sacrifício encarar essa situação. Imagine quem é cadeirante”, questiona Regina.

A rotina da doméstica Liliane Alves da Silva, 34, é a mesma, só que em um trecho diferente da avenida Torquato Tapajós. Três vezes por semana ela encara outra “travessia”, na mesma via, carregando seu filho com necessidades especiai, de um ano e quatro meses de idade.


Porta do elevador fica de ‘costas’ para as atuais passarelas, que seriam substituídas. Foto: Winnetou Almeida

"Ele precisa fazer fisioterapia e, como pego ônibus do outro lado da avenida, tenho que enfrentar estas escadas. Na outra passarela, pelo menos começaram o projeto do BRT e tem a plataforma central. Aqui não temos a parada do meio”, relatou Liliane, que usa uma passarela anterior, em frente ao Instituto Denizard Rivail.

Sem teto: suadeira

A auxiliar de caixa Dinah Santos, 31, também usa a passarela sem cobertura. Ela frequentemente acompanha o pai, Raimundo Nonato Corrêa, 63, a uma agência bancária e a um supermercado. “Está certo que é com segurança, mas, é muito difícil atravessar. Ele tem problema na coluna e de vez em quando travam as pernas dele”, revela Dinah.

“É segura, mas dá uma grande ‘suadeira’ essa travessia. E aqui não pode nem ter faixa de pedestre, por serem muitas pistas”, lembra o pedreiro Jonas Lopes da Silva, de 54 anos.

Prefeitura processou a empresa

Em nota, a assessoria da Seminf informou que a reforma da plataforma do BRS ou Faixa Azul da Torquato Tapajós foi concluída durante a implantação da faixa segregada no local.

“Em relação à instalação do elevador na passarela da avenida, ressaltamos que a secretaria está notificando a empresa responsável pelo serviço, pois conforme contrato, a entrega do elevador estava programada para o mês de fevereiro. A prefeitura já está tomando as providências jurídicas quanto ao não cumprimento dos prazos contratuais da empresa”, garantiu a assessoria da Seminf.

Publicidade
Publicidade