Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
ESTUDOS

Seminário gratuito em Manaus debate situações de refugiados e migrantes

O ministro-conselheiro da Embaixada da França, Gilles Pecassou, será o representante do país no evento, organizado em parceria com a ACNUR. Confira entrevista exclusiva



WhatsApp_Image_2019-05-20_at_10.43.32_7E2CE0DC-BD06-48AD-8ED2-477B8AB37DE8.jpeg (Foto: Divulgação)
19/05/2019 às 17:40

O movimento migratório será tema de um seminário regional realizado pela Embaixada da França e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O evento "Refugiado, Migrantes e Vulnerabilidades: Compartilhando Experiências e Fortalecendo a Resposta Humanitária na América do Sul" será realizado nesta segunda e terça-feira, durante todo o dia, a partir das 8h30, no Palacete Provincial de Manaus, no Centro da capital e vai contar com a presença de representantes da América do Sul, União Europeia. O seminário é gratuito e aberto ao público.

O ministro-conselheiro da Embaixada da França, Gilles Pecassou, será o representante do país no evento. Diplomata há 19 anos, ele atuou, dentre outros lugares, em Nova Iorque, na missão francesa para as Nações Unidas e na embaixada em Tel Aviv, cidade de Israel. Desde junho de 2017 ele atua no Brasil.

Em entrevista ao A CRÍTICA, o diplomata falou sobre a relação entre o Brasil e a França, o tratamento aos refugiados oferecido pelos dois países, e a relação da França com o Amazonas. Pecassou disse ainda que há cerca de 23 mil franceses no Brasil, sendo metade deles em São Paulo. No Amazonas há, aproximadamente, 150.  

O que é o evento e por que Manaus foi escolhida?

É um seminário sobre vulnerabilidade e refugiados. É um evento organizado pela Embaixada da França no Brasil e Embaixada da França no Equador, em parceria com as Nações Unidas. É um seminário internacional, com representantes de outros países da América Latina, associações que atuam no Brasil e outros países. 

O tema não poderia ser mais atual, e decidimos fazê-lo em Manaus porque sabemos que a cidade é a segunda na fila para receber os venezuelanos. O tema também é interessante para nós, europeus, que recebemos nos últimos anos um fluxo migratório sem precedentes em nossa história moderna, e acho que temos muito o que aprender com a maneira que o Brasil acolhe essa população. Manaus tem uma população grande de venezuelanos e por isso a França financia um projeto com o Cáritas Manaus para ajudar a acolher essa população.  

A migração em grande escala acontece de tempos em tempos por diversas razões, como na Grécia, Haiti, Vene zuela. As políticas públicas atuais são adequadas para receber os imigrantes?

Nunca é fácil deixar seu país, sobretudo quando se deixa familiares em situação de crise, como está hoje a situação na Venezuela. Não é fácil para eles, mas não é fácil também para a população local que acolhe esse fluxo de pessoas. Sabemos que uma cidade tem um limite de acolhimento e às vezes a população local não entende o que é feito para facilitar a acolhida dos refugiados. Na Europa aconteceu exatamente isso e temos os mesmo debates políticos que tem hoje no Brasil, no Amazonas, em Roraima. Acho natural, humano, mas temos que ter em mente que acolher essas pessoas em dificuldade é uma obrigação legal, juridica e também moral. O Brasil até agora foi exemplar.

Como o senhor avalia a relação entre Brasil e França com o novo governo?

A relação entre Brasil e França é antiga, histórica e de amizade, e isso não mudou com o novo governo. O Brasil elegeu um novo presidente e vamos ver quais as prioridades do presidente Bolsonaro com as relações internacionais, mas é claro que ficamos à disposição do Brasil para continuar essa parceria muito boa, muito antiga.

Como é a presença francesa no Amazonas e no Polo Industrial de Manaus?

O meu embaixador e eu fizemos a aposta de reforçar essa relação com o Amazonas e reforçar nossa presença. Ainda não tivemos a oportunidade de encontrar o governador e o prefeito, mas estamos à disposição. Temos mais de dez empresas francesas na Zona Franca que empregam centenas de amazonenses,como a Essilor.  Estudamos o intimamento, através da Agência Francesa de Desenvolvimento,de uma parceria com a Prefeitura de Manaus sobre um projeto de renovação urbana que seja sustentável, na qual se incluiria uma revitalização do centro histórico de Manaus, esperamos que possa se concretizar nos próximos meses. 

Temos uma Aliança Francesa desde 1972, que acolhe cerca de 300 estudantes de francês, temos ateliês de vinho, de moda, a partir de 6 de junho teremos o Festival do Filme Francês no Shopping Ponta Negra. Estamos muito orgulhosos do ensino do francês na Escola Bilíngue José Carlos Mestrinho, que uma parceria entre a Embaixada da França e os Bombeiros e atende 700 estudantes.

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