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Manaus
Careio Castanho

Sem transporte escolar, alunos perdem aula em município da Região Metropolitana

Estudantes da zona rural do Careiro Castanho faltaram 35 dias desde o início do ano letivo 02/06/2016 às 21:33 - Atualizado em 03/06/2016 às 14:18
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Em protesto contra o problema crônico no transporte escolar, pais e estudantes fecharam a rodovia BR-319 (Foto: Divulgação)
Silane Souza Manaus (AM)

Desde que começou o ano letivo na zona rural de Careiro Castanho (município a 88 quilômetros de Manaus) -  dia 2 de março - até esta quinta-feira (2), alunos que moram em ramais ao longo da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) e estudam na sede do município e no Distrito do Araçá ficaram 35 dias sem ir à escola. Ou seja, em três meses de aula, durante um eles ficaram sem frequentar a sala de aula. O motivo? Falta de transporte escolar, por conta de atrasos no pagamento  dos motoristas, denunciam moradores.

Os pais dos estudantes prejudicados realizaram uma manifestação na BR-319, a fim de chamar a atenção das autoridades competentes para o problema que os alunos enfrentam desde o começo do ano letivo. O ato aconteceu de 8h às 12h30, no quilômetro 54 da rodovia. Na ocasião, eles fecharam a via por vários momentos e pararam os veículos para explicar o motivo do protesto. Eles já havia feito uma ação parecida no dia 9 de maio. 

Interrupções constantes

Mãe de aluno afetado com a falta de condução escolar e uma das lideranças do ramal São João, a agricultora Lucinha Santos, 38, contou que os estudantes tiveram transporte do dia 2 de março a 18 de abril, mas após essa data ficaram 21 dias sem poder ir à escola porque não havia ônibus que os levassem. Apenas no dia 11 maio a condução voltou a funcionar, mas no dia 19 do mesmo mês, segundo ela, o transporte escolar parou de ser feito novamente. 

Desde então, somente nesta quinta-feira, por conta da manifestação, os ônibus escolares voltaram a circular pela estrada para levar os alunos à escola municipal, que fica no Distrito do Araçá. “A primeira paralisação do transporte escolar de Careiro durou 21 dias, a segunda, 14. E ontem só teve ônibus porque o prefeito soube da manifestação que íamos fazer e rapidamente providenciou a volta deles, mas até quando eles funcionarão?”, indagou Lucinha. 

A agricultora Janaina Schineid, 37, moradora do ramal São José, está indignada com a ausência de representatividade da Prefeitura de Careiro Castanho e da Câmara Municipal do município, que não fazem nada para resolver o problema, segundo ela. “Nós já fomos falar com os vereadores, com os secretários e com o prefeito, mas ninguém até agora quis nos ajudar. São 35 dias que a minha filha está fora da sala de aula. Isso é um absurdo. Não aguentamos mais esse descaso com as nossas crianças”, pontuou.

Promessa

A reportagem tentou contato com o prefeito de Careiro Castanho, Hamilton Villar, mas não obteve sucesso. No dia 9 de maio, o representante da prefeitura do município, em Manaus, Jocimar Trindade, informou que Villar “daria prioridade ao tema”, o que não aconteceu.

Opinião de Miguel Pacheco, membro do Sindicato Rural de Careiro Castanho

"Fizemos uma manifestação pacífica com o objetivo de chamar a atenção para o drama dos estudantes da Zona Rural de Careiro Castanho. Tem alunos que caminham mais de 12 quilômetros para chegar à BR-319 porque não tem condução dentro dos ramais e, sem transporte escolar, muitos acabaram abandonando a escola. Mas esse problema não é de hoje, são mais de três anos de sofrimento. O pior de tudo é que a Câmara de vereadores do município está surda e muda. O Ministério Público também. Os ramais do Careiro estão abandonados, os moradores desamparados e as crianças não conseguem ir à escola porque não têm transporte, uma competência do município”.

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