Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
GOVERNABILIDADE

Sidney Leite critica relação de Bolsonaro com o Congresso: 'Pior Possível'

Deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) disse, em entrevista ao Jornal A Crítica, que o presidente quer 'emparedar o Congresso'



Capturar_2B1D76D1-598A-40CC-8A32-CF2E7D99BFC4.JPG Foto: Junio Matos
25/06/2019 às 15:39

O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) avaliou os quase seis meses de mandato do presidente Jair Bolsonaro (PSL) como o “pior possível” no que diz respeito a relação do governo com o Congresso Nacional. Ontem, em visita à redação de A CRÍTICA, o parlamentar falou sobre o clima, na Câmara, para a votação do decreto de posse e porte de armas e temas como a reforma previdenciária e a situação da Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Se pegar presidentes que já sofreram impeachments tinham uma base política maior. A base fiel é o PSL e se resume a isso. Ele quer emparedar o Congresso e você não vai resolver nada assim, ainda mais numa casa política como aquela. Não vai”, afirmou Sidney Leite.

Uma das críticas ressaltadas pelo deputado foi a falta de coerência dos projetos apresentados com o cenário atual do País. “A equipe econômica não diz como refletirá concretamente na economia. Sabemos que teremos esse período, após ser votada, mas e se causar frustração por não ter emprego? E todos os desalentados que não se enquadram no modelo?”, questionou.

Decreto das armas

O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, Capitão Augusto (PR-SP), estimou ontem que conta com quase 250 votos para manter o decreto presidencial 9.785/19, que flexibiliza o Estatuto do Desarmamento.

Esmiuçando os ânimos, Sidney Leite disse que sente, na Câmara, um clima de continuidade da decisão do Senado, ou seja, embargar o decreto com um Projeto de Decreto Legislativo. Acrescentou, ainda, que se a decisão for direta ao plenário votará contra.

“Respeitar o plebiscito já definido e o que está na lei. A maioria não concorda. Se a prioridade é defender bandido, o presidente afirma que o Estado Brasileiro perdeu e está sem competência para enfrentar a violência”, disse.

 Áudios do moro

Sobre as polêmicas envolvendo o vazamento de áudios indicando o ministro de Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro como possível manipulador das investigações da Lava Jato, enquanto juiz, o deputado comentou um “pano de fundo”.

“O discurso é fragilizar e tentar mudar o rumo do processo do ex-presidente Lula. Essa é a intenção. É uma coisa muito delicada. Não se pode contaminar o combate à corrupção – e a Lava Jato é símbolo disso – por causa de uma pessoa, seja quem for. O que temos que falar, em fato, é que quem comete erros, tem que pagar”, avaliou.

O deputado alertou sobre as consequências sobre eventual mudança na isenção do IPI que favorece à ZFM. “Zerar o IPI afeta todo o modelo, e se os polos saírem daqui, dificilmente irão para outro Estado. O nosso diferencial é o senador Omar (Aziz) em comissões importantes, mas temos que pensar em outra coisa”, admitiu.

Sobre a reforma previdenciária, o deputado disse que a preparação é para o segundo semestre. “Está consolidada, mas tem jabuti que não é falado, como benefícios ao salário mínimo sem dizer os valores reais”.

 

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