Sábado, 20 de Julho de 2019
INDÍGENAS VENEZUELANOS

Semed vai contratar indígenas warao sem formação para ensinar crianças nos abrigos

Ideia é criar turmas para oferecer ensino aos indígenas, além de fortalecer e preservar a língua e cultura maternas



3.JPG Crianças brincam na rua em frente ao abrigo no bairro Educandos, na Zona Sul da cidade, onde moram há três meses (Fotos: Gilson Mello)
26/09/2017 às 20:55

Um dos grandes desafios com relação aos imigrantes indígenas venezuelanos da etnia Warao que estão morando em Manaus é a educação de crianças e adolescentes. A Prefeitura de Manaus pretende criar turmas em abrigos para oferecer ensino aos indígenas, mas a frequência não será obrigatória e tampouco serão ministrados conteúdos previstos pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Os alunos também não frequentarão escolas e as aulas ficarão sob responsabilidade de indígenas da etnia warao sem qualquer formação para exercer a função. 

Segundo a prefeitura, o objetivo é “fortalecer e preservar a língua e cultura maternas”. No entanto, o decreto estabelece que é “responsabilidade da Semed a inclusão da criança e do adolescente indígena na rede municipal de ensino”. 

A medida é uma das previstas pelo Decreto 3.819, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) do dia 22, que decretou, novamente, situação de emergência social em Manaus em virtude da imigração de indígenas venezuelanos. O decreto é válido por 180 dias e aponta  ações também nas áreas de emprego e saúde.

Para o cacique Alírio Peres, que lidera um grupo de 21 indígenas que está morando em um  abrigo municipal localizado na Boulevard Sá Peixoto, no bairro Educandos, Zona Sul,  o ideal seria que as  crianças tivessem ensino regular, aprendendo a língua portuguesa para terem oportunidades de emprego no futuro e facilidade em se comunicar, assim como os adultos também deveriam ser alvo dessas ações. 

“Não sabemos quando vamos voltar para a Venezuela, está tudo em crise lá. Nós queremos ficar e poder trabalhar, mas a gente precisa entender o português e que entendam a gente. Nossos jovens e crianças precisam de educação”, disse. 

Em trâmite

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que está em processo de contratação de seis indígenas da própria etnia, que serão responsáveis pela “educação” de crianças e adolescentes da etnia e que serão escolhidos pelos indígenas nos próprios abrigos. Os “professores” serão contratados com recursos do governo federal. A pasta também informou que os alunos Warao receberão o ensino voltado para o fortalecimento e preservação da língua e cultura materna, nos próprios abrigos. 

“Assim como acontece com a contratação de professores indígenas brasileiros que atuam na rede municipal de Manaus, os seis professores foram escolhidos pelos próprios indígenas Warao que optaram, ainda, por receber as aulas nos próprios locais de acolhimento onde estão e não matricular as crianças e adolescentes em escolas da rede”, informou. 

Dificuldade para achar empregos

Uma das maiores dificuldades relatadas pelos indígenas  venezuelanos que migraram para Manaus é encontrar um trabalho que gere renda e permita a eles sustentar a família.  
Um dos indígenas, que se identificou apenas como Alonso, que mora em uma casa abrigo municipal no bairro Redenção, afirmou que ele e outros 24 indígenas do abrigo não conseguem emprego e estão vivendo da venda de artesanato, como sombreiros e apoios para panelas, mas sofrem com a falta de apoio. 

A Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Desenvolvimento (Semtrad) informou que realizou reuniões com os representantes  de uma igreja e a Semmasdh, que lidera o processo, e ficou alinhado que deve haver uma Feira de Artesanato voltada à exposição de produtos produzidos por essa população, mas que isso seria em um segundo momento, após a atenção à saúde e educação.

Priorizar ações de saúde pública

O decreto também determina a priorização do projeto Consultórios de Rua pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)   para ofertar serviços de saúde aos indígenas e prevenir a disseminação de doenças. Os atendimentos incluem a imunização, dispensação e administração de medicamentos para combate a verminoses, exames de escarro para diagnóstico de tuberculose, acompanhamento pré-natal das gestantes e atendimento odontológico. 

LEIA MAIS

Migração dos Warao prorroga situação de emergência social por mais 180 dias

Pendências documentais de imóveis que abrigam indígenas criam insegurança

Oficina discute direitos e deveres de imigrantes e refugiados no Brasil

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.