Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
Manaus

Sem usuários, 35% dos orelhões públicos ‘falam’ menos de 1 minuto por dia no Amazonas

Os “orelhões” espalhados pela cidade perderam boa parte do seu público nos últimos anos, resultado do aumento na demanda por celulares e facilidade no acesso à internet



1.jpg De acordo com a empresa Oi, responsável pelos aparelhos no Estado, o Amazonas possui 15.276 orelhões, mas 35% deles são usados durante menos de um minuto por dia
12/02/2015 às 20:23

Com o avanço da tecnologia e do crescente aprimoramento de telefones, muitas pessoas acabaram esquecendo um “velho amigo” que, no passado, salvou muita gente na hora do aperto. Os “orelhões” espalhados pela cidade perderam boa parte do seu público nos últimos anos, resultado do aumento na demanda por celulares e facilidade no acesso à internet. De acordo com a empresa Oi, responsável pelos aparelhos no Estado, o Amazonas possui 15.276 orelhões, mas 35% deles são usados durante menos de um minuto por dia.

Entretanto, ainda é possível encontrar - depois de muito procurar - alguns usuários que defendem a utilização do aparelho.



Após quase uma hora percorrendo as ruas de Manaus em busca de alguém que estivesse realizando uma “simples” ligação em um orelhão, a reportagem de A CRÍTICA encontrou a auxiliar de cozinha Mara Rodrigues, 45, que falava com o marido de um orelhão localizado ao lado da Praça Heliodoro Balbi, no Centro, Zona Sul.

“Sempre ligo a cobrar”, brincou ela. Segundo Mara, apesar dos celulares terem ganhado um grandioso espaço entre os consumidores, as operadoras não devem retirar os telefones públicos de circulação. “Eles precisam continuar sim, nem todo mundo tem celular para ligar. Sem falar da segurança, se um ladrão rouba o seu celular você fica sem ele, mas o orelhão vai continuar aqui”.

Em um comércio nas proximidades, os valores dos cartões telefônicos encontrados eram de R$ 5 e R$ 8 reais, com direito a 20 e 40 minutos de ligação, respectivamente. A vendedora ambulante Cleide Azedo, 62, trabalha há quase 20 anos na mesma área do Centro. Ela conta que deixou de vender os créditos em sua banca justamente pela pouca procura. “Deixei de vender há uns cinco anos. Com a evolução do celular as pessoas preferem comprar créditos pra eles. É muito raro ver alguém que ligue do orelhão”, disse.

Visitantes

Em frente à Feira da Manaus Moderna, na rua Barão de São Domingos, o autônomo Etevaldo Melo, 62, explicou que o telefone público tem um papel ainda mais importante no local devido ao grande fluxo de pessoas que são de outros municípios. Sobre os dois orelhões instalados ali, ele conta que tenta manter os aparelhos em bom estado de conservação, limpando-os. “A operadora sempre faz visitas para consertar, porque sabem que aqui muita gente liga. Em outras capitais as pessoas acham os orelhões bonitos, é quase um símbolo, mas aqui não”, afirmou.

Lucros não ‘bancam’ a manutenção

Conforme a operadora Oi, responsável pela manutenção e instalação de aparelhos na capital, apenas 4% dos 15.276 orelhões espalhados pelo Amazonas geram receita suficiente para arcar com os custos de manutenção.

A empresa admite que os aparelhos possuem pouca atratividade para os consumidores.  Ainda de acordo com a operadora, pesquisas feitas pela companhia apontam que o uso do orelhão se tornou “esporádico”. A Oi acrescentou que a migração para os celulares faz parte da evolução em todo o mundo, inclusive no Estado.

Entre 2008 e 2013, a Oi registrou queda de aproximadamente 44% ao ano no consumo de créditos em seus orelhões – o que representa uma redução de 96% nesses seis últimos anos. Ou seja, o consumo do ano de 2013 representa apenas 4% do consumo realizado em 2008.

Linhas ativas

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em 2012 o Amazonas possuía 600 mil celulares a mais do que habitantes. No Estado, haviam 4.131.682 linhas ativas e 3.590.685 habitantes. Em 2014, o número de linhas no País chegou a 277 milhões.

Em números

15.276 é a quantidade de “orelhões”.   espalhados por todo o Amazonas, segundo a operadora Oi, responsável pela manutenção dos aparelhos.

44% foi a queda registrada    entre os anos de 2008 e 2013 no consumo de créditos de telefones públicos espalhados pelo País.

277  milhões foi o número de linhas móveis  ativas registrada pela Anatel no ano passado. Em 2012, o AM já tinha mais linhas ativas que habitantes.


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