Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
publicidade
PLACA1.jpg
publicidade
publicidade

CAOS

Sem vagas ou organização, estacionar na área central vira 'operação de guerra'

Praça 14 e Centro são alguns dos lugares mais afetados em Manaus, com 'guerras' entre moradores, flanelinhas e motoristas


01/09/2017 às 07:56

O impasse por vagas para estacionar carros é um antigo problema na capital amazonense que vem se agravando com o passar dos anos e a falta de ações efetivas por parte da Prefeitura de Manaus. O problema aumenta em bairros comerciais, como a Praça 14 de Janeiro e o Centro da cidade, onde moradores, flanelinhas e motoristas travam verdadeiras “guerras” por vagas diariamente.

No bairro Praça 14, Zona Centro-Sul, servidores da Empresa de Processamento de Dados Amazonas S.A (Prodam), que pediram para não serem identificados, contaram que sofrem ameaças de alguns moradores das quatro ruas quando tentam estacionar seus carros na frente de algumas residências que não têm garagem.

No local, a reportagem de A CRÍTICA constatou que, pela manhã, moradores colocam baldes com concreto, cavaletes de ferro, mesas e até cadeiras para evitar que motoristas estacionem em frente às suas casas. Os moradores alegam que os motoristas são grosseiros e prejudicam a entrada deles nas suas próprias casas.

reclamaçõesA costureira Denise Martins, 60, que mora na rua Jônatas Pedrosa, afirmou que tomou essa medida extrema há quatro anos, quando teve a casa invadida e destruída por um veículo que estacionado ali. “O cara estacionou aí, que é uma ladeira, e o carro desceu e invadiu meu ateliê, destruiu tudo. A solução para o meu problema foi colocar esses baldes cheios de concreto aí na frente porque eu estava cansada e vivia com medo de um novo acidente”, contou. Segundo a costureira, os moradores do entorno da Prodam vivem essa rotina diariamente.

O auxiliar de escritório Carlos Santiago da Silva, 28, contou que já teve o carro riscado por uma pessoa não identificada ao deixar o carro próximo a uma residência na rua Nhamundá. “Deixei (o veículo) para ir numa loja comprar bateria para o carro, e quando voltei ele estava todo riscado e me falaram que foi o dono de uma casa. Tentei descobrir, mas não consegui. Falta de respeito isso”, disse.

A disputa por vagas entre as duas partes pode ser vista ao longo das ruas Jônatas Pedrosa, Nhamundá, Japurá e Visconde de Porto Alegre e deve continuar se repetindo por muito tempo, uma vez que todas as pessoas entrevistadas pela reportagem alegam que, de um lado, têm o direito de estacionar ou, de outro, de proibir que suas casas sejam “bloqueadas” por motoristas.

Engradados também são usados para evitar que as ruas virem estacionamentoUso de vasos de plantas também faz parte da tática de ‘obstrução para evitar obstrução’ Proprietário, que aluga a calçada, afixou uma placa na qual promete furar pneus de quem ousar estacionar no localGuardadores ‘alugam’ trechos concorridos das ruas como estacionamento no Centro de Manaus e não faltam clientes E até galões concretados são usados pelos moradores na ‘guerra’ contra motoristas. 

Guardadores de veículos alugam área pública no Centro

publicidade

No Centro de Manaus o problema é vivido em diversas ruas, mas se intensifica em ruas como a Barroso e 24 de Maio, vias estreitas que têm o fluxo de carros prejudicado pela ação de flanelinhas que dominam a área.

A CRÍTICA tentou conversar com quatro guardadores de veículos que trabalham no local, mas eles evitaram qualquer tipo de declaração. Na área, funcionários de empresas que estacionam nas proximidades contaram que, no início da manhã, os guardadores de carros dermarcam a rua com cones, paletes, caveletes e baldes.

“Esse problema é antigo e afeta todas as ruas do Centro. Esses caras (flanelinhas) se sentem os donos das ruas e, se a gente não pagar, eles até arranham os carros e fazem ameaças. Logo cedo, pela manhã, eles já estão na área, loteando o pedaço de cada um. Como alguém pode se achar dono do que é público?”, questionou o auxiliar de escritório Carlos Jorge da Costa, 33.

A secretária Rosa do Carmo Solar, 25, perdeu as contas de quantas agressões verbais e “quase brigas” já presenciou na rua 24 de Maio. “Os flanelinhas ameaçam todo mundo”, disse.

Placa ameaçadora na Praça 14 de Janeiro

Um morador da rua Japurá, que não quis falar com a equipe de reportagem, fixou uma placa em frente à casa dele fazendo ameaças às pessoas que estacionarem no local. A placa diz: “Não estacione. Sujeito a pneu furado. Obrigado. Ass: Mario Cobra”.

Segundo vizinhos e pessoas que trabalham próximo ao local, as ameaças não ficam apenas na placa: o morador é conhecido por furar pneus e até discutir com motoristas que estacionam no local.

 

publicidade
publicidade
Motoristas do Amazonas vão poder parcelar IPVA atrasado em até 12 vezes
Prefeitura começa a demolir imóveis para obras na avenida Constantino Nery
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.