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Manaus
INAUGURADO HÁ 11 ANOS

Shopping Popular do T4 segue sem previsão de entrar em funcionamento

Camelôs dizem que se sentem enganados pelas promessas feitas pelo prefeito Arthur Neto 11/05/2017 às 05:00
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Custou $ 30 milhões, está fechado e sem previsão de abertura. Foto: Aguilar Abecassis
Álik Menezes Manaus

Inaugurado há quase um ano em meio a campanha de reeleição do prefeito Arthur Neto (PSDB), o Shopping Popular do Terminal de Ônibus 4 (T4), localizado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, ainda permanece com as portas fechadas. Vendedores ambulantes, que estão em camelódromos provisórios no Centro  e aguardam uma nova decisão de quando serão realocados no novo centro comercial, estão revoltados e afirmam que foram enganados pelo prefeito.

O Shopping Popular T4,  ‘inaugurado’ em julho do ano passado pelo prefeito de Manaus e custou aos cofres públicos R$ 30 milhões. Hoje ele  é considerado pelos próprios camelôs como um “elefante branco” que gera custos com segurança patrimonial e  manutenção.

O vendedor Ronildo Moreira, 45, que está há três anos e meio no galeria popular da avenida Floriano Peixoto, no Centro, disse que em março desse ano a prefeitura quis transferí-los, mas os futuros permissionários não aceitaram porque a prefeitura não cumpriu com o que foi prometido no momento em que aceitaram sair das ruas.

“Eles prometeram colocar  lojas âncora para  atrair muitos consumidores, que ia ter grande fluxo de clientes, mas nenhuma grande loja está lá. Fomos enganados, eu aceitei ir para lá só porque acreditei nessas promessas”, disse, indignado.

Apesar de ainda sofrer com a queda nas vendas e a falta de estrutura na galeria da Floriano, Ronildo disse que não aceita ser transferido para o Shopping T4 até que as lojas âncora estejam em pleno funcionamento. “Bem ou mal, aqui eu estou no Centro, tem algum fluxo de pessoas e a gente tem clientes fixos. Se eu for para lá, quem  serão meus clientes? Quem vão entrar num shopping que não tem uma loja grande?”, questionou.

Uma vendedora de roupas, que pediu para não ser identificada, contou que em uma das reuniões foi prometido que até cinema teria no shopping. “Fomos totalmente enganados. Aceitei porque acreditei nesse sonho, acreditei que as coisas iriam mudar, mas até agora só foi história para boi dormir”, disse.

Outra camelô de 45 anos, que também pediu para não ser identificada, disse que não aceitará ser transferida até que as prometidas lojas grandes sejam inauguradas e eles tenham certeza que não será mais uma promessa. “Daqui ninguém me tira, fomos tirados da rua com a promessa de uma vida melhor, mas até agora nada melhorou. Nossas vendas reduziram mais de 80%, tem até colegas doentes porque não conseguem sustentar a própria casa, estão deprimidos, o que fizeram com a gente é desumano”, disse.

Contingente
Aproximadamente 719 ex-camelôs foram selecionados para  atuar no Shopping T4. Segundo a prefeitura, de 2.082 cadastrados no projeto ‘Viva Centro Galerias Populares’, 1.503 ex-camelôs foram atendidos e parte deles está instalada nas Galerias Espírito Santo e Remédios. Uma outra parte  aguarda em casa e nos camelódromos Floriano Peixoto 1 e Epaminondas, para se instalarem no Shopping T4 e na 2ª e 3ª etapas da Galeria dos Remédios.

Política
A inauguração do Shopping T4 aconteceu em 30 de junho do ano passado, o último dia permitido para candidatos a reeleição pudessem participar de inaugurações conforme determina a legislação eleitoral.

Na ocasião, o prefeito Arthur Neto assinou o termo de permissão de uso do Shopping T4 e entregou simbolicamente a chave do local a João Ximenes, 64, um dos mais antigos camelôs que ficavam na avenida Eduardo Ribeiro e foram retirados de lá em fevereiro de 2014. Ximenes, à epoca, declarou que o shopping era um sonho realizado.

Licitações da Prefeitura falham
Em nota, a subsecretaria Municipal do Centro Histórico (Subsemch) informou que o Shopping T4  foi entregue pela prefeitura pronto para funcionar no dia 30 de julho do ano passado. Porém, atendendo aos pedidos dos permissionários, que irão ocupar o espaço foi acertado em reunião  que a ocupação do prédio pelos permissionários só irá acontecer paralela à abertura de lojas âncoras, mini-âncoras e quiosques, que garantirão um maior fluxo de pessoas ao comércio.

Ainda segundo a secretaria,  após o início dos processos licitatórios, os empreendedores participaram de uma nova reunião onde ficou acertado que a abertura do centro de compras ocorreria no dia 1°de maio deste ano, mas não aconteceu em função de algumas concorrências não terem obtido êxito, precisando ser refeitas.  “A prefeitura está dando continuidade ao processo de licitação e tão logo seja concluído, os empreendedores serão chamados novamente a fim de acertarem, em conjunto, a data de funcionamento do Shopping T4”, informou a nota.

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