Publicidade
Manaus
GREVE GERAL

Sindicalistas aguardam mais de cinco mil manifestantes na greve geral em Manaus

Centrais sindicais pretendem reunir mais de 30 categorias na greve geral realizada hoje contra as reformas da Previdência e Trabalhista 28/04/2017 às 05:00
Show sdkfgksdf
(Foto: Márcio Silva)
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Coordenadores da greve geral convocada para hoje pretendem reunir mais de 30 categorias no Amazonas contra a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência. A estimativa é de que mais de cinco mil pessoas participaram da mobilização na Praça Heliodoro Balbi (da Polícia), no Centro de Manaus. A informação foi dada, ontem, pela presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CUT), Isis Tavares, durante uma coletiva de imprensa com as entidades sindicais.

A Reforma Trabalhista foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira com cinco votos a favor e três contra da bancada amazonense. Sendo favoráveis: Alfredo Nascimento (PR), Átila Lins (PSD), Arthur Bisneto (PSDB), Pauderney Avelino (DEM) e Silas Câmara (PRB); e contra Conceição Sampaio (PP), Hissa Abrahão (PDT) e Sabino Castelo Branco (PTB).

De acordo com a presidente da CTB, a mobilização inicia com os professores que lecionam nas escolas do Centro às 7 horas. A partir das 11 horas as demais categorias vão se dirigir para a Praça da Polícia para que às 15 horas saiam em caminhada pela avenida Sete de Setembro, passando pela avenida Eduardo Ribeiro e finalizando com um ato público na Praça do Congresso.

Issis Tavares enfatizou que durante a caminhada irão convidar os comerciários que estiverem trabalhando  para  participar da manifestação. “Vamos chamar os trabalhadores que porventura tenham sido pressionados pelo comércio para não paralisarem, para que eles venham conosco e se sintam empoderados e sintam também a solidariedade dos outros trabalhadores que vão paralisar”, disse a sindicalista.

A expectativa da presidente da CTB é que a população também entenda o motivo da greve geral e participe da mobilização. “Que a sociedade também entenda, não leve seus filhos para a escola e nos apoiem porque essa é uma luta de todos”, disse.

Tavares ressaltou, ainda, que não é uma mobilização de partido político, mas em prol da sociedade e das novas gerações. “São propostas que vêm contra a própria Constituição, elas mudaram a Constituição, rasgaram a CLT. Os trabalhadores e as trabalhadoras vão morrer trabalhando. [...] Isso é um crime também, não só com os trabalhadores que estão no mercado de trabalho, mas também com nossos filhos e filhas que vão ter um mercado precarizado”, comentou.

A flexibilização proveniente da Reforma Trabalhista é um dos principais pontos que preocupam os sindicalistas porque liberam a contratação sem  carteira assinada, sem pagar 13º salário, sem licença maternidade, segundo Tavares, o que causa um impacto grande sobre as mulheres.

Blog: Berenício Lima, Secretário de Organização da CUT

 “O importante   no Estado do Amazonas foi a união das centrais em prol dessa luta em defesa dos direitos dos trabalhadores,   que é histórica no Amazonas. Nunca antes tínhamos conseguido essa unificação das centrais. A grande mobilização que está tendo dos trabalhadores tanto do distrito quanto professores, servidores públicos, estudantes, isso tem sido importante para manter e pressionar os deputados, e agora os senadores para não deixar passar essa Reforma Trabalhista. Uma reforma que retira todos os direitos. Os deputados estão dizendo que precisamos aprovar a modernidade da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Não é isso. A CLT tem sido reformada nesses últimos anos, 70% dos seus artigos tem sido mudado durante esse período. A proposta que foi para a Câmara dos Deputados não foi essa (de modernização). O relator acabou tirando direitos dos trabalhadores, direitos esses que muitos companheiros nossos perderam as suas vidas para essas conquistas. Então, o Amazonas está preparado. Nós vamos paralisar Manaus. Nós vamos paralisar o Brasil. Essa não vai ser a única, vamos continuar com a mobilização”.

Órgãos que irão funcionar

Apesar da Greve Geral programada para esta sexta-feira, alguns setores não aderiram à mobilização. Órgãos como o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM), Tribunal de Contas (TCE-AM); o Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam); a Câmara de Dirigentes de Lojistas de Manaus (CDLM), o governo do Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus comunicaram, por meio de nota, que continuarão com o expediente normalmente nos setores de atendimento ao público.

A Associação Comercial do Amazonas (ACA) informou que se solidariza com os que se opõem às propostas da reforma, mas que o comércio funciona porque precisa "trabalhar para manter os empregos e retomar o crescimento do País".

O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, afirmou que as empresas devem adotar a mesma metodologia da federação em que se o funcionário faltar será descontado um dia de trabalho do salário, como ocorre em outros dias.

Azevedo ressaltou que as lideranças dos sindicatos pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT), o que torna a mobilização mais relacionada com o contexto político.

Paralisação tem respaldo legal

O Ministério Público do Trabalho posicionou-se, em nota, a respeito da greve geral convocada para esta sexta-feira. Segundo o texto assinado pelo procurador-geral Ronaldo Fleury, a paralisação tem respaldo jurídico na Constituição Federal e nos Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil.

Ronaldo Fleury considera, ainda, legítima a resistência dos adeptos da greve às reformas (da Previdência e Trabalhista) propostas pelo governo, reforçando que a instituição é também contrária a estas medidas. A nota vem em resposta à decisão do governo federal de cortar os pontos dos servidores públicos que aderirem à paralisação.

O Supremo Tribunal Federal validou esta medida, assim como a possibilidade dos órgãos públicos de descontarem os dias parados antes mesmo de a paralisação ser considerada ilegal por uma decisão judicial. Outros políticos mostraram apoio ao posicionamento do governo, a exemplo do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Ele sinalizou que tomará medida semelhante, pagando, inclusive, transporte para os servidores que não aderirem à greve.

Categorias

Dentre as categorias que vão parar estão: professores da rede pública, vigilantes, bancários, rodoviários - sendo que 70% da frota funcionará em horário de pico , urbanitários, profissionais da construção civil, metalúrgicos, servidores da Justiça do Trabalho, agropecuaristas, profissionais da saúde, trabalhadores dos transportes especiais, trabalhadores e docentes do ensino superior, servidores federais da educação básica, profissional e tecnológica.  Segundo Isis Tavares, algumas escolas vão aderir ao movimento em função do apoio da igreja católica, como Dom Bosco, Santa Terezinha e Preciosíssimo  Sangue.

Confira o que para e o que funciona hoje

Transporte público

 Os rodoviários aderiram à greve, mas a Justiça determinou que 70% dos ônibus operem no horário de pico.

Escolas

Não deve haver aulas nas redes estadual e municipal. Algumas escolas particulares vão funcionar normalmente.

Tribunais

O Tribunal Regional do Trabalho vai parar. Já o Tribunal de Justiça informou que o funcionamento será normal.

Trabalhadores

Pelo menos 30 categorias de trabalhadores vão aderir à greve geral. Veja ao lado a lista completa de quem aderiu.

Correios

Apesar da greve iniciada na quarta-feira, a direção dos Correios informou que as agências devem abrir normalmente hoje.

Comércio

 A Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, e a associação  de lojistas do Vieiralves informaram que o funcionamento das lojas será normal.

Restaurantes

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) informou que os restaurantes associados à entidade abrem normalmente hoje. 

Bancos

Com a adesão dos bancários à greve geral, os bancos devem permanecer fechados nesta sexta-feira e só devem reabrir na terça, dia 2.

Publicidade
Publicidade