Domingo, 22 de Setembro de 2019
CONSTRANGIMENTO

Sindicância apura 'dossiê' com relatos ofensivos de alunos na UEA

Documento com comentários debochados sobre estudantes vazou após ser enviado por engano via e-mail. Conduta de professora e monitores será averiguada.



show_uea_2_31B0364A-8ABA-4504-A607-BBA4E7CA1958.jpg Foto: Arquivo/AC
23/08/2019 às 21:52

O que inicialmente era para ser um documento de apoio pedagógico acabou se tornando um dossiê com informações íntimas e observações desrespeitosas. Assim foi o constrangimento vivido essa semana por 50 alunos do curso de Ciências Biológicas da Escola Normal Superior, da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA), Zona Centro-Sul de Manaus, que tiveram seus dados acadêmicos e pessoais vazados por e-mail em forma de um dossiê elaborado por três alunos monitores de uma das disciplinas do curso. A UEA instaurou uma sindicância para apurar a conduta da professora e dos monitores.

Tudo começou quando a professora da disciplina “Ecologia de Populações e Comunidades”, do turno vespertino, pediu que os seus três monitores elaborassem um relatório com um perfil básico dos 50 alunos matriculados no curso. Contudo, na primeira versão do documento, havia, além de dados pessoais como foto do Facebook, matrícula institucional, período, ano de ingresso, coeficiente de rendimento, número de reprovações, e-mail e número de celular, observações pessoais feitas pelos monitores a respeito da conduta dos alunos matriculados no curso.

Na primeira versão do dossiê, enviado por engano por um dos monitores para a lista de transmissão do e-mail de todos os alunos matriculados, as informações acadêmicas dos estudantes vinham acompanhados de comentários debochados que nada tinham a ver com a disciplina, tais como “festeiro”, “está grávida”, “pouco esforçado”, “desligada”, “briguento”, “inteligente, mas deixa colegas na mão”, entre outros. A indignação da turma foi imediata, principalmente por conta da invasão de privacidade feita pelos colegas monitores na plataforma “Aluno Online”, uma página interna em que os alunos acessam as suas informações acadêmicas.

De acordo com a presidente do Centro Acadêmico de Biologia (Cabio), Talita Diovana Barbosa, na manhã da última quinta-feira, a reitoria, a direção da ENS/UEA e a coordenação do curso de Ciências Biológicas se reuniram no prédio da reitoria da UEA, na avenida Djalma Batista, e lá foi definido que um processo administrativo seria aberto.

“Uma comissão será aberta para avaliar o caso e estudar as punições cabíveis. Mesmo assim, alguns alunos citados nesse dossiê de forma desrespeitosa não estão nem um pouco satisfeitos. Os que se sentiram mais atingidos levarão, sim, à esfera judicial. Inclusive estaremos indo atrás de informações de como proceder em um processo”, disse, ressaltando que, com esse episódio, os alunos manifestaram preocupação com a segurança das suas informações pessoais contidas na plataforma Aluno Online.

Em nota enviada à redação de A CRÍTICA, a UEA informou que “foi instaurada, em caráter de emergência, uma sindicância para apurar os fatos sobre a turma do Curso de Ciências Biológicas da Escola Normal Superior (ENS)”.

Docente lamenta caso

Procurada pela reportagem, a professora Maria Clara Forsberg, titular da disciplina “Ecologia de Populações e Comunidades”, disse que, realmente, pediu aos três monitores para,  de maneira discreta, organizarem informações básicas sobre os estudantes matriculados no curso para assim acompanhá-los de maneira mais eficiente no decorrer da disciplina.

“Uma turma de 50 alunos com abordagem teórica e prática, requerendo 30 horas de trabalho de laboratório e de campo, apresenta desafios na sua efetivação. As orientações dadas aos monitores eram para registrarem dados públicos, das redes sociais e da plataforma Lattes, além de alguma informação de convívio em aula com parte dos alunos”, explicou. “Essas informações preliminares foram enviadas por engano ao email da turma (eu não tinha visto antes o material). Portanto, fiquei tão surpresa quanto qualquer um na lista com o vazamento do documento”, disse.

Ainda segundo Forsberg, a versão preliminar do documento seria discutida entre ela e os monitores, e as colunas com “as informações improcedentes” seriam eliminadas e corrigidas, já que foram feitos alguns comentários de cunho pessoal com julgamentos de valor, que não ajudariam em nada no trabalho pedagógico de acompanhar os alunos.

“Tanto os monitores, que estão arrasados emocionalmente com os erros cometidos, quanto eu como professora, lastimamos pelo ocorrido. É uma pena que o nosso esforço em ajudar os alunos matriculados tenha se transformado em atos de constrangimento. Uma atividade que deveria ser positiva, acabou sendo interpretada como de uso mesquinho e de perseguição dos monitores contra os alunos da turma”, lamentou.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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