Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
Manaus

Semana Santa: Peixe até 40% mais caro em Manaus

Consumo em alta faz elevar preços em feiras e supermercados de Manaus nessa época, considerada tradicional para os cristãos



1.jpg Na Manaus Moderna, a maior feira da capital, o tambaqui, o matrinxã, o jaraqui e o pirarucu são as espécies mais vendidas
05/03/2013 às 08:53

Alimento típico da dieta amazonense e item indispensável na mesa da Semana Santa, o pescado deve sofrer um reajuste de até 40% nesse período. A demanda faz crescer o consumo e elevar o preço do produto, que já pode ser sentida nas principais feiras, mercados e supermercados de Manaus. “O preço aumenta de 30% a 40%. Há uma especulação muito grande. Por isso, estamos entrando com programação grande para conter isso”, disse o secretário de Estado de Produção Rural, Eron Bezerra.

Hoje, às 8h, na Feira do Coroado (alameda Cosme Ferreira), a Sepror fará o relançamento do programa “Peixe Popular” para a Semana Santa, disponibilizando mais de 100 toneladas espécies como jaraqui, pacú, branquinha, além de 30 toneladas de matrinxã. O bacalhau da Amazônia será vendido R$ 25.

O Peixe Popular terá um ponto fixo na avenida Constantino Nery, Chapada, e também funcionará com caminhões baús abastecidos de peixes, que vão percorrer todas as Zonas de Manaus, neste mês.

Preços

O tambaqui, por exemplo, custa em média R$ 10, o quilo, nos boxes da feira Manaus Moderna, Centro, levando em conta que um peixe de dois quilos sai por R$ 20. Os maiores, com três quilos ou cinco quilos, custam R$ 30 e R$ 50, respectivamente, dependendo da preferência do cliente. Nas feiras, os peixes são vendidos por tamanho.

Nos supermercados DB e Carrefour, as duas maiores redes varejistas de Manaus, o quilo do tambaqui roelo está sendo comercializado a R$ 8,90. Em período promocional, o quilo chega a custar R$ 6,90.

Quase totalidade do tambaqui consumido aqui é oriundo da piscicultura (criação em tanques), produzido tanto no interior do Amazonas quanto nos Estados vizinhos de Roraima Rondônia, Pará e Acre.

Peixe nobre da culinária amazônida, o quilo do pirarucu é vendido a R$ 20. Já o tipo salgado não sai por menos de R$ 17, nas feiras, podendo chegar a R$ 22, nos supermercados.

No Hiper DB, o quilo do matrinxã é vendido a R$ 10,90. Na feira, a unidade custa R$ 10.

Feirante há 20 anos, Márcio Coelho Porto, reclama que o peixe já está chegando mais caro para o vendedor, que fica refém do produto importado de Rondônia. “Nosso Estado é um fracasso. Nós somos a fonte de peixe. Não fazemos criação em larga escala. Por isso que sai caro. Eu tiro R$ 3 a R$ 5 de lucro em cada peixe. É que ele realmente chega caro pra gente”, disse ele, que leva em conta o custo de transporte na hora de vender.

A reclamação também vem da comerciante Flor Espírito Santo, que resolveu fazer as compras da semana na Manaus Moderna. “Eu costumo comprar no supermercado. Mas estou achando caro na feira. No Amazonas deveria ser mais barato porque temos muito peixe nos rios”.

O feirante Jasson Douglas Bezerra resolveu vender “seu peixe”. “Não acho que está caro. Aqui é a central das feiras. O freguês compra o peixe com 100% de qualidade”, atestou.

Meta é aumentar a produção de pescado


O Amazonas é, disparado, o maior consumidor de pescado do Brasil. Segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), nosso consumo per capita chega a 54 quilos ao ano, enquanto no interior do Estado chega a 180 quilos. No Brasil o consumo per capita de não passa de 12 quilos, mais abaixo ainda da média mundial que é de 7 quilos.

“Nós somos os que mais comemos peixe, em função da fartura nos rios que se tornou tradição na nossa mesa”, informou o secretário da Sepror, Eron Bezerra.

A produção anual do Amazonas é de 200 toneladas, de acordo com a Sepror, sendo 180 toneladas de forma extrativa e 20 toneladas vindas da piscicultura. A meta do programa Amazonas Rural, lançado em 2012, é aumentar a criação de peixes em mais 80 toneladas, até 2015.

Mesmo assim, a quantidade não é suficiente para atender à demanda de consumo interno, uma vez que parte produzida aqui é exportada. Para dar conta do mercado interno (consumidor domésticos, restaurantes), o Estado compra peixes de Rondônia, Roraima e Pará.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 260 milhões em pescado e importou US$ 1 bilhão (como bacalhau e salmão). “O detalhe é que exportamos a US$ 6 e importou a US$ 3,5”, explicou Eron.

Sobre os elevados preços, Eron credita isso ao mercado. “Importamos para outros estados e para o exterior e importamos o que consumimos do Norte. Esse é o chamado mercado, é a regra do capitalismo. O produtor não quer saber se tem peixe aqui; quer saber de ganhar o dinheiro”, justificou.



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