Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
ENTREVISTA

Setor da saúde será modernizado, diz governador Wilson Lima

O governador do estado do Amazonas aumentou o orçamento do setor de saúde para 2020 e com isso quer resolver problemas herdados de gestões anteriores e que causaram grandes transtornos



governador_7500A300-94F1-445C-B974-B0A59E54875C.JPG Além de falar sobre os planos para a saúde em 2020, o governador fez uma balanço do ano. Foto: Junio Matos
29/12/2019 às 11:41

O governador do Estado, Wilson Lima (PSC), afirmou em entrevista transmitida ao vivo pelo portal A CRÍTICA que os R$ 45 milhões reservados para investimentos na Secretaria de Estado de Saúde (Susam), em 2020, serão aplicados na modernização do setor. Outra medida confirmada para o próximo ano é a  contratação de servidores sem a intermediação de empresas terceirizadas, o que, na avaliação de Wilson Lima, resolverá o problema dos atrasos no pagamento desses funcionários. O governador, na entrevista,  também fez um balanço em relação a contribuição do Estado aos empreendedores regionais e  anunciou que o Fórum Global dos Governadores para Climas  e Floresta (GCF) vai ser realizado em Manaus em 2020. Confira a entrevista.

Com a recente repercussão nos veículos de comunicação sobre a saúde do Estado, o Governo vai trocar o secretário de saúde?



Qualquer cargo comissionado no Governo do Estado é passível de demissão. Eu não estou pensando nisso e acredito que não é demitindo um secretário que se resolve o problema da saúde. Especificamente sobre o caso do Hospital Francisca Mendes, é uma situação há muito tempo estamos enfrentando dificuldades e problemas. Inclusive as decisões que foram emitidas nesse ano foram resultado de ações impetradas em 2017 e 2018. E quase ninguém teve coragem de encarar esse problema e resolver. E a gente está fazendo isso.

O senhor falou que tomou medidas impopulares e que elas causam preocupação na população. Que medidas impopulares são essas?

Sobre a saúde estamos encontrando um caminho para resolver essa nossa relação com os funcionários que são contratados por empresas e cooperativas. Porque houve um ruído muito grande na comunicação sobre a questão do pagamento a essas pessoas. É importante dizer que a relação do Governo é com as empresas e não com os funcionários. Em algum momento os funcionários questionam, e com muita razão, o tempo que eles demoram a receber.

O que o Estado está fazendo? O Governo vai contratar diretamente essas pessoas e então vai poder responder pelo pagamento delas. Essa medida, por exemplo, é uma medida que não agrada muitos empresários que militam na área de saúde. Há alguns procedimentos que estamos adotando no controle das unidades. Ninguém quer que a gente coloque ponto eletrônico nas unidades de saúde. Mas são medidas que são necessárias. Estamos trabalhando para que haja o controle efetivo de liberação de medicamentos, de controle de  procedimentos cirúrgicos. Quantas pessoas estão sendo operadas, nesse momento, por unidades, em toda a rede? Hoje estamos começando a caminhar nesse processo, mas quando eu assumi o Governo isso era quase ‘zero’

O “amadorismo” no funcionamento das instituições lhe surpreendeu?

Quando eu assumi o Governo, tudo no Estado era muito arcaico. E esta é a grande dificuldade que eu tenho hoje de modernizar o Amazonas. Um problema muito grande que estamos superando é a implantação do Diário Oficial Eletrônico (DOE). Hoje ainda, para publicar algo no DOE, são necessários cinco dias. Nós estamos em fase de teste para que as publicações sejam feitas em até três horas. Da mesma forma que nós caminhamos significativamente na Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA), hoje, no Amazonas, o empresário abre a sua empresa em tempo real.

O orçamento para investimento na saúde do Estado é nove vezes maior do que a do ano anterior. De 5 milhões, saltou para 45 milhões. Onde o senhor considera mais importante a aplicação desse recurso?

Na modernização, porque sem modernização não tem como ter controle de liberação de medicamentos, e do funcionário que está indo trabalhar. Se eu tenho, em tempo real, um ponto eletrônico e eu vou lá na Secretaria de Saúde e tenho as informações  de quantos servidores estão hoje, em um determinado hospital. Se eu tiver o controle de medicamentos, tem como eu saber se o estoque está crítico. Tem como eu acionar a Central de Medicamentos para que isso seja reabastecido. Sem contar que a inteligência artificial me dá uma previsão para o ano que vem, para saber o quanto de medicamentos tenho que ter.

