Domingo, 18 de Agosto de 2019
VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Sindicato diz que vídeo não permite afirmar que médico bateu em adolescente em parto

Segundo o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), o "ângulo da filmagem não permite afirmar que o médico bate na parturiente como divulgado, parecendo que bate nos panos que protegem a mesa de parto"



parto_F650F725-3C4B-44C6-937B-EC77D7721571.JPG Foto: Divulgação
23/02/2019 às 19:11

Após cinco dias do caso de agressão de um médico contra uma grávida em trabalho de parto ganhar destaque na imprensa nacional, o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) publicou uma nota para, entre outras coisas, opinar que não é possível pelo vídeo, que revelou a agressão contra a adolescente de 16 anos, afirmar que Armando Andrade Araújo bateu na parturiente.

De acordo com o Sindicato, o "ângulo da filmagem não permite afirmar que o médico bate na parturiente como divulgado, parecendo que bate nos panos que protegem a mesa de parto".

O Portal A Crítica para a composição das reportagens sobre o caso, teve acesso à filmagem que tem duração de 2 minutos e 45 segundos. Nele, ao 1 minuto e 47 segundos, é possível ver que o médico, após a acompanhante da jovem ameaçar chamar a imprensa, bateu com as duas mãos nas virilhas da parturiente.  

No comunicado dessa sexta-feira (22), além de afirmar que não é possível ver a agressão, o Sindicato diz que "causa estranheza o fato só ter sido agora divulgado, 9 meses depois do ocorrido, repita-se, em um momento de pressão dos médicos para com a gestão".

O Simeam questiona ainda que somente uma acompanhante poderia estar na sala durante o parto e que parecia que estavam mais pessoas do que o recomendável. "E se a acompanhante, permitida por Lei, que aparece de roupa inadequada (não privativa) pressionando o médico, então quem realiza a filmagem expondo de forma acintosa a parturiente? Quem filmou por que não interviu e com qual intenção foi feita a filmagem?  E por que não divulgou a época?", continua indagando a instituição.

O fato é que não é culpa da ou das acompanhantes se o procedimento não estava sendo feito conforme determina a Lei n° 11.108, de 7 de abril de 2005, conhecida popularmente como Lei do Acompanhante. Afinal é de responsabilidade da direção da maternidade o cumprimento do que determina a lei.

Sobre o porquê de o caso ter sido denunciado após vários meses, a vítima disse em entrevista realizada na última quarta-feira (20), na sede da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), responsável pelo caso, que não possuía a filmagem.   “A mulher que gravou não quis enviar, por medo, eu acho. Aí quando foi a criança e a mãe que morreu (caso ocorrido no último final de semana), ela colocou o vídeo na internet e eu nem sabia. A minha mãe que ligou de Parintins com as minhas irmãs falando que o vídeo tava na internet e que era eu”, explicou a menina.

Confira a nota na íntegra:

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) mantêm o compromisso em atuar e denunciar possíveis irregularidades, buscar soluções e contribuir para a melhoria da saúde para a população e principalmente melhores condições de trabalho para os profissionais médicos do Estado. O Sindicato torna público e reforça que não compactua com qualquer forma de má prática médica!

Sobre o vídeo que circula nas redes sociais que mostra um conflito em um atendimento obstétrico, o sindicato entende que os fatos devam ser apurados de forma aprofundada com isenção. Todavia, acredita que a toda acusação deve ser dada a oportunidade de uma defesa com base nas garantias constitucionais.

Nesse caso do vídeo, acreditamos na necessária elucidação dos fatos para que a sociedade não seja colocada contra os profissionais médicos, ainda mais no momento em que os médicos estavam denunciando as más condições dos ambientes hospitalares e principalmente das maternidades.

Não é objetivo do Sindicato apagar qualquer conduta errada do profissional, entretanto, nos causa estranheza o fato só ter sido agora divulgado, 9 meses depois do ocorrido, repita-se, em um momento de pressão dos médicos para com a gestão.

Ademais, acreditamos que deve ser observada a conduta de todos os que estavam na sala na hora do parto. Esclarecendo-se alguns pontos:

1- Somente uma acompanhante pode estar na sala durante o parto e parece que havia muito mais pessoas do que o recomendável, por qual razão? E se a acompanhante, permitida por Lei, que aparece de roupa inadequada (não privativa) pressionando o médico, então quem realiza a filmagem expondo de forma acintosa a parturiente? Quem filmou por que não interviu e com qual intenção foi feita a filmagem?  E por que não divulgou a época?

2- A sogra buscava convencer o médico a realizar uma cesariana de forma insistente e frontal tentando interferir na conduta médica, quem determinou as razões para a necessidade de uma cesariana?

3- Se havia um conflito no ambiente por que as pessoas da área da saúde que lá estavam não procuraram intervir de forma preventiva para restabelecer o ambiente adequado ao trabalho médico que exige tranquilidade total para ser bem executado;

4- O angulo da filmagem não permite afirmar que o médico bate na parturiente como divulgado, parecendo que bate nos panos que protegem a mesa de parto.

5- O parto após o ambiente adequado ser restabelecido foi feito por via vaginal? Apesar da “pressão” de algumas pessoas com a intenção de ajudar ou tumultuar;

O Simeam representa e defende os direitos da classe médica mas afirma que em caso de possível conduta inadequada, não pode vir a denegrir a imagem de toda a categoria, que se empenha diariamente para realizar seu trabalho de forma digna, e que já há algum tempo, vem enfrentando sérios problemas para o bom exercício da profissão dentro das unidades de saúde.

O Simeam acredita que os órgãos competentes devem exercer seu papel de apurar toda denúncia observando cada caso de forma individual, de acordo com suas peculiaridades.

 

Dr. Mario Vianna
Presidente do SIMEAM
Vice-Presidente da FENAM

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