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Manaus
SEGURANÇA

Praça da Saudade vira ‘reduto’ de ladrões no Centro de Manaus

Diante da falta de segurança pública, assaltantes promovem ‘arrastões’ em estudantes na Praça da Saudade 17/03/2017 às 05:00
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Falta de segurança amedronta estudantes que precisam pegam ônibus na Praça da Saudade, no Centro de Manaus
Kelly Melo Manaus

Marlessandra de Paula, 20, é universitária e todos os dias  enfrenta uma viagem de aproximadamente 2h de Manacapuru até Manaus para estudar. Mas todo o esforço dela e de cerca de outros mil estudantes do interior tem sido ameaçado por uma “onda” de assaltos na praça da Saudade, no Centro. 

A praça da Saudade é o ponto de encontro dos universitários que vêm do interior durante o dia inteiro. Eles descem dos ônibus no local e, de lá, cada um segue para suas aulas e, no fim do dia ou da noite, retornam para pegar o ônibus e voltar para casa. Mas o descaso com a segurança pública e o abandono da praça têm facilitado a ação de criminosos que, de dia e de noite, atacam os universitários para roubar objetos como celulares, jóias e até sapatos. “Outro dia abordaram um colega que estava esperando para entrar no ônibus. Os bandidos pegaram o celular, pulseira e até o tênis dele. Quase todos  os dias acontece algum roubo aqui nessa área”, reclamou o estudante de Educação Física Kenned Lima, 25. 

O estudante afirma que os assaltos estão se tornando cada vez mais rotineiros durante o dia. Mas é à noite que a situação fica mais preocupante, diz ele. “Não tem iluminação suficiente na praça e os colegas ficam aglomerados em frente à pizzaria, mas não adianta nada”, conta. No início da semana, de acordo com ele, três alunos tiveram os celulares roubados de uma só vez. 

A universitária Érica Cardoso, 25,  afirma que o policiamento nas proximidades da praça é ineficiente. Como as viaturas da Polícia Militar não são vistas rondando pelo local, os criminosos agem facilmente. “Os bandidos não só ameaçam os alunos como também agridem. Geralmente eles estão armados com revólveres ou facas e isso nos deixa cada vez mais assustados”, contou ela. 

O motorista José Abílio, 48, também afirmou que a presença de moradores de rua influencia na sensação de insegurança dos alunos. Como todos os ônibus que vêm de Manacapuru estacionam no entorno da praça, ele acredita que em muitos casos são essas pessoas que cometem os crimes ou passam informações para criminosos.  “Isso aqui fica muito perigoso a noite porque a lateral da praça não tem iluminação, vários moradores de rua se agasalham em algumas coberturas e ninguém toma providência. Às vezes a gente está dentro do ônibus e vê os crimes acontecerem, e nunca aparece uma viatura da PM”, reclamou Abílio, que criticou também a ausência de guardas civis municipais para manter a segurança de quem frequenta a praça. 

Os universitários Érica Cardoso, 25, e Kenned Lima, 25, vem de Manacapuru para Manaus para estudarem. (Jander Robson/Freelancer)

Policiamento
De acordo com o comandante da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), capitão Daniel Segadilha, o policiamento ostensivo tem sido feito em todo centro da cidade, mas há uma grande demanda e áreas prioritárias. Ele destacou que até o momento não nenhuma denúncia oficial sobre a situação na Praça da Saudade chegou a até ele e solicitou que os alunos procurem o Cicom para conversar sobre a problemática. “A polícia não está de braços cruzados, pelo contrário, temos uma demanda altíssima e estamos trabalhando incansavelmente para levar mais segurança para a nossa área”, afirmou ele.
O comandante sugeriu ainda que os alunos mudem de ponto, como para a Praça do Congresso, também no Centro, que é mais movimentada e iluminada. 

Requerimento pedindo policiamento
Cansados e preocupados com o risco a que estão vulneráveis, o vice-presidente da Associação Municipal dos Estudantes Universitários de Manacapuru (Ameum), André Conde,  disse que os alunos estão se mobilizando para criar um requerimento e abaixo-assinado para encaminhar à Polícia Militar e pedir mais policiamento na praça da Saudade. 

“Já fizemos isso em 2015 e funcionou por alguns dias, mas depois acabou caindo no esquecimento. Agora vamos encaminhar um novo requerimento solicitando o policiamento porque a situação está ficando cada vez mais preocupante, principalmente para os colegas que muitas vezes saem daqui às 23h”, disse. 

Para André Conde, a problemática chega até ser contraditória, já que o local está em plena área central. “Não só os alunos de Manacapuru são alvos desses criminosos, mas todo mundo que passa pela praça. Aqui deveria ter policiamento direto, porque é uma área movimentada”, criticou ele.

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