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Manaus
"PORTA A PORTA"

Serviço de coleta seletiva domiciliar alcança apenas 1,8% em Manaus

São apenas 12 rotas fixas de coleta seletiva na capital amazonense, que atendem 120 unidades residenciais. Prefeitura afirmou que "tem feito sua parte" 19/04/2018 às 08:02
Show coletiva seletiva
Apesar de esforços pontuais, Manaus está longe de tratar todo o lixo que produz da forma mais (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

O serviço de coleta seletiva domiciliar alcança apenas 1,8% da capital amazonense. São apenas 12 rotas fixas de coleta seletiva “porta a porta” em Manaus, que atendem a 120 conjuntos e condomínios residenciais, além disso, a prefeitura garante que implantou a coleta seletiva também no Centro da cidade.

Essa modalidade é somente uma das formas previstas na  lei para tratar os resíduos de forma correta (a coleta seletiva); outra é a ação de catadores e engajamento de instituições, o que tem acontecido de forma razoavelmente bem.

Especialistas afirmam que o ponto chave que mudará a forma como o lixo é descartado e tratado é a educação da sociedade.

Diante do vácuo do poder público e na tentativa de reverter o quadro crítico por meio da educação, catadores da Eco Cooperativa iniciaram um trabalho de conscientização e coleta de material reciclável no sistema “porta a porta” no bairro Terra Nova, na Zona Norte da capital.

Os 20 profissionais que atuam na cooperativa firmaram uma parceria com a  Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), que desenvolve o projeto “Dê a mão para o futuro”. Na prática, os catadores saem pelas ruas do bairro entregando informativos sobre a importância da coleta seletiva para o meio ambiente e para o trabalho dos catadores. Após a campanha educativa, eles marcam um dia da semana para passar recolhendo o material que foi selecionado pelos moradores da comunidade.

 “O trabalho mais difícil, mas muito importante é a conscientização da população, eles precisam entender como essa ação é importante. Sem dúvidas, esse é o nosso maior desafio, não somos tão valorizados, mesmo desenvolvendo um trabalho tão importante na contramão de ações que poluem e destroem, além de dar oportunidade  de renda para diversas famílias”, disse Maria Socorro Dácio, a Ruth, coordenadora da Eco Cooperativa.

Cleiton Camargo, coordenador do projeto da ABIHPEC, contou que o trabalho é voltado primeiramente para a reeducação e conscientização dos moradores do bairro. Os catadores da Eco Cooperativa receberão acompanhamento e treinamento da associação de cosméticos por cerca de três meses. Após o trabalho com a Eco Cooperativa, outras quatro cooperativas de Manaus também participarão das ações no bairro onde são localizadas.

“É um trabalho importante que já desenvolvemos em outras regiões do País. Em Manaus, começamos na segunda-feira e vamos ampliar ainda mais”, disse Cleiton Camargo.

A cooperativa recolhe de 20 a 22 toneladas de materiais recicláveis como papelão e plásticos, em aproximadamente 15 pontos na Zona Norte da cidade. O material, segundo Maria, é separado na sede da associação, na avenida Arquiteto Bento Rodrigues, no Terra Nova, e, posteriormente, é levado para as empresas que compram esse tipo de material. No total, 20 pessoas trabalham na cooperativa. “Temos jovens que estudam a noite e de dia trabalham com a gente. Somos uma grande família na verdade porque trabalhamos com o que acreditamos que vai fazer a mudança na nossa região. Cada uma dessas pessoas recebe entre 200 a 400 reais por semana, mas varia muito e o valor é dividido entre todos os cooperados”, informou.

Prefeitura: fazemos nossa parte

Apesar de o número ser insuficiente para os catadores, há 23 postos de coleta seletiva em Manaus, conforme a prefeitura. Destes, 19 são associações, galpões, núcleos de catadores e grupos independentes que trabalhando recebendo materiais. Ainda conforme nota da prefeitura, outros quatro são os Pontos de Entrega Voluntária (PEV), que são mantidos pelo Município, mas sob coordenação dos catadores.

Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, é dever dos municípios implantar a coleta seletiva com a participação de cooperativas de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. Em nota, a Prefeitura de Manaus frisou que tem feito sua parte, apoiando integralmente as atividades de catação, fornecendo logística aos grupos de catadores e mantendo rotas de coleta seletiva porta a porta pela cidade.

Sensibilização

Para a professora do Departamento de Química da Ufam Karime Bentes, o principal entrave na questão de coleta seletiva em Manaus ainda é a sensibilização da população. Segundo ela, é preciso levar a sociedade a importância desse tipo de ações tanto para o meio ambiente quanto para os  catadores.

Órgãos dão exemplo

Em 2017, o índice de coleta domiciliar saiu de 0% para 1,8%, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).  A coleta seletiva recolheu cerca de 543,1 toneladas, uma media de 0,9 tonelada por rota. A prefeitura ressaltou que espera que as empresas também façam sua parte, criando mecanismos para o estabelecimento da logística reversa em Manaus.

Órgãos como o Exército, Comando Geral da Policia Militar, Câmara Municipal de Manaus (CMM), Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema),   Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam)  e Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) – que será aberto ao público –  também realizam coleta seletiva e são pontos de entrega de materiais.

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