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Manaus
rotina alterada

Série de assaltos está fazendo o comércio manauara fechar mais cedo

Ousadia dos bandidos obriga que comerciantes e consumidores mudem hábitos para evitar a violência 25/06/2016 às 23:08 - Atualizado em 26/06/2016 às 10:33
Show lima
Foto: Antônio Lima
Joana Queiroz Manaus (AM)

Postos de combustíveis e lojas em centros comerciais de Manaus estão fechando mais cedo para evitar assaltos e garantir o retorno dos funcionários para as casas com segurança. “A gente fatura menos, mas evita que o arrecadado durante o dia seja levado pelos ladrões. De quebra ainda preserva a vida dos funcionários”, disse um empresário, que identificou-se apenas como “Carlos”. Ele é dono de duas lojas de tecido no Centro e nos últimos anos sofreu vários assaltos.

Postos de gasolina que antes funcionavam 24 horas por dia, agora estão fechando durante a noite. Muitos proprietários, devido aos constantes assaltos, estão preferindo fechar os estabelecimentos por volta de 23h e voltando a funcionar no dia seguinte. A nova prática é confirmada pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Amazonas (Sindcam), Luiz Felipe Pinto.

A situação não é diferente com os lojistas da tradicional rua do Comércio, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul. “Aqui quem não está fechando mais cedo está trabalhando na tranca”, disse uma comerciante que também prefere não revelar o nome. De acordo com este comerciante, as lojas ficavam abertas até às 19h, mas agora fechando até uma hora e meia antes devido aos frequentes assaltos.

Rodrigo Ferreira, 26, tem uma loja de assistência técnica de celulares na rua do Comércio. Ele disse que nunca foi assaltado, mas outros comerciantes da área sim. Por medo de ser atacado por ladrões, ele decidiu fechar o seu estabelecimento, uma hora e meia antes. Para ele é mais seguro perder clientes do que enfrentar os riscos.

O medo de ser assaltado não é de hoje, dizem os comerciantes, mas o que piorou nos últimos meses é a frequencia com que acontecem assaltos em estabelecimentos comerciais e aos próprios consumidores. Outro ponto é o modo mais violento e ousado dos ladrões. Eles chegam como clientes e, de repente, mostram uma arma e anunciam o assalto. Exigem da vítima dinheiro e quando ela não tem torturam e ameaçam de morte.

Professores e alunos de Medicina da Universidade Federal do Amazonas reclamam da falta de segurança nas ruas próximas ao hospital Getúlio Vargas, Afonso Pena, Ayrão e avenida Alvaro Maia. De acordo com eles, os ataques acontecem tanto na saída, quanto na chegada e também nas paradas de ônibus.

O cirurgião plástico Nadall Raad disse que houve casos que aconteceram com colegas e alunos. “Eles levam carros, celulares e bolsas”, contou.

A médica residente Larissa Ribeira, 28, disse que já presenciou duas pessoas sendo assaltadas na saída da faculdade e, de acordo com ela, os assaltos acontecem todos os dias. Já os alunos confirmam os assaltos nas paradas de ônibus, mas preferem não comentar.

Comércio do Centro é ‘visado’

Lojistas do Centro confirmaram o fechamento dos estabelecimentos uma hora mais cedo. Uma loja de tecido, na rua Lobo D´Almada está fechando, às 17h. O dono, que identificou-se como “Paulo”, disse que as vendas caíram muito, e no final da tarde são poucos os clientes que se dispõem a correr o risco de fazer compras.

O dono de outro estabelecimento, na rua 10 de Julho, disse que fecha antes das 18h. “Aqui depois das 17h vira um deserto e perto temos um reduto de criminosos que é esse prédio da Santa Casa de Misericórdia”, disse o comerciante.

Dono de um restaurante, “Leandro” disse que trabalha de portas fechadas. “Passou das 13h, fechamos e só abrimos a porta para atender clientes conhecidos”, disse. De acordo com Leandro, a falta de iluminação nas ruas favorece o crime. Agora ele ganhou o costume de dar duas voltas no quarteirão antes de entrar em casa por medo dos ladrões.

Terror em frente de casa

A dona de casa Iani Ferreira Gonçalves, 49, foi rendida por dois ladrões quando estava em frente a sua casa, na rua 18, conjunto Costa e Silva, bairro da Raiz. “Antes a gente podia ficar na frente das nossas casas conversando. Hoje se fizermos isso somos assaltados”, disse.

Blog: Lukas Maia, estudante

"Fui assaltado duas vezes por ladrões que levaram o meu celular. Os assaltos aconteceram em via pública; estava com o aparelho na bolsa quando fui atacado. Um deles estava armado, apontou na minha direção, anunciou o assalto e mandou entregar o celular. No outro caso eu não vi nenhuma arma, mas não tenho a certeza de que ele estava desarmado quando me mandou entregar o celular. Em nenhuma das duas situações eu reagi. Achei que não valia a pena e era perigoso. Hoje temendo novos assaltos passei a não sair mais nas ruas com o celular. Todas as vezes que saio de casa deixo o telefone. Assim evito que criminosos levem o meu celular. As ações de ladrões inibem a gente e é preciso estar mais atento com a nossa segurança porque os assaltos acontecem em todo lugar".

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