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Manaus
Meio Ambiente

Balsa recolhe lixo na orla do Amarelinho sem licença polui rio Negro

Balsas particulares que recolhem resíduos de navios e barcos aportam na beira-rio sem qualquer licença 15/07/2016 às 05:00 - Atualizado em 15/07/2016 às 11:28
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Conforme o relato dos moradores do Educandos, balsa cheia de resíduos sólidos fica aportada por até três semanas (Divulgação)
Silane Souza Manaus (AM)

Pelo menos duas balsas de coleta de  lixos de navios e  ficam ancoradas na orla do Amarelinho, no bairro Educandos, Zona Sul, estão incomodando moradores daquela região que não sabem mais a quem recorrer, visto que uma parte dos resíduos acabam sendo descartados de forma irregular no próprio rio Negro.

De acordo com o presidente da Comissão Reviva o Educandos, Gil Eanes Cardozo, o fato começou aparecer este ano, tendo em vista que nos anos anteriores esta situação não era vista naquela área do bairro de Educandos. 

Conforme ele, na última terça-feira, pela quinta vez neste ano e pela segunda em menos de um mês, uma das balsas voltou a ser ancorada na orla do Amarelinho. “Ela recolhe o lixo dos navios e, em vez de dar a destinação correta, fica ancorada na orla por até três semanas, como aconteceu mês passado. Dentro de poucos dias, boa parte do lixo é jogado no leito do rio pela ação das chuvas, pelas aves de rapinas e animais peçonhentos e pelos moradores de rua. E simplesmente ninguém faz nada”, declarou Eanes.

Ele disse que há três semanas denunciou o caso a diversos órgãos públicos, mas não obteve nenhuma resposta. De acordo com ele, isso gera diversos problemas. “Temos visto resíduos boiando ao lado da balsa. Também tem a questão do chorume produzido pelo lixo que fica acumulado por dias e que é levado para as águas do rio, principalmente quando chove. Tudo isso é grave, pois o Amarelinho tem um cunho ecológico e é um ponto de maior relevância histórica do nosso bairro”, lamentou. 

Proprietário

A autônoma Maria Araújo, 35, (nome fictício para preservar sua identidade), que trabalhou em uma dessas balsas em 2014, revelou que uma pertence a um senhor conhecido como Miguel e a outra a um certo Raimundo. Ambos trabalham há algum tempo com esse tipo de serviço de recolhimento de resíduos das embarcações ancoradas na orla de Manaus. “Eles coletam lixo dos navios e na volta fazem com que os funcionários joguem papeis entre outros no meio do rio para deixar mais espaço livre no container para os demais tipos de resíduos, pois pagam por metragem”, disse.

De acordo com ela, todos os tipos de lixo gerado nos navios são trazidos por essas balsas para um ponto qualquer da orla do Amarelinho, que fica menos visada. “Vem de tudo o que é gerado pela tripulação dessas embarcações, como resto de comida, papelão, compensado, lata de alumínio e até pano sujo de óleo. Geralmente, papelão e pano sujo de óleo são jogados no rio, poluindo o meio ambiente”, afirmou, destacando que, nos navios, os resíduos são separados e bem organizados, mas na hora de dar destinação a esse lixo é que muitas vezes não é feita de forma correta.

Relato é simples

“Só o fato dessas balsas ancorar no Amarelinho estando carregada de lixo proveniente de navios, inclusive estrangeiros – sabe-se lá o que está contido nesses resíduos – é preocupante”, diz o presidente da Comissão Reviva o Educandos, Gil Eanes Cardozo.

Secretária está ciente do caso

A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que a situação  chegou ao órgão e o titular da pasta, Paulo Farias, está tomando as providências legais. “Essas balsas referidas não são da prefeitura. Nós da Semulsp  identificamos o problema e estamos tratando do tema”, esclareceu o secretário.

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