Esse orçamento é suficiente para o andamento do Sistema de Saúde?

Hoje o Estado gasta R$ 188 milhões por mês, na área da saúde. É muito dinheiro para um retorno muito pequeno. O que estamos fazendo é otimizando esse gasto. No caso do Hospital Francisca Mendes houve uma determinação judicial para que o Estado rescindisse com a Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol . No dia 4 de dezembro nós em conjunto com outros órgãos públicos repactuamos com essa empresa e estamos tendo uma administração compartilhada na unidade hospitalar. Demitimos mais de 100 pessoas. Nós reduzimos de 45 comissionados para 9 comissionados. Isso é uma medida impopular, que desagrada alguns. Estamos comprando R$ 1 milhão de equipamentos e insumos e equipamentos cardiológicos. A farmácia do Hospital Francisca Mendes está 100% abastecida. Não falta um medicamento sequer para qualquer procedimento.

Em relação aos outros Governos na Amazônia, quais os principais pontos convergentes na questão ambiental e quais os pontos que precisam ser afinados?

No grupo de nove governadores na Amazônia, quando nos reunimos pela primeira vez em maio deste ano, ficou acordado que não tocaríamos nos pontos em que não houvesse convergência e nós só tratamos de questões em que há consenso como: regularização fundiária, zoneamento econômico e ecológico, preservação permanente, e o pagamento para serviços ambientais. Há também a questão da unificação da legislação ambiental, tanto do Governo Federal quanto dos estados, no que diz respeito ao meio ambiente.

No ano que vem o Fórum Global dos Governadores para Climas e Floresta (GCF) vai ser realizado aqui em Manaus, para reunir todos esses governadores. Tive a oportunidade de conversar com vários governadores do mundo e convidá-los.

A questão da bioeconomia, por exemplo, é comum a todos os governadores, e essa é uma pauta muito presente no Estado do Amazonas. Podemos contribuir com empresas do Distrito Industrial, que tem estudos sobre algumas questões, como o couro do peixe pirara, que é mais resistente do que o couro de boi. Tem uma empresa que está fazendo combustíveis a partir dos restos de peixe. É uma atividade altamente sustentável porque peixe é o que não nos falta aqui na região. Temos alguns projetos que estão sendo desenvolvidos no município de Maués, no tratamento de pacientes com diabetes com suco de abil.

O homem do Amazonas vai ganhar com esta iniciativa?

O que a gente precisa é agregar valor ao nosso produto. O açaí, por exemplo, não pode continuar saindo daqui em natura. Se ele sai daqui a natura, o sul e os mercados internacionais ganham. Lá ele é transformado em açaí em pó, e outras variedades e depois retornam para o Amazonas e  a gente compra. Isso tem que sair daqui. E esse é um compromisso que as empresas que estão se instalando aqui estão assumindo com o Estado do Amazonas. Eu vejo um potencial muito grande no manejo do pirarucu e de outros peixes. Já há uma sinalização positiva do Ministério do Meio Ambiente de conceder a autorização para que o Estado autorize o manejo do jacaré. Temos uma super população de jacaré e se pode utilizar o couro, a carne, osso e até a urina pode ser usada como fixador para perfume. Então nós temos muitas possibilidades.

Como o senhor avalia a atuação da Segurança Pública no combate às facções criminosas?

A nossa atuação na área de Segurança Pública foi muito positiva esse ano. Apesar de que ainda temos muita coisa pela frente para fazer e combater.  Sobretudo, a questão do tráfico de drogas na fronteira do Peru e a Colômbia que são os maiores produtores de droga no mundo. Recentemente nós tivemos uma conquista muito positiva, que foi a questão do Centro de Inteligência.

Isso vai contribuir muito na troca de informações que vai ser muito mais rápida a todos os bancos de dados do país.

Como o senhor fez para suprir a inexperiência no primeiro mandato como político?

Eu me preparei muito para esse momento. Conversei com pessoas experientes, com políticos de outras partes do Brasil e me cerquei de técnicos.

Perfil

Nome: Wilson Miranda Lima

Idade: 43 anos

Formação: jornalista

Experiência:  antes de atuar na área de comunicação, o governador trabalhou como comerciante em uma agência de viagens e como professor em uma escola de idiomas. De 2006 a 2018, trabalhou na Rede Calderaro de Comunicação (RCC), onde apresentou os programas  Manhã no Ar e Alô Amazonas.


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