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Sentindo-se prejudicados, moradores da ‘Green Ville do Tucumã’ querem trocar de lugar

"Não é uma invasão como as outras, só queremos trocar de lugar, por questão de segurança”, justificou um morador do local 10/01/2015 às 09:06
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Parte da área já foi ‘reservada’ por um condomínio, por meio de cerca
nelson brilhante ---

Pense numa invasão urbana e com características totalmente diferentes das demais! Desde domingo, moradores do “Green Ville do Tucumã”, um conglomerado de aproximadamente 200 barracos, tenta ocupar uma área ao lado, nas margens do igarapé do Bindá, entre os bairros União e Parque Dez, Zona Centro-Sul. Eles alegam que o local não é particular: seria da Marinha por estar próximo ao igarapé, e bem mais seguro que onde moram atualmente.

“A rede de esgoto desses condomínios desemboca na área das casas. Quando chove, ou quando eles secam as piscinas, é uma calamidade, a água vem toda pra cá. As crianças não podem nem ir para a escola. Só queremos mudar de lugar. Não é uma invasão como as outras, só queremos trocar de lugar, por questão de segurança”, justifica um morador que não quis se identificar.

Atendendo à denúncia dos moradores dos condomínios, quase que diariamente a Polícia Militar (PM) vai ao local e afugenta os invasores, usando até spray de pimenta e balas de borracha. O Batalhão de Polícia Ambiental também esteve no local por entender que se trata de uma área verde, embora o que se vê seja um capinzal, que virou lixão e depósito de entulho de material de construção. A área verde fica na margem oposta do igarapé do Bindá.

“Só queremos sair da mira dos esgotos e da alagação. Não tem mais condições de morar aí. Tá certo que não é uma coisa legal, mas todos os condomínios invadiram mais de vinte metros e agora eles não querem que a gente faça o mesmo, pra se livrar desse sofrimento. Quando chove, primeiro alaga e depois fica um lamaçal”, reclama uma moradora.

O muro dos fundos de um dos condomínios de residências já caiu três vezes e por pouco não provocou um acidente grave, visto que a parte que desabou fica muito próxima dos barracos.

De acordo com os moradores, os imóveis já foram cadastrados pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), mas o assunto caiu no esquecimento.

“Vieram aqui e marcaram todas as casas com um código e depois sumiram. O que soubemos é que o Prosamim já deu esse serviço, que nunca começou, como concluído”, denunciou outro morador anônimo.

Eis o ‘Green Ville do Tucumã’

O nome “Green Ville do Tucumã” é um misto de ironia, devido ficar por trás de um condomínio de luxo (Green Ville) e à principal atividade comercial dos moradores da invasão. Famílias inteiras ganham a vida descascando e tirando a poupa de tucumã, serviço prestado a micro-empresários do ramo que comercializam o produto em vários pontos da cidade. Por cada quilo de polpa extraída eles recebem R$ 5.

É comum parentes que estão desempregados e moram em outros bairros de Manaus virem diariamente para participarem da jornada e salvarem uns trocados. Na barricada que foi montada pelos moradores, na tentativa de impedir a entrada das viaturas da Polícia Militar, o que mais tinha era caroço de tucumã.

Tarumã

A penúltima invasão registrada em Manaus surgiu entre a estrada do conjunto Vivenda Verde e o igarapé do Tarumã Açu, na Zona Oeste. A área, que foi invadida por centenas de famílias, já tem ruas e posteamento para energia elétrica.

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