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Manaus
Início dos Testes

Voluntários começam a receber vacina contra a dengue, em Manaus

Em Manaus, o estudo da FMT e Instituto Butantan prevê a vacinação de 1,2 mil voluntários, que passarão a ser acompanhados por um período de 5 anos, para verificar a eficácia e a duração da proteção da vacina 30/06/2016 às 19:53 - Atualizado em 01/07/2016 às 14:11
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Um dos voluntários, Josenildo Araújo da Silva, sendo vacinado (Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

O soldador Josenildo Araújo da Silva, 41, nunca pegou dengue, mas ele não pensou duas vezes ao aceitar ser um dos 1,2 mil voluntários que farão parte da terceira e última fase dos estudos sobre a vacina contra a doença, em Manaus. Ontem, durante o anúncio do início dos testes na capital amazonense, ele e mais duas pessoas receberam a primeira e única dose da vacina, que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan com o apoio do Ministério da Saúde.

Josenildo disse que quando soube que foi sorteado pela equipe de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde (UBS) Arthur Virgílio Filho, aceitou na hora fazer parte dos estudos por acreditar que é muito importante. “Quando falaram da pesquisa vi que é muito boa porque busca proteger as pessoas contra a dengue. Pelo que entendi, a vacina é para prevenir a doença, por isso, aceitei ajudar e fazer parte desse momento histórico”, declarou.

Em todo o País, os testes deverão abranger a vacinação e o acompanhamento de 17 mil voluntários, distribuídos em 13 cidades, nas cinco regiões brasileiras. De acordo com a diretora-presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, os voluntários passarão a ser acompanhados por um período de 5 anos para verificar a eficácia e a duração da proteção da vacina. A previsão é que os 1,2 mil voluntários estejam todos vacinados em até um ano.

A FMT-HVD é um dos 14 centros de pesquisa escolhidos, no Brasil, para executar esta última fase dos estudos sobre a vacina, antes que ela possa ser submetida à Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) para registro. A diretora-presidente da instituição destacou a importância desse momento. “Nada tem de melhor para se prevenir a doença do que as vacinas. Então é um dia muito importante para todos nós que trabalha com a saúde e com as doenças endêmicas”, afirmou Graça Alecrim.

Os voluntários de Manaus foram escolhidos por sorteio, dentre os pacientes acompanhados pela equipe de Saúde da Família da UBS Arthur Virgílio, unidade da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) que será parceira da FMT-HVD no estudo. “Este critério é para evitar que os voluntários sejam, predominantemente, pessoas que tiveram dengue muitas vezes e que, certamente, teriam maior interesse em participar do estudo”, destacou o pesquisador da FMT e da Fiocruz Amazônia, Marcus Lacerda.

Neste ano, o Amazonas tem 10.655 casos de dengue notificados, sendo 6.187 na capital, de acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, destacou que a região registra os quatro sorotipos da doença (1, 2, 3 e 4) e a vacina é destinada a imunizar todos eles. 

De 2 a 59 anos

Os voluntários de Manaus têm faixa etária de 2 a 59 anos. Para efeito de estudo, serão organizados em três grupos (de 2 a 6 anos; 7 a 17 anos; e 18 a 59 anos). Não podem participar grávidas, pessoas que sofrem de doenças crônicas – como o câncer -, que estejam em tratamento com quimioterápicos, altas doses de corticóide ou outras situações de baixa imunidade.

Substância similar

Do total dos voluntários, 2/3 (800) receberão a vacina e 1/3 (400) receberá placebo,  uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem o vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica e nem o participante saberá quais voluntários recebem a vacina e quais receberam o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e se quem tomou o placebo contraiu a doença.

Monitoramento

O anúncio dos testes em Manaus e as primeiras doses da vacina contra a dengue em voluntário da capital,  que é a terceira cidade brasileira a iniciar esta fase do estudo, foram feitos ontem pela Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e o Instituto Butantan, de São Paulo. O evento ocorreu na Unidade Básica de Saúde (UBS) Arthur Virgílio, no bairro Amazonino Mendes, na Zona Norte.

O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, ressaltou que, embora o acompanhamento dos voluntários deva se estender por 5 anos, é possível que os resultados parciais do estudo permitam solicitar o registro do novo imunobiológico na Anvisa antes disto e a vacina possa ser disponibilizada à população pelo Ministério da Saúde em dois ou três anos. “É muito provável que daqui um ano conseguiremos saber se a vacina funciona ou não”, afirmou. Ele destacou que o Butantan está construindo uma fábrica porque se der certo a instituição tem que produzir a vacina em grande escala.

Blog: Homero de Miranda Leão, secretário municipal de Saúde

"Os testes da vacina da dengue em Manaus serão apoiados por nossa rede de Atenção Básica, por isso, os voluntários foram escolhidos e serão acompanhados pela equipe de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde Arthur Virgílio Filho. Essa UBS foi escolhida porque tem uma grande estrutura que vai poder acolher esse trabalho, além de ser centralizada e fica numa área onde se concentra os mais elevados casos da doença, de acordo com o nosso Levantamento do Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa). A vacina contra a dengue é um avanço importantíssimo para a medicina. A dengue faz milhares de vitimas a cada ano, é uma doença endêmica e essa testagem em Manaus é bem-vida. Este é um momento histórico para a saúde pública no mundo. Agradeço à Susam e ao Instituto Butantan por terem inserido uma unidade de saúde da atenção básica neste estudo tão simbólico. Tenho certeza que será um sucesso e estamos honrados em contribuir”.

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